Topiramato para enxaquecas?


O topiramato é uma medicação que apresenta forte efeito também sobre a capacidade de concentração, devendo, por isso, ser elevado gradualmente para que o prejuízo nessa área seja o mínimo possível.

Quando necessário a elevação da dose pode levar três meses ou mais para atingir a dose adequada, pois, algumas vezes, pode ser necessário uma elevação lenta, dependendo de cada paciente.

Recomenda-se o intervalo de uma semana para acrescentar 50mg da medicação, ou 25mg.

A dose máxima recomendada é de 1.600mg por dia.

Como ele tem um tempo de ação longo pode ser administrado uma vez ao dia, ou distribuído ao longo do dia para diminuir os efeitos colaterais.

O mecanismo de ação do topiramato não está completamente esclarecido, mas observa-se uma atuação sobre o GABA elevando sua atividade e bloqueando a ação do glutamato.

Por ser uma medicação nova não houve ainda tempo suficiente para se estudar todas as aplicações dessa medicação, mas a eficácia para a epilepsia e para a mania já está bem definida.

Uma área promissora para essa medicação talvez venha a ser para o tratamento do do estresse pós-traumático que permanece com resultados parciais ou demorados no tratamento.

Infelizmente, o topiramato (Topamax, Amato e Toptil) não é, e provavelmente não será, a resposta que a maioria dos sofredores de enxaqueca anseia.

Ele pode ser, e é, um recurso útil apenas e tão somente para uma pequena minoria deles.

É bom esclarecermos que o topiramato é um remédio que foi originalmente descoberto, patenteado e registrado como sendo para epilepsia, não para enxaqueca.

Pesquisas posteriores acabaram revelando que esta droga possuía a capacidade de diminuir a frequência das crises de enxaqueca em uma certa porcentagem de seus usuários.

Mais uma vez, a enxaqueca "pega carona" em alguma droga de outra especialidade.

A mesma história que ocorreu com antidepressivos, remédios para pressão, coração, circulação, antialérgicos etc, está ocorrendo com alguns remédios para epilepsia, dentre os quais o topiramato.

Ocorre que para a indústria desenvolver e estudar remédios preventivos específicos apenas para enxaqueca, os custos seriam muito altos em comparação com os benefícios.

Digamos assim: desenvolver um remédio preventivo para enxaqueca não é um negócio "rentável"...

A consequência é que os pacientes e seus médicos, simplesmente, acabam tendo de se virar com o que tem por aí.

O fato de um remédio para epilepxia funcionar também na enxaqueca, indica que esta droga "atira para todos os lados".

Acerta o alvo da epilepsia e, em alguns casos, o alvo da enxaqueca.

O problema de se "atirar para todos os lados" é que pode-se acabar por atingir, também, alvos totalmente inocentes. E aí aparecem os efeitos colaterais.

Aliás, esses efeitos colaterais são: pode aumentar significativamente as chances de desenvolver pedras nos rins; pode interferir com a função mental, provocando lentidão psicomotora, dificuldade de concentração, nervosismo, agressividade, anorexia, formigamentos, depressão, fala "arrastada", dificuldade de se lembrar das palavras, distúrbios da atenção, sonolência e fadiga; e interfere negativamente no efeito da pílula anticoncepcional.

Se a administração de topiramato for interrompida bruscamente, podem ocorrer convulsões mesmo em quem nunca sofreu de epilepsia na vida.

Portanto, essa droga deve ser descontinuada lentamente, especialmente quando as doses receitadas forem altas.

Em resumo: não é bem assim que as coisas funcionam com o topiramato...

Eu prefiro a ACUPUNTURA para o tratamento da enxaqueca!

Já vi resultados fantásticos em pacientes que tratei com as agulhinhas!



com informações do Dr. Alexandre Feldman
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