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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Cirurgia bariátrica e gestação


Contexto Clínico
A obesidade materna está associada ao aumento do risco de diabetes gestacional, com a ocorrência de bebês grandes para a idade gestacional, de parto prematuro, com malformações congênitas e parto de natimorto. Porém, não se sabe se os riscos destes desfechos mudam entre as mulheres que se submeteram à cirurgia bariátrica.

O Estudo
Foi realizado um estudo observacional. Foram identificadas 627.693 gestações únicas no Registro Médico de Nascimentos Sueco de 2006 a 2011, dos quais 670 ocorreram em mulheres que já haviam sido submetidas à cirurgia bariátrica e para quem o peso pré-cirurgia foi documentado. Para cada gravidez após a cirurgia bariátrica, até cinco gestações de controle foram pareados conforme índice de massa corporal pré-cirúrgico da mãe, idade, paridade, tabagismo, nível de escolaridade e ano do parto. Foram avaliados os riscos de diabetes gestacional, malformações congênitas, de ocorrência de bebê grande para a idade gestacional e pequenos para idade gestacional, nascimento prematuro, natimorto, morte neonatal.
Gestações após a cirurgia bariátrica, em comparação com gestações de controle pareadas, foram associadas com menor risco de diabetes gestacional (1,9% vs. 6,8%; odds ratio, 0,25; IC95%: 0,13-0,47; P <0,001) e ocorrência de bebê grande para a idade gestacional (8,6% vs. 22,4%; OR: 0,33; IC95%: 0,24-0,44; P <0,001). Em contrapartida, eles foram associados com um risco maior de bebês pequenos para a idade gestacional (15,6% vs. 7,6%; OR: 2,20; IC95%: 1,64-2,95; P <0,001) e menor tempo de gestação (273,0 vs . 277,5 dias; diferença média -4,5 dias, IC95%: -2,9 para -6,0; P <0,001), embora o risco de parto pré-termo não tenha sido significativamente diferente (10,0% vs. 7,5%; OR: 1,28; IC95%: 0,92-1,78; P = 0,15). O risco de morte fetal ou neonatal foi de 1,7% versus 0,7% (OR: 2,39; IC95%: 0,98-5,85; P = 0,06). Não houve diferença significativa entre os grupos na frequência de malformações congênitas.

Aplicações Práticas
Este estudo, apesar de observacional e de ter ocorrido na Suécia, fornece interessantes interpretações. Podemos concluir que a cirurgia bariátrica foi associada com riscos reduzidos de diabetes gestacional e de crescimento fetal excessivo, mas também com gestação mais curta em duração, e com um risco aumentado de ocorrência de bebês pequenos para a idade gestacional, e possivelmente o aumento da mortalidade, sendo este último item o de mais difícil explicação. Muito mais do que decidir se uma mulher em idade fértil deva ou não optar pela bariátrica se pensarmos em função de uma possível gravidez, devemos lembrar que os dados aqui apresentados servem para saber o que deve ser gerenciado neste perfil de mulher que venha a engravidar. De forma alguma devemos encarar este dado como alguma contraindicação à cirurgia bariátrica, que em última análise está salvando a vida da pessoa que a fez.






fonte: Dr. Lucas Santos Zambon

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe)


Características

Caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. Seu comportamento impulsivo freqüentemente é autodestrutivo.

Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade.

A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.
Aspectos essenciais

Padrão de relacionamento instável variando rapidamente entre ter um grande apreço por certa pessoa para logo depois desprezá-la.

Comportamento impulsivo principalmente quanto a gastos financeiros, sexual, abuso de substâncias psicoativas, pequenos furtos, dirigir irresponsavelmente.

Rápida variação das emoções, passando de um estado de irritação para angustiado e depois para depressão (não necessariamente nesta ordem).

Sentimento de raiva freqüente e falta de controle desses sentimentos chegando a lutas corporais.

Comportamento suicida ou auto-mutilante.

Sentimentos persistentes de vazio e tédio.

Dúvidas a respeito de si mesmo, de sua identidade como pessoa, de seu comportamento sexual, de sua carreira profissional.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Um poema para distrair a mente


Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

PAULO LEMINSKI

sábado, 26 de setembro de 2015

Ansiedade


Ansiedade é, por assim dizer, medo...

Sintomas físicos de ansiedade

Alguns sintomas físicos de ansiedade incluem:

Enjoo e vômitos;
Tontura ou sensação de desmaio;
Falta de ar ou respiração ofegante;
Dor ou aperto no peito;
Dor de barriga ou mesmo diarreia;
Roer as unhas;
Tremor;
Palpitação do coração;
Irritabilidade e fadiga fácil;
Tensão muscular, principalmente dor nas costas;
Balançar as pernas e os braços;
Falar muito rápido;
Dificuldade em dormir, dormindo poucas horas e dificuldade para adormecer.
Quando o individuo tem ansiedade, podem surgir muitos sintomas ao mesmo tempo ou apenas alguns, variando de pessoa para pessoa.

Sintomas emocionais de ansiedade

Os sintomas emocionais de ansiedade, podem incluir:

Agitação, balançando os pernas e os braços;
Nervosismo;
Dificuldade de concentração e para relaxar;
Preocupação;
Medo constante de alguma situação em particular, como por exemplo medo de se machucar;
Sensação de que algo ruim vai acontecer;
Descontrole sobre os próprios pensamentos;
Preocupação exagerada em relação à realidade.
Os sintomas emocionais normalmente estão associados aos sintomas físicos e podem estar presentes em adultos ou crianças.

Causas de ansiedade

A ansiedade pode ser provocada por qualquer motivo, pois depende da importância que o individuo dá a uma determinada situação e pode surgir em adultos ou crianças.

Porém, a ansiedade aguda e o estresse são mais comuns em situações, como a insegurança do 1º dia de trabalho, casamento, problemas familiares ou compromissos financeiros, por exemplo, e é importante identificar a causa, para conseguir tratar, para não se tornar ansiedade crônica.

Desta forma, se 3 ou mais dos sintomas físicos ou emocionais estiverem presentes quase que diariamente nos últimos 6 meses, é importante consultar um psiquiatra e psicólogo para avaliar e indicar o melhor tratamento, pois pode estar sofrendo de um quadro chamado transtorno de ansiedade generalizada.

Como controlar a ansiedade

Para controlar a ansiedade, pode-se tomar remédios indicados pelo médico, como calmantes, que ajudam a diminuir alguns dos sintomas, ou recorrer a remédios naturais como por exemplo:

Beber um suco de maracujá, pois possui propriedades calmantes e ansiolíticas;
Beber um chá de camomila devido à sua ação calmante;
Comer alface, porque ele ajuda a relaxar os músculos e o sistema nervoso. Veja mais alimentos em: Alimentos contra a ansiedade.
Tomar um banho morno para relaxar o corpo;
Receber uma massagem vigorosa, mas relaxante.
Se este tratamento para ansiedade for insuficiente, o médico poderá indicar o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos e o acompanhamento com um psicólogo ou psicanalista poderá ser necessário, para conhecer técnicas que ajudam a acalmar em momentos de ansiedade, pânico ou angustia. Conheça uma forma em: Remédio caseiro para ansiedade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Problemas psicossomáticos ligados à Depressão


Problemas digestivos

Quando o individuo está em depressão, há uma baixa na produção dos neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina. Esses mediadores são responsáveis pela modulação da dor e também pelo equilíbrio emocional, portanto um paciente depressivo apresenta maior sensibilidade à dor.

A dor na parte gastrointestinal é muito comum em depressivos.

Há muitas vezes a ocorrência da síndrome do intestino irritável, que causa dores abdominais, flatulência e mudanças do hábito intestinal.

Pacientes podem chegar ao gastroenterologista com esses sintomas e, após vários exames clínicos, são diagnosticados como de fundo emocional.

Dor de cabeça

A depressão também pode motivar dores do tipo cefaleia.

Há o cenário que chamamos de somatização, no qual o indivíduo com depressão acumula sintomas emocionais, frustrações, medos e inseguranças e descarrega no corpo.

Vale ressaltar que é um processo inconsciente, ou seja, o individuo não tem controle sobre isso, e deve procurar ajuda profissional.

Distúrbios do sono

Distúrbios do sono são bem comuns: ou o paciente dorme demais, buscando no sono uma fuga da realidade, ou não consegue dormir, por não conseguir se desligar dos problemas que o levaram a depressão. Em ambos os casos, o resultado é um sono de má qualidade.

O paciente não se recupera o suficiente para as atividades que deve exercer, o que explica a piora da do rendimento e da produtividade.

Tensão na nuca e nos ombros

Como consequência do processo de somatização, o paciente depressivo fica constantemente em estado de alerta - e isso se reflete em tensão na musculatura, principalmente da nuca e ombros.

A ansiedade e nervosismo para resolver as questões emocionais estão frequentemente associadas a esses sintomas.

Cansaço ou fadiga

A falta da produção adequada dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina gera uma prostração muito grande em pacientes.

O resultado são sintomas como fraqueza, cansaço, falta de ânimo e falta de iniciativa para executar qualquer atividade.

Mudanças no apetite e no peso

A depressão é frequentemente associada a transtornos alimentares. Isso porque a doença leva a alterações no apetite, podendo ocorrer a falta ou o excesso deste, culminando em perda ou ganho de peso.

As reações são individuais, é necessário apenas observar que o comportamento não está normal para aquela pessoa e orientá-la a buscar ajuda.

Quadros de anorexia e bulimia são diferentes de depressão, e como tal devem ser tratados separadamente.

Há casos em que o paciente já diagnosticado com transtornos alimentares desenvolve um quadro depressivo, mas não se sabe quais são os gatilhos para essa relação.

Portanto, é necessário prestar atenção tanto nas mudanças de apetite do paciente com suspeita de depressão quanto em sinais depressivos nas pessoas que já tratam transtornos alimentares.

Dores no corpo

Pacientes com depressão muitas vezes se queixam de dores generalizadas e persistentes no corpo todo, principalmente nas costas e peito.

Os sintomas de fadiga e cansaço próprios do quadro depressivo acabam comprometendo uma postura adequada quando o indivíduo tenta realizar suas atividades diárias, piorando a sensação de tensão e dores musculares.

Sedentarismo e a falta de atividades físicas podem tornar o quadro ainda mais intenso.

Imunidade baixa

A depressão leva o indivíduo à prostração - ele não se sente bem fisicamente e mentalmente. Isso pode, de maneira indireta, interferir na imunidade.

Ocorre uma liberação descontrolada de hormônios quando não estamos bem emocionalmente, afetando as células de defesa.

Além disso, a tristeza e falta de iniciativa para realizar atividades pode fazer com que o paciente não tome os devidos cuidados com a saúde, adotando comportamentos de risco como ingestão excessiva de álcool, tabagismo, uso de drogas, má alimentação e sedentarismo - todos fatores que interferem diretamente na imunidade, deixando o indivíduo mais vulnerável a infecções oportunistas, como gripes, resfriados e herpes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Depressão: conceito e diagnóstico


O termo depressão, na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza), quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s).

Os sentimentos de tristeza e alegria colorem o fundo afetivo da vida psíquica normal. A tristeza constitui-se na resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades. Cumpre lembrar que essa resposta tem valor adaptativo, do ponto de vista evolucionário, uma vez que, através do retraimento, poupa energia e recursos para o futuro. Por outro lado, constitui-se em sinal de alerta, para os demais, de que a pessoa está precisando de companhia e ajuda. As reações de luto, que se estabelecem em resposta à perda de pessoas queridas, caracterizam-se pelo sentimento de profunda tristeza, exacerbação da atividade simpática e inquietude. As reações de luto normal podem estender-se até por um ou dois anos, devendo ser diferenciadas dos quadros depressivos propriamente ditos. No luto normal a pessoa usualmente preserva certos interesses e reage positivamente ao ambiente, quando devidamente estimulada. Não se observa, no luto, a inibição psicomotora característica dos estados melancólicos. Os sentimentos de culpa, no luto, limitam-se a não ter feito todo o possível para auxiliar a pessoa que morreu; outras idéias de culpa estão geralmente ausentes.

Enquanto sintoma, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais: transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas.

Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite).

Finalmente, enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura atual encontram-se: transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, etc.



Descrição clínica

As descrições feitas por Kraepelin, dos estados depressivos e maníacos, na oitava edição de seu tratado, são insuperáveis pela clareza e precisão. Felizmente encontra-se disponível uma reedição recente desse trabalho, em tradução inglesa,1 o que torna sua leitura mais facilmente acessível. De muito interesse é o artigo clássico de Falret, sobre a "folie circulaire", marco na história da doença maníaco-depressiva, datado de 1854 e recentemente republicado pelo American Journal of Psychiatry, com comentários de Marc Sedler.2 Igualmente interessantes são as descrições de Bleuler, em seu Tratado de Psiquiatria (atualizado por Manfred Bleuler), que conta com traduções em espanhol e mesmo em português.3



Aspectos gerais

Embora a característica mais típica dos estados depressivos seja a proeminência dos sentimentos de tristeza ou vazio, nem todos os pacientes relatam a sensação subjetiva de tristeza. Muitos referem, sobretudo, a perda da capacidade de experimentar prazer nas atividades em geral e a redução do interesse pelo ambiente. Freqüentemente associa-se à sensação de fadiga ou perda de energia, caracterizada pela queixa de cansaço exagerado. Alguns autores4,5 enfatizam a importância das alterações psicomotoras, em particular referindo-se à lentificação ou retardo psicomotor. Este tópico será abordado mais detidamente no item referente à conceituação da "melancolia".

No diagnóstico da depressão levam-se em conta: sintomas psíquicos; fisiológicos; e evidências comportamentais.

Sintomas psíquicos

• Humor depressivo: sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimentos de culpa.

Os pacientes costumam aludir ao sentimento de que tudo lhes parece fútil, ou sem real importância. Acreditam que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir alegria ou prazer na vida. Tudo lhes parece vazio e sem graça, o mundo é visto "sem cores", sem matizes de alegria. Em crianças e adolescentes, sobretudo, o humor pode ser irritável, ou "rabugento", ao invés de triste. Certos pacientes mostram-se antes "apáticos" do que tristes, referindo-se muitas vezes ao "sentimento da falta de sentimentos". Constatam, por exemplo, já não se emocionarem com a chegada dos netos, ou com o sofrimento de um ente querido, e assim por diante.

O deprimido, com freqüência, julga-se um peso para os familiares e amigos, muitas vezes invocando a morte para aliviar os que o assistem na doença.

São freqüentes e temíveis as idéias de suicídio. As motivações para o suicídio incluem distorções cognitivas (perceber quaisquer dificuldades como obstáculos definitivos e intransponíveis, tendência a superestimar as perdas sofridas) e ainda o intenso desejo de pôr fim a um estado emocional extremamente penoso e tido como interminável. Outros ainda buscam a morte como forma de expiar suas supostas culpas. Os pensamentos de suicídio variam desde o remoto desejo de estar simplesmente morto, até planos minuciosos de se matar (estabelecendo o modo, o momento e o lugar para o ato). Os pensamentos relativos à morte devem ser sistematicamente investigados, uma vez que essa conduta poderá prevenir atos suicidas, dando ensejo ao doente de se expressar a respeito.

• Redução da capacidade de experimentar prazer na maior parte das atividades, antes consideradas como agradáveis. As pessoas deprimidas podem relatar que já não se interessam pelos seus passatempos prediletos. As atividades sociais são freqüentemente negligenciadas, e tudo lhes parece agora ter o peso de terríveis "obrigações".

• Fadiga ou sensação de perda de energia. A pessoa pode relatar fadiga persistente, mesmo sem esforço físico, e as tarefas mais leves parecem exigir esforço substancial. Lentifica-se o tempo para a execução das tarefas.

• Diminuição da capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões. Decisões antes quase automáticas parecem agora custar esforços intransponíveis. Um paciente pode se demorar infindavelmente para terminar um simples relatório, pela incapacidade em escolher as palavras adequadas. O curso do pensamento pode estar notavelmente lentificado. Professores experientes queixam-se de não conseguir preparar as aulas mais rotineiras; programadores de computadores pedem para ser substituídos pela atual "incompetência"; crianças e adolescentes têm queda em seus rendimentos escolares, geralmente em função da fatigabilidade e déficit de atenção, além do desinteresse generalizado.

Sintomas fisiológicos

• alterações do sono (mais freqüentemente insônia, podendo ocorrer também hipersonolência). A insônia é, mais tipicamente, intermediária (acordar no meio da noite, com dificuldades para voltar a conciliar o sono), ou terminal (acordar mais precocemente pela manhã). Pode também ocorrer insônia inicial. Com menor freqüência, mas não raramente, os indivíduos podem se queixar de sonolência excessiva, mesmo durante as horas do dia.

• alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite). Muitas vezes a pessoa precisa esforçar-se para comer, ou ser ajudada por terceiros a se alimentar. As crianças podem, pela inapetência, não ter o esperado ganho de peso no tempo correspondente. Algumas formas específicas de depressão são acompanhadas de aumento do apetite, que se mostra caracteristicamente aguçado por carboidratos e doces.

• redução do interesse sexual

Evidências comportamentais

• retraimento social

• crises de choro

• comportamentos suicidas

• Retardo psicomotor e lentificação generalizada, ou agitação psicomotora. Freqüentemente os pacientes se referem à sensação de peso nos membros, ou ao "manto de chumbo" que parecem estar carregando. Em recente revisão da literatura sobre os estados depressivos, o item "retardo psicomotor" foi o denominador comum, em nove sistemas classificatórios, como traço definidor da melancolia. Na Austrália, Gordon Parker e colaboradores5 propuseram, para o diagnóstico da melancolia, um sistema baseado não em "sintomas" (subjetivos), mas em "sinais" (características objetivas, observáveis): o sistema "core", que tem sido cada vez mais utilizado pelos pesquisadores nessa área. Na França, Daniel Widlöcher4 e colaboradores, na Salpêtrière, desenvolveram uma escala especificamente destinada a medir o retardo psicomotor ("échelle de ralentissement dépressif" da Salpêtrière). Deve-se ainda lembrar, no diagnóstico das depressões, que algumas vezes o quadro mais típico pode ser mascarado por queixas proeminentes de dor crônica (cefaléia, dores vagas no tórax, abdome, ombros, região lombar, etc.). A ansiedade está freqüentemente associada. Em idosos, principalmente, as queixas de caráter hipocondríaco costumam ser muito comuns.



Alterações dos rimos circadianos

Muitas funções circadianas encontram-se alteradas nas depressões, a exemplo da regulação da temperatura e do ritmo de produção do cortisol. Entre as alterações mais conspícuas estão aquelas relacionadas ao ritmo do sono. Segundo Akiskal,6 cerca de dois terços dos pacientes deprimidos têm diminuição da latência para o início do sono REM ("Rapid Eyes Movements"). As formas ditas "melancólicas" da depressão caracterizam-se, entre outros aspectos, pela piora matinal e pelo despertar precoce pela manhã.



Características melancólicas

O termo "melancolia" tem sido empregado, nas atuais classificações (como o DSM IV), para designar o subtipo anteriormente chamado de "endógeno", "vital", "biológico", "somático" ou "endogenomorfo" de depressão. Considerado por muitos como o "protótipo" ou síndrome nuclear das depressões, a melancolia – ao contrário de outras formas de depressão – parece constituir-se em um grupo mais homogêneo, que responde melhor a tratamentos biológicos, e para o qual os fatores genéticos seriam os principais determinantes. Parker e cols.5 chamam a atenção para a importância das alterações psicomotoras na melancolia, para eles a principal característica desse quadro nosológico. O conceito de melancolia no DSM-IV foi revisto, em relação ao do DSM-III-R, tornando-se mais preciso e definindo com mais rigor no subgrupo aqui estudado.7 Testes biológicos, como, por exemplo, o teste da supressão do cortisol pela dexametasona, são mais freqüentemente positivos nos quadros melancólicos do que em outros tipos de depressão.



Características psicóticas

Cumpre lembrar que o termo "psicótico", origem de tantas controvérsias em psiquiatria, tem três significados distintos: 1. significado meramente descritivo, quando designa, por exemplo, quadros psiquiátricos onde ocorrem alucinações e delírios; 2. significado etiológico, quando designa quadros endógenos (determinados por tendências constitucionais do indivíduo), em contraposição àqueles determinados por fatores psicogênicos; e 3. significado que alude à gravidade (ou intensidade) do quadro. As atuais classificações, fugindo de preconceitos etiológicos, utilizam o termo psicótico apenas em sentido descritivo. Assim, a expressão designa, nesse contexto, aquelas formas de depressão onde ocorrem delírios e alucinações. Admite-se que essas formas cheguem a 15% dos quadros depressivos.

Os delírios depressivos considerados congruentes com o humor incluem delírios de culpa, de punição merecida, delírios de ruína e delírios nihilistas (que podem configurar a síndrome de Cotard, quando incluem negação de órgãos e negação da morte). Na depressão delirante as pessoas podem interpretar eventos triviais do cotidiano como evidências de defeitos pessoais, ao tempo em que se culpam de forma indevida e francamente inapropriada. Um paciente, por exemplo, culpava-se pela morte de um desconhecido, cujo féretro passou por sua rua; outra, uma senhora de meia idade, julgava ser a responsável pela paralisação das obras de uma ponte em sua cidade. Mais comumente, no entanto, o paciente recua no tempo, com a finalidade de se acusar por supostos delitos ou atos culposos do passado, remoendo escrúpulos indevidos. Os temas de ruína, quando delirantes, apresentam-se, de acordo com Bleuler,3 como: ruína do corpo (delírios hipocondríacos: a pessoa acredita, por exemplo, estar com o fígado "apodrecido", ou com determinados órgãos "tomados pelo câncer"); ruína espiritual (delírios de culpa, com acusações por faltas ou pecados cometidos); e ruína financeira (delírios que envolvem temas de pobreza e miséria). A "escolha" do tema faz-se, certamente, em consonância com as características da personalidade do paciente. Por outro lado, podem ocorrer temas delirantes, aparentemente sem relação com o humor depressivo.

Os delírios incongruentes com o humor incluem temas de perseguição, e delírios de estar sendo controlado (estes, comumente associados a fenômenos "schneiderianos" de inserção e irradiação de pensamentos). Quando presentes, esses fenômenos incongruentes com o humor associam-se a um pior prognóstico, avizinhando-se, não raramente, dos estados ditos "esquizoafetivos".

As alucinações que acompanham os estados depressivos, quando presentes, são em geral transitórias e não elaboradas. Costumam ser, mais comumente, coerentes com o humor depressivo: vozes que condenam o paciente, imprecações do demônio, choro de defuntos, etc. Mais raramente, ocorrem alucinações não congruentes com o humor (sem relação aparente com os temas depressivos). As formas mais severas de depressão psicótica foram descritas por Kraepelin1 com o nome de "melancolia fantástica". Nessa forma aparecem intensos delírios e alucinações, alternando-se estados de violenta excitação com estados estuporosos, a par de leve obnubilação da consciência (essas formas são hoje dificilmente encontradas).



Depressões catatônicas

Diz-se que uma depressão tem características catatônicas quando o quadro clínico se caracteriza por intensas alterações da psicomotricidade, entre as quais: imobilidade quase completa, atividade motora excessiva, negativismo extremo, mutismo, estereotipias, ecolalia ou ecopraxia, obediência ou imitação automática. A imobilidade motora pode se apresentar como estupor (o chamado "estupor melancólico") ou ainda por catalepsia (flexibilidade cérea). Impõe-se aqui o diagnóstico diferencial cuidadoso, com a catatonia induzida por condição médica geral (por exemplo, encefalopatia hepática), por drogas ou medicamentos, e com a esquizofrenia catatônica. Cumpre notar que, nos tempos atuais, é muito raro encontrar-se um verdadeiro "estupor melancólico". As facilidades de diagnóstico e de tratamento quase sempre impedem a progressão a essas formas mais graves, que ainda em passado recente (particularmente antes da introdução do eletrochoque) ameaçavam a vida dos pacientes. Em pessoas jovens, o aparecimento de acentuada lentificação psicomotora e de formas sutis de estupor é quase sempre indicativo de doença bipolar, que freqüentemente acabará se manifestando mais tarde através de fases maníacas.



Depressões crônicas (distimias)

As depressões crônicas são geralmente de intensidade mais leve que os episódios de depressão maior. Mais que o humor francamente deprimido, os pacientes com depressão crônica (distimia) sofrem por não sentir prazer nas atividades habituais, e por terem suas vidas coartadas por uma espécie de morosidade irritável.



Depressões atípicas

Originalmente criado na Inglaterra, e posteriormente desenvolvido pelo grupo da Universidade de Columbia, em Nova York, o conceito de depressão "atípíca" refere-se (de modo muito típico) àquelas formas de depressão caracterizadas por: reatividade do humor, sensação de fadiga acentuada e "peso" nos membros, e sintomas vegetativos "reversos" (opostos aos da depressão melancólica), como aumento de peso e do apetite, em particular por carboidratos e hipersonia. Além disso, descreve-se como característica constante das pessoas sujeitas a esse tipo de depressão um padrão persistente de extrema sensibilidade à percepção do que consideram como rejeição por parte de outras pessoas. Episódios com características "atípicas" são mais comuns nos transtornos bipolares (I e II), no transtorno depressivo com padrão sazonal.



Sazonalidade

Especialmente no hemisfério norte, onde as estações do ano são bem definidas, verifica-se com clareza que algumas formas de depressão acentuam-se ou são precipitadas de acordo com um padrão sazonal; mais comumente as depressões desse tipo ocorrem no outono e no inverno. Muitos desses pacientes têm fases hipomaníacas na primavera, sendo classificados como do tipo bipolar II (depressões maiores e hipomania). Freqüentemente esses pacientes apresentam algumas características sobrepostas às da "depressão atípica": fadiga excessiva, aumento do apetite (em particular por carboidratos) e hipersonolência. O DSM-IV inclui o "padrão sazonal" como um especificador do tipo de depressão estudada.



Classificações atuais dos estados depressivos

CID-10

A Classificação Internacional das Doenças, da Organização Mundial da Saúde, em sua décima revisão8, a CID-10, assim apresenta os transtornos do humor, em suas linhas gerais:

• F30 - Episódio maníaco (usado para episódio único de mania).

• F31 - Transtorno afetivo bipolar.

O transtorno afetivo bipolar pode ser classificado, de acordo com o tipo do episódio atual, em hipomaníaco, maníaco ou depressivo. Os episódios maníacos são subdivididos de acordo com a presença ou ausência de sintomas psicóticos. Os episódios depressivos são classificados de acordo com as regras descritas em F32. O transtorno afetivo bipolar inclui ainda os episódios mistos (F31.6).

• 1 2 F32 - Episódio depressivo (usado para episódio depressivo único).

O episódio depressivo pode ser, quanto à intensidade, classificado como: leve, moderado ou grave. Os episódios leves e moderados podem ser classificados de acordo com a presença ou ausência de sintomas somáticos. Os episódios depressivos graves são subdivididos de acordo com a presença ou ausência de sintomas psicóticos.

• F33 - Transtorno depressivo recorrente (tem as mesmas subdivisões descritas para o episódio depressivo).

• F34 - Transtornos persistentes do humor: F34.0 - Ciclotimia e F34.1 - Distimia.

A CID-10 inclui ainda códigos para "outros" transtornos do humor e para "transtornos não identificados".

DSM-IV

A Associação Psiquiátrica Americana, no DSM-IV,9 assim classifica os transtornos do humor:

Transtornos depressivos:

• 296.xx - Transtorno depressivo maior, que é subdividido em episódio único, ou recorrente.

• 300.4 - Transtorno distímico, que pode ser especificado de acordo com o tipo de início (precoce ou tardio), e de acordo com a presença ou ausência de características atípicas.

• 311 - Transtorno depressivo sem outra especificação (SOE).

Transtornos bipolares:

• 296.xx - Transtorno bipolar I.

O transtorno bipolar I inclui a ocorrência de episódio maníaco único. O DSM IV pede que se especifique o tipo do episódio mais recente: hipomaníaco, maníaco, depressivo, misto, ou inespecificado.

• 296.89 - Transtorno bipolar II (hipomania associada a pelo menos um episódio depressivo maior). Especificar se o episódio atual (ou mais recente) é hipomaníaco ou depressivo.

• 301.13 - Transtorno ciclotímico

• 296.80 - Transtorno bipolar sem outra especificação (SOE)

• 293.83 - Transtorno do humor devido a condição médica geral

• ___.__ - Transtorno do humor induzido por substâncias (referir os códigos específicos para cada substância).

296.90 - Transtorno do humor sem outra especificação (SOE).

O DSM IV fornece ainda, em seu apêndice B, conjuntos de critérios para estudos adicionais. No que concerne os transtornos do humor, devem ser lembrados: transtorno depressivo menor, transtorno depressivo breve recorrente, transtorno misto de ansiedade-depressão e transtorno da personalidade depressiva.



Críticas ao conceito de "transtorno depressivo maior"

O conceito de depressão maior, como aparece no DSM-IV, é excessivamente abrangente, e por isso mesmo, pouco preciso. Abarca provavelmente uma gama muito heterogênea de condições, que vão desde as fronteiras da normalidade (reações de luto ou tristeza normal) até aquelas formas mais graves de depressão, para as quais provavelmente concorrem fatores mais biológicos (adquiridos e/ou geneticamente determinados). Para o diagnóstico de "Transtorno Depressivo Maior", de acordo com o DSM-IV, basta que a pessoa apresente "humor deprimido ou perda de interesse ou prazer, durante um período de duas semanas", mais quatro sintomas de uma lista de nove (ou mais três sintomas, se os dois primeiros estiverem presentes). Assim, por exemplo, se uma moça que brigou com o namorado apresentar tristeza e perda de energia por 15 dias, além de mais três sintomas, como insônia, perda de energia e capacidade diminuída de se concentrar, terá preenchido critérios para "Transtorno Depressivo Maior". Um conceito tão amplo certamente não contribui para que se testem hipóteses sobre a etiologia das depressões, resposta a tratamentos biológicos, etc. Não serve tampouco para auxiliar na decisão de se medicar ou não a pessoa que preencha tais critérios. Já o conceito de melancolia é muito mais preciso e, por essa razão, tem maior valor preditivo quanto, por exemplo, à resposta terapêutica a antidepressivos e ao eletrochoque.



Depressão e o espectro dos transtornos bipolares

Assiste-se hoje, indubitavelmente, à redescoberta da obra de Kraepelin.1 Os critérios diagnósticos adotados pela Associação Psiquiátrica Americana (DSM IV) e pela Organização Mundial da Saúde (CID 10) refletem, em suas linhas gerais, a nosologia kraepeliniana. Também no âmbito das afecções do humor (transtornos afetivos) verifica-se, em aspectos fundamentais, o retorno às concepções de Kraepelin. Em 1921, tratando da definição da "insanidade maníaco-depressiva", Kraepelin escreveu:

"A insanidade maníaco-depressiva , como descrita nesse capítulo, inclui, por um lado, o domínio completo da chamada insanidade periódica e circular, e por outro lado inclui a mania simples, a maior parte dos estados mórbidos designados como melancolia, e também um número não desprezível de casos de amência. Finalmente, incluímos aqui certos coloridos leves e sutis do humor, alguns dos quais periódicos, outros continuamente mórbidos, os quais , se por um lado podem ser encarados como o rudimento de doenças mais severas, por outro lado passam, sem limites nítidos, para o campo da predisposição pessoal. No curso dos anos eu me tornei mais e mais convencido de que todos os estados acima mencionados representam apenas manifestações de um único processo mórbido."

Retomando a abordagem clássica de Kraepelin, Akiskal tem, em diversas publicações,6,10,11 enfatizado a importância do espectro da doença bipolar. Esse espectro incluiria desde as formas típicas da doença bipolar (bipolar I, com pelo menos uma fase maníaca), passando pelas depressões associadas à hipomania (bipolar II) até as depressões recorrentes, sem hipomania espontânea, mas freqüentemente associadas ao temperamento hipertímico e/ou à história de transtorno bipolar na família. Estes últimos casos são chamados de "bipolar III" ou de "pseudo unipolares" , na terminologia de Akiskal. Admite-se hoje, em geral, a existência de numerosas formas de transição entre estados depressivos e maníacos, incluindo suas formas mitigadas, que esbarram na fronteira dos chamados "temperamentos hipertímicos" e "depressivos". Por outro lado, muitos pacientes exaltados, com quadros psicóticos cíclicos, freqüentemente caracterizados por curso bifásico (alguns incluindo características psicóticas incongruentes com o humor) pertencem, na verdade, ao espectro bipolar, o que se depreende pela história familiar (bipolar) e resposta ao tratamento com estabilizadores do humor. De fato, muitos dos pacientes chamados "esquizoafetivos" concentram-se em famílias de pessoas com quadros afetivos bipolares típicos.12

O DSM IV tornou "oficial" o conceito de "transtorno bipolar II", incluindo na classificação americana os quadros de hipomania associados a episódios depressivos maiores (um ou mais episódios depressivos maiores, acompanhados pelo menos por um episódio hipomaníaco). Nas versões anteriores do DSM (DSM III e DSM III R), tais quadros – mais freqüentes que os de tipo bipolar I – eram classificados apenas como "transtorno bipolar sem outra especificação- SOE".

O temperamento dos pacientes bipolares II e III, quando avaliado fora das crises, é freqüentemente ciclotímico, isto é, caracterizado por leves depressões que se alternam com hipomanias. Nos bipolares III a mudança para a hipomania não é observada espontaneamente. Muitas vezes ocorrem fases hipomaníacas, ou maníacas, em decorrência do uso de antidepressivos ou eletroconvulsoterapia. Cumpre notar que muitos desses pacientes têm história familiar de transtorno bipolar ou temperamento pré-mórbido hipertímico. Considerando-se que muitas vezes é difícil obter história fidedigna quanto a antecedentes familiares de bipolaridade, o diagnóstico basear-se-á, muitas vezes, na presença de temperamento hipertímico ou ciclotímico, associado a depressões recorrentes, para que se inclua o paciente dentro do "soft bipolar spectrum". Observe-se que, entre os ciclotímicos, são relativamente poucos (6%) os que desenvolvem mania. A maioria desenvolverá quadros de depressão maior, aproximando-se dos bipolares de tipo II. Entre as depressões leves e crônicas, a importância do "espectro" é corroborada pelo fato de que um em três pacientes com diagnóstico de "distimia", observados prospectivamente, desenvolvem hipomania, caracteristicamente depois da farmacoterapia com antidepressivos.13 Os episódios depressivos daqueles pertencentes ao "espectro bipolar" tendem a se caracterizar por hipersonolência e hiperfagia, embora a insônia possa ocorrer, sobretudo em episódios mistos.

As flutuações do humor observadas nos bipolares II e III freqüentemente dão origem a crises na profissão, na vida familiar e no relacionamento social. Não por acaso, esses pacientes, sujeitos a períodos de exaltação do humor e liberação dos impulsos sexuais e agressivos, são erroneamente classificados como tendo transtornos da personalidade (borderline, narcísico e histriônico). Freqüentemente, o abuso e a dependência do álcool e de outras drogas ocorre como "complicação" das doenças do espectro bipolar, pela freqüência com que essas substâncias são usadas como autotratamento.



Os limites da depressão

Limites com os transtornos da personalidade

A distinção entre um transtorno psiquiátrico propriamente dito (eixo I do DSM-IV) frente aos transtornos da personalidade (eixo II) reveste-se da maior importância, por suas conseqüências práticas e teóricas. Considerada portadora de uma " doença", a pessoa passa a merecer considerações diagnósticas, tratamento, e cuidados sociais. Rotulada como portadora de um "distúrbio da personalidade", a pessoa passa muitas vezes a ser alvo do nihilismo terapêutico e vítima de preconceitos morais. Na melhor das hipóteses, passa a ser vista simplesmente como "um pessoa bizarra", acautelando-se os demais frente às suas "atuações" e "manipulações", principalmente se o diagnóstico for de um dos seguintes transtornos: " borderline", anti-social, narcísico e histriônico. Segundo Akiskal,14 cerca da metade a dois terços dos pacientes classificados como "borderline" pertenceriam ao grupo das doenças do humor (afetivas), sendo, em sua maioria, integrantes do "espectro bipolar". Muitos desses pacientes caracterizam-se por ter uma biografia assaz tumultuada, cujo traço mais estável é a instabilidade nas relações afetivas, no trabalho, e na vida em geral. Freqüentemente, essas pessoas passam da "calmaria" afetiva à "tempestade" das automutilações e das tentativas de suicídio. O abuso e a dependência de drogas freqüentemente se associam ao quadro.

Limites com outros diagnósticos

O diagnóstico dos estados depressivos deve levar em conta, antes de mais nada, se os sintomas depressivos são primários ou secundários a doenças físicas e/ou ao uso de drogas e medicamentos. O DSM IV contém o item 293.83 - Transtorno do humor devido a uma condição médica geral para descrever esses casos. O DSM IV traz também critérios para o diagnóstico de Transtorno do humor induzido por substância. A tabela 1 enumera alguns agentes farmacológicos e doenças físicas associadas ao desencadeamento de estados depressivos.

No campo da nosologia psiquiátrica, além dos transtornos da personalidade (já abordados) devem-se levar em conta, entre outros, os seguintes diagnósticos diferenciais: transtornos de ansiedade; alcoolismo e outras farmacodependências; transtornos esquizofrênicos, quadros esquizofreniformes e a chamada doença esquizo-afetiva; quadros demenciais.


José Alberto Del Porto

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Criança na Escola


Atualmente, a maioria das crianças ingressa na escola a partir dos dois ou três anos de idade – isso quando já não frequenta antes disso uma creche.

Essa idade é ideal por vários motivos: a partir dos dois anos a criança já interage com outras crianças e adultos, não está mais amamentando ao seio e a sua formação imunológica já está quase completa. Ademais, a partir dessa idade ela já tem certa autonomia em atividades básicas - como falar e andar, por exemplo -, já tem melhor controle sobre seus esfíncteres e sabe denunciar suas necessidades fisiológicas, como sede, fome, necessidade de urinar e evacuar.

No entanto, os pais que precisarem levar a criança à escola antes dessa idade não devem se preocupar: é melhor deixá-la na escola do que em casa, muitas vezes aos cuidados de pessoas despreparadas para lidar com elas.

A ida para a escola representa uma crise para a criança à qual cada uma reage de maneira específica. Ir à escola significa inicialmente passar algumas horas em um novo ambiente, longe de casa e dos pais, em meio a pessoas estranhas, com novas atividades e novas rotinas de horários e de alimentação, novos hábitos de disciplina, etc.

Cada criança reage de uma maneira a esse novo ambiente e um dos problemas que os pais têm é adaptá-la a essa nova realidade. É importante que o adulto compreenda o que a criança está sentindo e a ajude a superar essa fase.

Algumas crianças, talvez a maioria delas, não apresentam dificuldades de adaptação à escola ou ela é tão ligeira e passageira que nem chega a ser percebida. Em outros casos, esse período constitui um grande problema para pais e professores e exige medidas especiais.

A maneira como cada criança se comporta nos seus primeiros dias de ida à escola depende igualmente do padrão de convivência na família e da idade e temperamento da própria criança. Assim, é costumeiro que, se tratatando de dois irmãos, um deles apresente pouca ou nenhuma dificuldade, enquanto o outro a manifeste em grande intensidade.

As dificuldades de adaptação são mais comuns com as crianças de menor idade (2-4 anos) e mais excepcionais com crianças mais velhas. Mais comumente, acontece de a criança chorar e se agarrar à mãe ou à babá no momento de chegada à escola, não querendo permanecer no novo ambiente. Em ocasiões menos frequentes, a criança pode apresentar pouco problema ao ser deixada na escola, mas chama pela mãe no meio do horário e manifesta seu desejo de retornar para casa.

A criança também pode apresentar reações comportamentais a essa “crise”: dificuldades com o sono e com a alimentação, irritabilidade, agitação...

Com a maioria das crianças, essas reações só duram nos primeiros dias de ida à escola e muitas vezes acabam substituídas pelo seu inverso: a criança que teve dificuldades iniciais de adaptação passa a não querer ir embora ou sente falta da escola nos feriados ou nas férias. Menos comum é que a criança que já tenha cumprido um período de adaptação comece posteriormente a apresentar dificuldades de ficar na escola.

Em geral, isso se deve a problemas familiares ou a algum evento novo (alguma perda sofrida pela criança como a morte de algum parente próximo, nascimento de um novo irmão, doença apresentada pela criança, etc) que aconteceu posteriormente à adaptação da criança à escola.

É preciso lembrar também que os pais podem se sentir culpados de deixar o filho nas mãos de estranhos, sobretudo quando bebês. Essa culpa, no entanto, não difere muito daquele mesmo sentimento inevitável que eles têm por não poderem estar o tempo todo com seu filho e terem de dividi-lo com o trabalho, o estudo, o lazer e outras atividades.

Os pais devem convencer-se de que, por mais difícil que seja, um período de adaptação não traumatiza a criança e que algum tempo depois ela estará vendo a escola como uma coisa boa. Esta confiança dos pais na escola é fundamental para a boa adaptação da criança neste novo ambiente.

Todas as crianças superam essas dificuldades dos primeiros dias na escola e, logo, essas reações estarão fazendo parte de sua história. É preciso lembrar-se que muitas vezes é o egoísmo dos pais que os leva a pensar que são eles que dispensam aos filhos as atenções mais adequadas. Ademais, o tempo de ir à escola inevitavelmente chegaria, mais cedo ou mais tarde.

O mais importante é sempre dizer a verdade à criança, quanto ao que acontecerá na escola, mesmo que a mãe ou o pai julgue que ela não tenha capacidade de compreender. Não se deve criar falsas expectativas. É bom que se faça um período de adaptação da criança a esta nova realidade. A mãe ou a babá devem permanecer algum tempo no ambiente da escola em que a criança ficará para que ela possa se referenciar a uma pessoa conhecida.

É possível que a criança inicialmente fique muito “agarrada” a ela, mas vá se soltando aos poucos, atraída pelos brinquedos e brincadeiras das demais crianças, a ponto de “esquecer” sua acompanhante. Nessa fase inicial, a criança deve ser retirada da escola em menor tempo que o habitual. Se a criança apenas chora, mas não mostra grande angústia ou desespero, a mãe deve deixar a criança chorando, com a confiança de que alguns minutos depois ela estará rindo, envolvida com os demais coleguinhas.

É conveniente também poder distinguir o choro meramente manipulativo. Mesmo a criança pequena testa a todo momento os pais para ver se eles se dobram diante do seu choro ou birra, o que só tornaria os seus atos mais inadequados e a faria cada vez mais controladora. Para algumas mães, essa pode ser uma atitude emocionalmente difícil, mas por vezes é o grande apego delas que motiva um apego equivalente da criança e suas dificuldades de ficar na escola. Da mesma maneira que há certas dificuldades das crianças para se adaptarem à escola, há também dificuldades dos pais, especialmente das mães.

Cabe à escola e a seus profissionais passar segurança à criança e criar os vínculos afetivos que serão reforçados aos poucos. Para a criança, a professora representa a escola e por isso ela tem um papel fundamental na adaptação da criança a este ambiente. Pode ser que a princípio ela tenha que ter uma atenção especial com o novato. A ela cabe apresentar a escola e os coleguinhas como seguros e acolhedores, coisa em que às vezes é ajudada por outras crianças que logo tomam o papel de “cuidadoras” do novo coleguinha.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Antipsicóticos ou Neurolépticos


Os antipsicóticos ou neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, a qual pode encontrar-se aumentada em estados, por exemplo, de excitação e de agitação. Paralelamente eles atenuam também os sintomas neuro-psíquicos considerados psicóticos, tais como os delírios e as alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente nas células nervosas que regulam os processos psíquicos no ser humano e a conduta em animais.

Os neurolépticos são drogas lipossolúveis e, com isso, têm facilitada sua absorção e penetração no Sistema Nervoso Central. Os antipsicóticos têm sua primeira passagem pelo fígado, portanto, sofrem metabolização hepática. A grande maioria dos neurolépticos possui meia vida longa, entre 20 e 40 horas, e esse conhecimento é importante na medida em que permite prescrição em uma única tomada diária. Outra conseqüência desta meia vida longa é o fato de demorar aproximadamente cinco dias para se instalar estado estável da droga no organismo.

Por causa disso, o uso contínuo dos antipsicóticos resulta num acúmulo progressivo no organismo, até que o nível se estabilize depois de alguns dias. O equilíbrio ideal seria atingir uma situação onde a quantidade absorvida seja igual à excretada. Neste momento ocorre chamado de Equilíbrio Plasmático.

Mecanismo de Ação

Apesar dos neurolépticos tradicionais bloquearem ora os receptores adrenérgicos, serotoninérgicos, ora os receptores colinérgicos e histaminérgicos, todos eles têm em comum a ação farmacológica de bloquear os receptores dopaminérgicos. É em relação a estes últimos que os estudos têm demonstrado os efeitos clínicos dos neurolépticos. O bloqueio dos outros receptores, além dos dopaminérgicos, estaria relacionado mais aos efeitos colaterais da droga do que aos terapêuticos.

Atualmente, uma das hipóteses mais aceitas como sendo relacionadas na patogenia da esquizofrenia fala de uma combinação de hiperfunção da dopamina e hipofunção dos glutamatos no sistema neuronal, juntamente com um envolvimento pouco esclarecido dos receptores da serotonina (5HT2) e um balanço entre esses receptores com os receptores dopamínicos (D2).

Os receptores da dopamina mais conhecidos são o D1 e o D2 (ambos pós-sinápticos), além dos receptores localizados no corpo do neurônio dopamínico e no terminal pré-sináptico. A atividade terapêutica dos antipsicóticos parece estar relacionada, principalmente, com o bloqueio da dopamina nos receptores pós-sinápticos do tipo D2.

Os antipsicóticos tradicionais, tais como a Clorpromazina e o Haloperidol, são eficazes em mais de 80% dos pacientes com esquizofrenia, atuando predominantemente nos sintomas chamados produtivos ou positivos (alucinações e delírios) e, em grau muito menor, nos chamados sintomas negativos (apatia, embotamento e desinteresse).

Duas vias, mesolímbicas e mesocorticais, são as envolvidas nos efeitos terapêuticos dos antipsicóticos. As vias mesolímbicas e mesocorticais confundem-se anatomicamente e ambas se originam no segmento ventral do mesencéfalo. A via mesolímbica inerva diversos núcleos subcorticais do Sistema Límbico: amígdala, núcleo acumbens, tubérculo olfatório e o septo lateral. A via mesocortical tem suas terminações sinápticas localizadas no córtex frontal, na parte anterior do giro do cíngulo e no córtex temporal medial.

As primeiras suspeitas de que este era o sítio da atuação terapêutica surgiram pela observação da semelhança sintomatológica entre determinadas patologias dos lobos frontais e temporais com a esquizofrenia, além da notável importância do sistema límbico nas emoções e na memória.

A dopamina liberada próxima aos capilares da circulação porto-hipofisária chega à hipófise anterior e acaba, dentre outros efeitos, por aumentar a liberação secundária de prolactina. Mais um efeito colateral indesejável.

A hipotensão, sedação e tontura, efeitos colaterais comuns aos neurolépticos tradicionais, normalmente acontecem devido à capacidade desses medicamentos bloquearem também os receptores alfa-adrenérgicos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Alimentos que ajudam a controlar a Ansiedade



A ansiedade pode impedir o indivíduo de tomar decisões corretas e até mesmo paralisá-lo diante de alguma situação. Uma forma natural de controlar a ansiedade é com o consumo de alimentos como:

Alface: O alface é rico em lactucina e folato, que atuam no organismo como calmantes e previnem a depressão e confusões mentais.

Ovos: Os ovos são fontes de vitaminas do complexo B, acetilcolina e niacina. A carência dessas substâncias no organismo pode provocar ansiedade, depressão e apatia. 2 ovos por semana são o suficiente para manter uma vida saudável.

Maçã: A maçã é rica em fibras, carboidratos, zinco e selênio. O consumo de maçã combate a ansiedade e relaxa.

Uva: A uva, além de ser uma fruta energética, é fonte de vitaminas do complexo B, que auxiliam no funcionamento do sistema nervoso Central.

Mel: O mel ajuda o organismo a produzir a serotonina, um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e bem-estar, que regula as mudanças de humor que provocam a ansiedade.

Laranja: Fonte de Vitaminas e cálcio, a laranja é uma fruta energética que relaxa os músculos, combate o estresse e a fadiga.

Cirurgia de varizes


As varizes dos membros inferiores, comumente chamadas apenas de “varizes”, são caracterizadas por veias superficiais dilatadas e tortuosas nas pernas e coxas. Elas estão relacionadas a dores, inchaços e desconforto estético.

Ainda hoje não existe tratamento medicamentoso para as varizes. Os remédios usados aliviam os sintomas, mas não corrigem as anomalias das veias varicosas. A retirada delas é o tratamento mais adotado, embora ultimamente tenham surgido novas técnicas de tratamento, como o laser cirúrgico endovenoso e os cateteres de radiofrequência.

Na técnica a laser, uma fibra óptica é introduzida na veia e por meio dela é liberada uma carga de raios que causa uma lesão na parede do vaso, provocando a oclusão definitiva do mesmo. Na radiofrequência, um cateter é implantado no interior da veia em foco e então é liberada uma energia que danifica suas paredes, também causando oclusão permanente. Com essas técnicas, a dor pós-operatória é menor que na técnica convencional, diminuindo a necessidade do uso de analgésicos. Também o retorno ao trabalho é mais rápido que na técnica tradicional e as infecções da ferida operatória são menos frequentes.

A eficácia dos tratamentos endovasculares é idêntica à da cirurgia aberta. No entanto, os métodos convencionais já são procedimentos consagrados, com resultados muito satisfatórios e geralmente já contam com uma grande experiência dos cirurgiões. Os procedimentos mais recentes, contudo, estão se tornando cada vez mais usuais e evitam grande parte da dor e dos hematomas que são frequentemente associados ao método convencional. Esses procedimentos são minimamente invasivos e podem ser feitos com anestesia local ou regional, conforme opção do médico e do paciente.
Na técnica clássica, o cirurgião vascular começa por marcar na pele, com uma caneta especial, as veias varicosas que devem ser retiradas.

Após esta marcação, ele faz uma série de pequenos cortes na pele, regularmente espaçados, próximo às veias doentes, e as extrai com o uso de agulhas cirúrgicas próprias. Esta fase da cirurgia não ocorre apenas na técnica convencional, mas também nos métodos mais modernos para a remoção das veias menores. Em geral, tanto os resultados terapêuticos quanto os resultados estéticos da técnica clássica contam com a aprovação dos pacientes.

Se a veia safena estiver varicosa, ela também deve ser retirada, num processo mais complexo chamado safenectomia, o qual pode ser realizado por razões meramente estéticas ou em virtude de varizes que estejam comprometendo a circulação e causando estase vascular ou tromboflebites. A cirurgia para retirada da safena permite a abordagem das outras veias superficiais da virilha e reduz o risco de retorno das varizes.

A safenectomia é feita com anestesia raquidiana, com o paciente deitado em uma maca em decúbito dorsal. Depois da devida assepsia e antissepsia, é feita uma incisão da pele na prega inguinal com 3 a 5 centímetros de extensão e a dissecção de planos subjacentes, evitando lesão linfática. Outra incisão de cerca de um centímetro é feita um centímetro abaixo da região maleolar. Com o auxílio de um fleboextrator (extrator de veias), a veia safena magna é extraída no sentido crânio-podálico (de cima para baixo) e os cotos deixados livres são convenientemente suturados.

Após a cirurgia, alguns cuidados devem ser observados. Nos primeiros dias, repouso relativo e uso de meia elástica, que deve ser retirada para dormir. Pode-se manter ampla liberdade de movimentos no leito, fazendo exercícios de flexão e extensão de tornozelos e joelhos. Na primeira semana, manter os pés da cama elevados. Nos primeiros dias, pode haver um pouco de dor.

Um analgésico ou um anti-inflamatório pode ser usado. Os medicamentos habituais podem voltar a ser tomados pelas pessoas que os usam e nem mesmo precisam ser interrompidos. Para os hematomas, pode-se usar pomadas Hialuroid ou Trombofob. Exercícios moderados são liberados após 30 dias. Deve-se evitar exposição ao sol por três meses.

Com o procedimento clássico, pode-se ter algumas complicações, principalmente lesão dos nervos safeno e sural e dos vasos linfáticos que acompanham as veias safenas. A lesão do nervo safeno causa amortecimento e formigamento transitórios, mas de longa duração, na face interna da coxa e perna e a lesão do nervo sural pode levar ao amortecimento e queimação na face posterior da perna. A lesão aos vasos linfáticos pode ocasionar inchaço quase sempre reversível da perna operada.

sábado, 19 de setembro de 2015

Rosácea ou eritema facial crônico


Uma vermelhidão permanente na face pode indicar um problema crônico. Apesar de muitas pessoas considerarem uma simples irritação, o rubro pode ser sinal da rosácea, uma doença de pele crônica e inflamatória da face.

Estima-se que mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo tenha eritema (vermelhidão) facial de rosácea.

É uma doença que não tem cura, mas que pode ser controlada.

A doença se manifesta tanto em homens como em mulheres, com maior frequência entre os 30 e 50 anos.

Embora seja mais comum em peles claras, acomete pessoas com as mais diferentes tonalidades.

Muitos acreditam que a rosácea não atinge a pele negra, mas não é verdade.

O eritema também pode se manifestar em peles mais escuras.

Não se sabe ao certo quais são as causas da rosácea, mas é necessária uma predisposição genética para que ocorra.

Alimentos apimentados e bebidas podem potencializar seu aparecimento.

A prática de exercícios físicos, temperaturas extremas, cosméticos e o estresse também podem desencadear os eritemas.

Para as pessoas com predisposição genética, a mudança em alguns hábitos pode evitar o início de crises.

Alimentos apimentados devem ser cortados na dieta, é preciso evitar o estresse, alguns exercícios físicos, cigarros e bebidas alcoólicas não devem ser consumidos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Será que tudo isso é realmente necessário?


OU: "como ficar neurótico com tudo na Vida"!

Evite alimentos processados e leia os rótulos dos produtos. Frutas, verduras e grãos integrais, nozes, sementes e leguminosas oferecem muitos benefícios de proteção;

Compre ou plante frutas e verduras orgânicas tanto quanto possível: acautele-se com produtos muito perfeitos (envenenados!!);

Sempre lave bem frutas e verduras com produtos não tóxicos além de remover as folhas externas das plantas folhosas;

Evite gordura animal ou láctea tanto quanto possível para reduzir a permanência da contaminação dos POP’s (produtos organoclorados persistentes).

Adquira carne livre de hormônios. Carne de peru é uma das mais seguras;

Atente com cuidado para o pescado originário de pesca industrial, observe os avisos governamentais (nt.: Canadá), especialmente quanto ao salmão e à truta. Peixe de mar é mais seguro;

Faça dieta rica em produtos de soja, brócoli, couve, repolho, couve de Bruxelas e couve-flor;

Evite óleos prensados a quente, margarinas e produtos fritos, opte por azeite de oliva e manteiga orgânica;

Investigue suplementações vitamínicas, mineral e de amino-ácidos como os probióticos (bactéria digestiva);

Desintoxique seu fígado pelo consumo regular de substâncias originárias de plantas. Leia livros como Susun Weed para salvaguardar a remoção pelo fígado dos estrogênios do sangue.

Como “simplesmente se ignora em quais plásticos os disruptores endócrinos estão presentes bem como qual produção e destino final de alguns deles possam liberar estes poluentes, por precaução, todos os plásticos deverão ser incluídos”, adverte o WWFC.

Fazer-se pressão por produtos seguros como a retirada de plastificantes tanto das embalagens como dos filmes transparentes, para que se reduza drasticamente a migração destas substâncias para os alimentos embalados. Mamadeiras de nenês podem ser feitas com plásticos livres de bisfenol-A !;

Evite recipientes plásticos, copos de poliestireno, alimento embalado ou enlatado em envases com revestimento interno que podem conter pseudoestrogênios que migram para o alimento quando aquecidos ou ao ser estocado por longo tempo. Armazene ou coloque no microondas, os alimentos em embalagens de vidro.

Exija mamadeiras de vidro e congele alimentos em embalagens de vidro abertas (deixar dois dedos de espaço para o alimento expandir-se e após vedar).

Evite filmes transparentes de plástico (minimizando contato com o alimento) e alimentos gordurosos em plásticos selados a quente (embalagens para congelamento são melhores);

Evite plásticos feitos com PVC, identificado com o nº 3, em produtos finais como: embalagens para cuidados pessoais e produtos de limpeza domésticos; persianas ou venezianas plásticas; cortina para chuveiros; suprimentos de escritório, automóveis e construções. Uma preocupação particular está nos itens aos quais as crianças fazem contato como brinquedos, mordedores, assoalhos e mobílias de vinil. Apegue-se à madeira ou às fibras naturais.

Produtos hospitalares e de enfermagem são fontes primárias tanto para os pacientes internados como para a comunidade: quando incinerados os plásticos feitos com PVC podem gerar dioxinas e furanos. Contate com grupos de ativistas da ONG e o site da Health Care Without Harm (Cuidados com a saúde sem danos) para pressionar os hospitais a trocarem as bolsas de sangue e de soro além dos catéteres e tubos, por aqueles não contaminados com PVC’s bem como pararem com a incineração de lixos hospitalares.

Faça exercícios moderados como parte efetiva de sua vida. Exercícios resultam em menores exposições aos estrogênios naturais, protela a menarca, menos menstruações e menopausa precoce, aumentando o “bom” estrogênio e as proteínas conectadas a ele, reduzindo o risco de câncer de mama pelo desvio do estrogênio para longe das células sensíveis da mama. Procure desanuviar sua vida e durma o suficiente além da prática da meditação.

Isto também ajuda suas glândulas supra-renais.

Os produtos de cuidado pessoal estão minados de riscos. Alvejantes alcalinos (maioria dos sabonetes de supermercados) destroem o “manto ácido” da pele, o primeiro escudo de defesa contra os químicos. Evite tais produtos que contenham petroquímicos (incluindo cosméticos, protetores solar e repelentes de mosquitos).

Evite espermicida e gel para vagina que contenham nonilfenol. Troque a tintura permanente ou semipermanente de cabelo para produtos seguros com hena, de ervas ou produtos seguros. As tinturas convencionais (principalmente a negra) contêm uma vasta gama de ingredientes carcinogênicos e contaminantes tóxicos que rapidamente são absorvidos pelo couro cabeludo. Pesquisas conectaram alguns deles o câncer de mama, linfoma non-Hodgkin’s e múltiplos mielomas.

Evite agrotóxicos e todos os tipos de biocidas domésticos. Use métodos naturais para manter gramados e jardins. Se jogar golfe mantenha longe de sua boca as mãos, os tacos, as bolas e outros utensílios do jogo (a maioria dos campos de golfe é intensivamente aspergida com venenos). O Canadá suspendeu o registro de todos os agrotóxicos que continham hexaclorobenzeno, dioxinas e/ou furanos ou outros químicos tóxicos persistentes. Os herbicidas que contém o princípio ativo 2,4-D podem estar tanto com dioxinas como com HCB (nt.: BHC ou pó-de-gafanhoto entre nós) . As indústrias devem ser questionadas para contestar seu potencial de mimetizador hormonal. Usos que exponham crianças, devem ser suspensos. Nonilfenol pode estar presente nas formulações de agrotóxicos mesmo sem indicação no rótulo. Evite o uso de shampoos para humanos com lindano e piretróides tanto para o controle de piolho como da escabiose (sarna) além dos shampoos para controle de pulgas para animais domésticos (o lindano pode ter sido banido, mas está sendo levado pelos produtores de canola que o empregam em suas sementes). Para pulgas aplique azeite de oliva, depois vinagre e enxágüe.

Nonilfenóis etoxilatos metabolizam-se como o mimetizador hormonal nonilfenol no esgoto e nos mananciais hídricos. São utilizados em detergentes líquidos, produtos multi-usos, sabonetes e shampoos tanto quanto em agrotóxicos, na extração do petróleo e gases naturais, em fábricas de celulose e papel além de têxteis. Evite alvejantes “super-poderosos” – provavelmente os nonilfenóis foram utilizados. Escolha sabões e detergentes, especialmente líquidos, que o fabricante lhe assegure que não contém nonilfenóis. Utilize produtos alvejantes não-tóxicos como soda cozida, bórax e vinagre ou produtos “verdes”, abolindo produtos com cloro e fosfatados. Minimize a utilização do carro e de energia. Nonilfenóis são utilizados na perfuração, na extração e na produção do petróleo e do gás natural. Encoraje a elaboração de uma lista planetária de produtos, disponíveis para o consumidor, que contenham nonilfenóis além do nome de seus fabricantes; [22]
Questione a segurança da energia nuclear: a radiação das usinas e dos aparelhos convencionais de mamografia pode gerar danos ao DNA e afetar os hormônios. Promova a eficiência energética e a produção segura de energia. Pressione pela termografia e por diagnósticos seguros além da prática do auto-exame das mamas;

Campos eletromagnéticos podem causar disfunções tanto nos sistemas elétricos normais do organismo como no sistema imunológico. Escolha utensílios com baixos campos eletromagnéticos e utilize-os a uma distância segura – pelo menos setenta centímetros para pequenas unidades e mais para microondas. Telefones celulares e torres de transmissão podem emitir níveis perigosos de microondas. Campos eletromagnéticos assim como a luz à noite, inibem a melatonina;

Evite pintura em spray e aerossol. Escolha tintas livre de chumbo. Lave com freqüência as mãos, os assoalhos e os peitorais das janelas;

Trate baterias e pilhas velhas como resíduos perigosos. Evite obturações dentais com amálgama de mercúrio. Solicite para novas obturações ou trocas, a porcelana, o ouro ou composta;

Evite o mais possível todas as formas de cloro. Promova o ozônio para substituir o cloro no tratamento de piscinas. Escolha produtos de papel branqueados sem cloro por este gerar dioxinas e furanos, dois dos mais perigosos POP’s;
Não reutilize velhos postes e dormentes de estradas-de-ferro para jardins ou construções já que a maioria dos postes e alguns dos dormentes foi tratada com pentaclorofenol que libera dioxinas, furanos e hexaclorobenzeno;

Insista num local de trabalho seguro;

Envolva-se até as raízes no trabalho conjunto de grupos como o Women’s Network on Health and the Environment/Rede de Mulheres – Saúde e Ambiente;
Consulte os websites e as publicações do World Wildlife Fund (www.wwfcananda.org) e o Center for Bioenvironmental Research at Tulane and Xavier Universities (http://e.hormone.tulane.edu/), que também localiza informações e pesquisas internacionais.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Estrógenos naturais


REVERTENDO A DOMINAÇÃO ESTROGÊNICA.

O Dr. John Lee (acima) acha que muitas mulheres estão sofrendo os efeitos em função do excesso de estrogênios ou “dominação estrogênica”. Ele observa que o stress, deficiências nutricionais, xenoestrogênios e estrogênios sintéticos causam um desbalanceamento entre estrogênio e progesterona. Esta dominância estrogênica significa que o estrogênio começou a sombrear os outros atores, criando uma dissonância bioquímica. Obviamente, uma solução fundamental é reduzir o excesso de estrogênio nas fontes se elas forem drogas sintéticas ou xenoestrogênios. Alimentar-se para obter equilíbrio hormonal é outra alternativa, discutida abaixo. Entretanto, o Dr. Lee está também disposto a auxiliar mulheres a equilibrarem os efeitos da dominação estrogênica através do uso de um creme dermal de progesterona natural que pode corrigir este problema: a deficiência de progesterona. Auxilia a aliviar sintomas típicos da menopausa como calorões e secura vaginal. A progesterona natural, um derivado do colesterol, é feito de inhames selvagens mexicanos ou da soja cujos ingredientes ativos têm a mesma estrutura molecular que a progesterona própria do organismo humano (nt.: nos últimos anos, o Dr.Lee constatou que a soja não apresenta as mesmas características do que o inhame, não seria bio-idêntica e sim mimetizadora natural. Assim reavalia suas recomendações. Ver sites do Dr. John Lee na internet). Desconhece-se efeitos colaterais, são não-patenteáveis e baratas. (Utilizar o creme sob supervisão de um fornecedor habilitado em saúde. Questione a firma para estar segura de que o produto contém progesterona, algumas marcas não a contêm).

É interessante observar-se de que na América do Sul e Ásia onde as mulheres comem estes inhames selvagens ou soja, a expressão “calorões” não existe em suas línguas locais enquanto a metade de todas as mulheres da América do Norte (tipo ocidentais), na fase da menopausa, sofre deste problema. As mulheres japonesas têm a metade de fraturas ósseas por causa da osteoporose em relação às norte-americanas (também comem menos proteína e fazem mais trabalhos físicos com esforço). Estudos preliminares sugerem que a soja pode auxiliar na retenção da massa óssea. Dr. Lee acredita que o uso da progesterona natural em conjunção com mudanças na dieta e no estilo de vida podem não só estancar a osteoporose mas revertê-la em mulheres com setenta anos ou mais.

Comer de forma correta pode realmente ser um dos nossos melhores escudos de defesa.


ALTERNATIVAS SADIAS - FITOESTROGÊNIOS.

Plantas estrogênicas, chamadas de fitoestrôgenas, possuem compostos naturais que são encontrados em centenas de plantas alimentícias incluindo perenes e anuais que podem atuar como estrogênios naturais no organismo com o auxílio da flora bacteriana intestinal, de enzimas, vitaminas e minerais. Em torno de vinte fitoestrôgenos foram identificados em plantas como o trigo, a aveia, centeio, cevada, arroz e soja; maçã, cereja, ameixa e romã; batata, cenoura, ervilha, feijão; salsinha, sálvia, alho e café. Efeitos variam enormemente dependendo da idade, do sexo e outros fatores. Fetos e bebês podem ser bastante sensíveis, negativamente, ao excesso de plantas estrogênicas. Os adultos podem auxiliar a redução nos riscos de saúde quanto aos xenoestrogênios e aos sintéticos, diminuindo o período, no ciclo de vida, a exposição ao estrogênio. Os fitoestrogênios competem com os outros para se conectarem aos receptores estrogênicos bem como influenciam, positivamente, no metabolismo estrogênico. Como os hormônios naturais, os fitoestrogênios são facilmente metabolizados por nossos organismos e atravessam nossos sistemas orgânicos, em um curto espaço de tempo.

Uma dieta normal utilizando fitoestrogênios parece constituir-se numa proteção, em humanos, contra canceres de mama e do sistema reprodutivo além de poderem ser empregados como tratamento para a menopausa e a osteoporose. Atuam como estrogênios fracos e parecem produzir nas mulheres tanto os efeitos estrogênicos na fase pós-menopausa e como os de antiestrogênio na fase pré-menopausa. Fitoestrogênios têm então habilidade para atuarem como “equilibradores”, elevando e baixando os níveis de estrogênio e trocar um estrogênio forte por um fraco. Efeitos sobre o desenvolvimento do pré-natal ou do neonato estão pouco claros, sugerindo precaução quanto a fórmulas infantis feitas de soja, bem como a certos suplementos nutricionais, ervas e mesmo a alguns tipos de alimentos durante a gravidez.

As isoflavonas da soja são uma das fontes de fitoestrogênios melhor estudadas. Uma de suas formas, a “genistein”, demonstrou ter atividade citostática contra uma série de células de câncer de mama humanas in vitro e suprimiram, em recentes pesquisas, tumores mamários em ratas. Produtos feitos de soja presentes na dieta alimentar, na Ásia, podem ser a razão para as baixas incidências de câncer de mama. Uma pesquisa feita em 1992 demonstra que mulheres japonesas, com uma dieta rica em baixas calorias e soja, tinham mil vezes mais fitoestrogênios em sua urina do que mulheres norte-americanas e finlandesas. A soja também contém proteínas de alta qualidade, é fonte de ácidos graxos ômega-3, cálcio e anti-oxidantes para proteger as células dos danos causados pelos radicais livres, altamente cancerígenos. Os peptídeos da soja podem estimular o sistema imunológico, auxiliando o organismo a lutar contra enfermidades. Numerosas pesquisas revelam que a população que se alimenta com produtos de soja tem menores riscos de desenvolver câncer de mama, pulmão, cólon e próstata, do que aquela que não os utiliza. Outras já atestam as propriedades que a soja tem de diminuir o colesterol, principalmente naquelas pessoas com altos níveis. A proteína da soja vai mais facilmente para os rins do que a proteína animal além de prevenir ou diminuir danos aos rins em pessoas com função renal desequilibrada. Esteja segura de adquirir somente soja produzida organicamente em vez de outras, transgênicas ou pulverizadas com agrotóxicos. Atenção, observe que o shoyu, a proteína de soja, o tofú, a carne de soja e o óleo poderão não ser boas fontes, em razão de como foram processados.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Estrógenos sintéticos


ESTROGÊNIOS SINTÉTICOS.

Os estrogênios sintéticos, encontrados em produtos farmacêuticos, “tiveram suas estruturas moleculares alteradas somente para poderem ser patenteados. Eles têm a tendência de ser mais potentes do que os estrogênios do próprio corpo e mais tóxicos”. [12]


A PÍLULA.

Hoje, são milhões de mulheres que tomam anticoncepcionais hormonais (de forma oral, implantada ou injetada). São produzidos com diferentes quantidades e potências de estrogênios sintéticos, progestinas ou ambos, os quais o organismo não metaboliza com facilidade. Trabalham primeiramente mantendo altos níveis de estrogênios no organismo para prevenir a ovulação. Suprimindo com estes sintéticos a presença de hormônios naturais, literalmente estanca a menstruação. O sangramento ocorre, a cada mês, só porque os hormônios sintéticos não são ingeridos por sete dias do ciclo, podendo ser melhor denominado de um “sangramento fugidio”, não menstruação. Não há provas científicas assegurando de que a pílula é segura. De acordo com Nancy Beckham em seu trabalho Menopausa – uma passagem positiva utilizando terapias naturais: “As mulheres que ingerem a pílula têm uma grande tendência a disfunções no fígado e mais alergias. Os níveis de vitamina A podem crescer no sangue, e as vitaminas B12 e C ..... caírem.”

Embora os ensaios iniciais fossem imperfeitos, a primeira geração das pílulas foi amplamente comercializada como um método efetivo, seguro e conveniente de controle da natalidade. Um impacto ao qual, já nos primórdios, pesquisadores como a Dra. Ellen Grant, autora do livro A pílula amarga e a química sexual, avaliou de que os hormônios sintéticos deveriam ter sido retirados do mercado em razão de seus conhecidos efeitos colaterais. De acordo com o Dr. Samuel Epstein do Programa de Prevenção ao Câncer de Mama, dezenas de estudos confirmam efeitos colaterais como o risco de ataques cardíacos, derrames cerebrais, diabetes, doenças da vesícula biliar, câncer de fígado e expondo os tecidos mamários a excessos de estrogênios, eleva dez vezes o risco de câncer de mama, especialmente pelo uso precoce ou prolongado. [8]

Foram propostas alterações, desde o início dos anos sessenta, para se fazer uma segunda geração de pílulas – etinil estradiol – mais segura. Mas, na verdade conecta-se aos receptores estrogênicos naturais na mama, sendo quarenta vezes mais potente do que o estradiol. A pílula combinada também aumenta o risco de doenças da artéria coronária, do câncer de mama e pressão alta. Os efeitos colaterais incluem náusea, vômito, dores de cabeça, flacidez das mamas, aumento de peso, mudanças na libido, depressão, coagulação sangüínea e o aumento de incidência de vaginites. Também mulheres que apresentam quadros de epilepsia, asma, enxaqueca ou doenças cardíacas podem constatar pioras em seus sintomas. Muitos destes efeitos podem persistir muito tempo mesmo após o uso descontínuo da pílula. Além disso, fumar enquanto toma-se a pílula, acentua estes riscos. A terceira geração, implante de pílulas somente com progestinas, também é problemática. São centenas de processos contra o fabricante Norplant já que várias pesquisas demonstram que o produto injetável Depo-Provera, com progestina, aumenta os riscos de câncer de mama. [8]


A TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL – TRH (ESTROGÊNICA).

Talvez nada cause mais confusão entre as mulheres do que a terapia de reposição hormonal, a maior promoção de drogas hormonais depois da pílula. As mulheres na fase da menopausa tornaram-se outro lucrativo mercado para os hormônios sintéticos, agora disponíveis em emplastos e implantes. Um dos mais populares é o Premarin, feito da urina de éguas prenhes.

Proclamado como um ingrediente primário ausente para as mulheres na menopausa, o estrogênio é também fortemente recomendado pela medicina moderna para a prevenção de doenças cardiovasculares e osteoporose. A maioria dos médicos, hoje em dia, adverte as mulheres para os riscos da passagem pela menopausa e para o tempo, os dias da pós-menopausa, sem a proteção do estrogênio. Outras opiniões não podem ser oferecidas. Em razão da TRH (terapia de reposição hormonal) ser oferecida em doses menores do que a pílula, os efeitos colaterais são normalmente muito mais subtis e mais lentos para serem detectados.

As mulheres precisam pensar com muito mais cuidado a respeito de sua decisão quanto à TRH. Mesmo que a maioria dos médicos esteja, sinceramente, preocupada com suas pacientes, muita de sua formação profissional e das informações sobre os produtos, têm diretamente como fonte as indústrias farmacêuticas. Já que a maioria das mulheres não tem uma perfeita consciência a respeito de suas opções, as decisões sobre a menopausa podem ficar bem mais difíceis. No seu livro O que o seu médico não pode lhe contar a respeito da menopausa, o Dr. John Lee compilou uma lista de efeitos colaterais que podem resultar da opção pela reposição hormonal. Incluem: aumento do risco de câncer endometrial, aumento da gordura corporal, retenção de sal e líquidos, depressão e dores de cabeça, descontrole da presença de açúcar no sangue (hipoglicemia), perda de zinco e retenção de cobre, redução dos níveis de oxigênio em todas as células, adensamento da bile e promoção de doenças da vesícula biliar, aumento das probabilidades de fibrocistos mamários e fibróides uterinos, interferência na atividade da glândula tireóide, diminuição da libido, excessiva coagulação sangüínea, redução do tono vascular, endrometriose, cãibras uterinas, infertilidade e limitação da função osteoclástica (necessária para a saúde e a reconstituição óssea). De acordo com o Dr. Epstein, a reposição hormonal também promove os cânceres de mama, de fígado e de ovários, ganho de peso e outros sintomas. Ele recomenda soluções não hormonais: se empregada a TRH, tomar baixas doses somente por pouco tempo evitando o fumo e as bebidas alcoólicas. [12]

O intenso efeito formador de estrogênio pelo álcool pode ser desastroso, especialmente para mulheres com a TRH. Vários estudos demonstram que o álcool aumenta o risco de câncer de mama. Mesmo meia taça de vinho pode dobrar o estrogênio no sangue da mulher em TRH e, surpreendentemente, aumentando o risco de câncer de mama. [8]

OUTRAS DROGAS.

Outras drogas podem também ser hormonalmente ativas: Tamoxifen, por exemplo, e seu correlato Raloxifene, que são fármacos hormonais sintéticos indicados para a prevenção de câncer de mama, mas ensaios demonstraram sérios riscos de ambos efeitos, estrogênico e antiestrogênico. Vários anti-hipertensivos, drogas para diminuição de colesterol, antibióticos, antiácidos, drogas psicoterapêuticas, drogas para o câncer e a maconha podem também ser preocupantes. [8]


XENOESTROGÊNIOS (Pseudoestrogênios).

A expressão “xenoestrogênios” é aplicada livremente a uma série de substâncias químicas tóxicas produzidas pelo homem que confundem os receptores celulares dos estrogênios no organismo, interferindo nas mensagens bioquímicas naturais. Podem ser compostos tipo estrogênios ou terem a habilidade de mimetizar ou bloquear a atividade dos hormônios naturais. Podem também alterar a forma como os hormônios e seus receptores protéicos são elaborados, metabolizados e em sua atuação. Pesquisas profundas revelam uma situação alarmante gerada pela dispersão planetária destes mimetizadores hormonais.

Em razão de se degradarem tão lentamente, espalharam-se por todo o planeta tanto pelo ar como pelas águas, passando integrar os tecidos vivos. Atualmente contaminam todos os ecossistemas e os organismos vivos. Continuarão assim por décadas e décadas. Dificilmente excretadas, são lipossolúveis, acumulando-se nos tecidos gordurosos, no cérebro, no aparelho reprodutor e outros órgãos. Grandes volumes destas substâncias biomagnificam na cadeia alimentar com as piores concentrações no seu topo, onde estão os seres que se alimentam de animais como os humanos e outros mamíferos, além de pássaros e répteis. Numa espécie de gaivota da região dos Grandes Lagos, entre EUA e Canadá, por exemplo, a família dos xenoestrogênios PCB’s encontra-se em concentrações, com sérios resultados, vinte cinco milhões de vezes acima daquelas encontradas nos sedimentos. [3]

Alterando as funções principais dos estrogênios e androgênios, podem desencadear uma torrente de excepcionalidades na saúde da reprodução e do desenvolvimento, evidenciadas por pesquisas feitas com cobaias de laboratório, em culturas de células, na vida selvagem e com os humanos. Theo Colborn e os outros autores do livro O Futuro Roubado, identificaram 51 famílias de produtos sintéticos que geram distúrbios no sistema endócrino, ou hormonal, incluindo 209 PCB’s, 75 dioxinas e 135 furanos. Estão conectados não só com a descoberta da queda de 50% no número de espermatozóides humanos, globalmente, entre os anos de 1938 e 1990, mas também às alterações no comportamento sexual, à depressão imunológica, a deformidades genitais, a canceres de mama, ovários, útero, de próstata e testicular além de desordens neurológicas. A doença fibrocística da mama, a síndrome policística ovariana, endometriose, fibróides uterinos e doenças inflamatórias pélvicas também estão sob suspeita. Estes problemas podem ser influenciados pelas exposições, crônicas ou de desenvolvimento, através do ciclo da vida.

As conseqüências potenciais desta superexposição pipocarão especialmente sobre as futuras gerações. Os embriões e os fetos cujos crescimento e desenvolvimento são altamente controlados pelo sistema endócrino, recebem os contaminantes na fase pré-natal ainda no ovo (anfíbios, répteis e pássaros) ou no útero (mamíferos). Mesmo que adultos expostos não apresentem nenhum efeito deletério, seus descendentes poderão apresentar, em toda sua vida, anormalidades reprodutivas ou em sua saúde. Além do que foi citado acima, efeitos incluem masculinização das fêmeas e feminização dos machos (redução no tamanho do pênis e dos testículos) além da retenção dos testículos e da alteração na densidade e na estrutura dos ossos. A exposição de recém nascidos, como os nenês lactentes, concentra-se além dos limites do corpo.

Os xenoestrogênios são na maioria das vezes gerados pela indústria petroquímica e, desafortunadamente para nossa saúde, os produtos petroquímicos estão, hoje em dia, por todos os lugares deste planeta. Máquinas, carros e mesmo algumas usinas termoeléctricas, movem-se com petroquímicos como a gasolina, o diesel, o gás natural e similares. Muitos dos mimetizadores hormonais são organoclorados produzidos pela reação do gás cloro com hidrocarbonetos do petróleo. São utilizados em plásticos, agrotóxicos, solventes, agentes de branqueamento (para roupas e outras), refrigeração e em outros produtos químicos. Milhares são subprodutos do tratamento de água, do branqueamento do papel e da incineração de produtos clorados. Milhões de produtos, incluindo vários plásticos (polivinil cloreto/PVC e policarbonatos/PC, ambos encontrados em mamadeiras para nenês, brinquedos infantis, filmes transparentes para embalar alimentos e garrafas de água mineral), PCB’s (nt.: policloretos bifenilos ou “ascarel”), medicamentos, roupas, alimentos, alvejantes domésticos, desodorizantes de ar, produtos de higiene pessoal (cosméticos, perfumes, antiperspirantes, sabonetes, pastas dentifrícias e higienizadores bucais), agrotóxicos e herbicidas (como DDT, dieldrin, aldrin, hepacloro, etc.) também contém ou são feitos dos petroquímicos. Muitos de nós trabalhamos ou vivemos em áreas altamente contaminadas onde os efeitos sinérgicos podem apresentar doses “seguras” (aceitáveis) de diferentes substâncias químicas, medicamentos, radiações, freqüências eletromagnéticas e outras, e que são milhares de vezes mais tóxicas quando estão juntas.

Dezesseis substâncias sintéticas persistentes (conhecidas de “POP’s”- poluentes orgânicos persistentes) foram identificadas para ação prioritária da ONU. Embora o Canadá tenha banido muitos deles décadas atrás (DDT, PCB’s e outros conhecidos por causarem teratogênese - lesões em fetos -, colapso na reprodução e a quase extinção de ampla variedade de espécies), continuam a ser manufaturados e empregados em todo o planeta. Pelo menos seis – PCB’s, dioxinas, furanos, hexaclorobenzeno (HCB), lindano e cadeias curtas de parafinas cloradas – são ainda geradas, produzidas e utilizadas no Canadá. A água potável pode estar contaminada por outro composto comprovadamente estrogênicos o nonilfenol (nt.: em inglês: nonylphenol, sigla: NP) e o endosulfan que continuam sendo utilizados em plásticos e agrotóxicos, além de estarem presentes na composição também de detergentes líquidos domésticos e de lavanderias, alvejantes multi-uso, sabonetes e shampoos. Compostos mimetizadores de hormônios como os ftalatos são utilizados como plastificantes no PVC, em tinta para escrever/imprimir, para pintar e em colas. O lixo plástico pode ser a fonte mais importante da presença do bisfenol-A – estabilizante tóxico empregado no PVC – nos efluentes líquidos lixiviados pelos aterros de lixo. E será mais terrível ainda se este lixo for incinerado.

As cinzas voláteis originárias das indústrias, dos incineradores de lixos domésticos ou resíduos perigosos, têm altas quantidades de mimetizadores hormonais e cancerígenos como a dioxina (uma das mais violentas) além de chumbo, mercúrio e cádmio, estes também mimetizadores estrogênicos. Estas cinzas depositam-se sobre as plantas que comemos além de contaminar os animais domésticos e os peixes, concentrando substâncias tóxicas no ser humano. A poeira doméstica, velhas tintas e a água parada em tonéis são outras fontes comuns de chumbo. Tal qual como com os petroquímicos, a queima de combustíveis fósseis libera mercúrio e cádmio. Mercúrio pode também ser um sério perigo em obturações de dentes. Dois por cento da população de cidades, acima de um milhão de habitantes, têm níveis dez vezes maiores de mercúrio no sangue, no limiar de gerarem efeitos neurológicos.

Nossa alimentação é um dos caminhos mais inconscientes quanto à contaminação por mimetizadores hormonais. O alimento processado, na maioria das vezes com excesso de açucares e gorduras hidrogenadas, enfraquece o sistema imunológico e atinge, hoje, 80% de nosso suprimento alimentar. Embalagens, conservantes, colorantes e flavorizantes artificiais, podem ser todos perigosos. Por exemplo, "Red Dye” nº. 3, um poderoso cancerígeno, é amplamente empregado em todo o mundo. Envases plásticos, copos de poliestireno (PS), filmes para embalar alimentos ou revestimento plástico interno de latas, podem conter PVC’s, alquifenóis, nonilfenóis, bisfenol-A e ftalatos. Todos são conhecidos estrogênios sintéticos (xenoestrogênios) que migram para o alimento quando aquecido ou guardado por longos períodos. Um destes ftalatos, sigla DEHP ou DOP, é encontrado em alguns filmes transparentes para embalar alimentos. Estudos feitos pela indústria e pelo governo dos EUA conectaram o DEHP e efeitos sobre o desenvolvimento em animais. Em alguns filmes plásticos que embalam queijos nos EUA foram encontrados níveis que excedem o limite governamental num fator de 300.000 vezes. O DEHP pode também estar contaminando outros alimentos embalados com filmes transparentes, especialmente aqueles com altos teores de gordura como carnes. O plastificante, enrijecedor plástico, bisfenol-A, encontrado no policarbonato de mamadeiras infantis, foi identificado em um relatório do governo dos EUA de 1997, como um disruptor endócrino químico que se libera, incontestavelmente, da resina policarbonato para o líquido quando aquecido (pesquisas minuciosas e replicadas encontraram efeitos biológicos mesmo em níveis extremamente baixos). Um trabalho feito em 1999 pela Consumer’s Union/União dos Consumidores difundiu esta descoberta da FDA/Food and Drugs Administration–Administração de Fármacos e Alimentos dos EUA, conclamando de que os pais deveriam procurar mamadeiras feitas com quaisquer outros materiais que não a resina de policarbonato. Ao mesmo tempo, doze grupos peticionaram para que a FDA e as indústrias de plástico eliminassem ou reduzissem drasticamente a exposição de crianças a esta resina. [8]

Também a produção agrícola apresenta riscos. Numa média de 25% (talvez mais) de toda a produção regular, no Canadá, plantada e importada, constata-se resíduos de agrotóxicos, declara o relatório de 1999 do novo Comissário Canadense do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Muitos são ou contém mimetizadores hormonais. O World Wildlife Fund Canada (WWFC) questionou o Ministro da Saúde canadense, Allan Rock, para agir em relação aos doze agrotóxicos considerados mimetizadores hormonais. A maioria está registrada para culturas alimentícias e alguns para uso interno em residências, escolas e creches. Numerosas áreas, no Canadá, estão severamente contaminadas pelos produtos agrícolas, pelos empregados em campos de golfe e pelos de uso corrente em cosméticos.

Alimentos de origem animal são a maior fonte de substâncias hormonalmente ativas em nossos alimentos e nos lençóis freáticos. A gordura animal e de laticínios tem alta concentração – carne bovina e produtos lácteos são os piores com altos resíduos de DDT e de outros agrotóxicos organoclorados além de antibióticos, drogas veterinárias e hormônios sexuais de estímulo de crescimento. Hormônios implantados na orelha de praticamente todos os animais de corte são totalmente sem regulamentação. Resíduos 300 vezes acima dos limites legais, comumente encontrados em carne, vem via de regra destes implantes, aplicados ilegalmente no músculo do animal para resultados mais rápidos. O hormônio de crescimento “rBGH” em gado leiteiro produz altas quantidades do “fator de crescimento tipo insulina” que encoraja a divisão celular e a virulência do câncer de mama. No entanto não consta nos rótulos dos produtos dos EUA contaminados com este hormônio. [8] (Rotular está fora da regulamentação por um acordo com a Monsanto, produtora do “rBGH”. Por ação de cidadãos, este produto foi, temporariamente, banido no Canadá). Os agrotóxicos acumulam-se na gordura animal. Por exemplo: cada quinze libras (nt.: cada libra representa 453,9 g.) de grãos produz uma libra de carne, concentrando assim a contaminação por agrotóxicos. Nitratos presentes em presunto e bacon transformam-se em potentes cancerígenos pela formação de nitrosaminas no corpo. Peixes originários da pesca industrial estão contaminados com uma vasta gama de pseudo-estrogênios. Por exemplo, todos os salmões dos Grandes Lagos, entre Canadá e EUA, apresentam, nos últimos anos, dilatações em suas glândulas tiróides. [6]

Tomando isto como um degrau à frente, os hormônios sintéticos também entram nos lençóis hídricos através da urina das mulheres e daí na cadeia alimentar. Isto também elevou nossos níveis de exposição aos estrogênios ambientais.