Síndrome de Asperger


A síndrome de Asperger é uma perturbação genética do desenvolvimento caracterizada por alterações na interação social, na comunicação e no comportamento.

É um transtorno semelhante ao autismo, mas se diferencia do autismo clássico porque a pessoa afetada fala compreensivelmente, o que não ocorre nessa última condição.

O que hoje se chama de síndrome de Asperger era chamada antigamente de psicopatia autista e de transtorno esquizoide da infância, termos hoje considerados arcaicos e imprecisos.

Alguns autores não chegam a diferenciá-la do autismo e o DSM-IV da Associação Psiquiátrica Americana a classifica dentro do que chama espectro autista.

O nome da síndrome é uma homenagem ao psiquiatra e pediatra austríaco Hans Asperger, o primeiro a reconhecê-la como independente do autismo.

A síndrome de Asperger é uma disfunção particular do funcionamento cerebral que afeta o sexo masculino em maior número que o feminino.

Fatores genéticos parecem estar envolvidos em suas causas, pois o transtorno tende a existir em mais de um membro de uma mesma família, embora não tenha sido identificado nenhum gene específico para a condição.

O indivíduo com a síndrome de Asperger é tido como inteligente e ambicioso, embora tímido, calado, severo e muito racional, avaliando todas as situações exclusivamente com a razão.

Os portadores da síndrome apresentam dificuldades de interação social e em processar e expressar emoções.

Eles fazem uma interpretação muito literal da linguagem, têm dificuldades com mudanças da rotina, com pessoas desconhecidas e comportamentos estereotipados.

Entre os principais sinais e sintomas da síndrome de Asperger contam-se ainda interesses muito limitados, linguagem peculiar, perturbações da comunicação não verbal e falta de coordenação motora.

No entanto, tudo isso pode se conciliar com o desenvolvimento cognitivo normal ou alto.

Muitas vezes essa condição nem chega a ser tida como patológica e a pessoa com síndrome de Asperger pode inclusive apresentar talentos específicos.

A criança pode desenvolver focos intensos e obsessivos de interesses, muitos deles semelhantes aos das crianças normais, mas com uma intensidade incomum.

Algumas vezes esses interesses tornam-se vitalícios, mas em outras vão mudando a intervalos imprevisíveis.

Em relação a eles o indivíduo manifesta argumentação extremamente sofisticada e uma memória impressionantemente boa, a ponto de Asperger chamar seus jovens pacientes de "pequenos professores".

Essas pessoas podem, então, iniciar um monólogo sobre o assunto de seu interesse especial sem se aperceber que o seu interlocutor perdeu o interesse nele.

É importante fazer-se um diagnóstico precoce e proporcionar aos portadores os recursos que lhes permitam atingir o melhor de seu potencial.

Como não se detecta nenhuma alteração orgânica ou marcador biológico, o diagnóstico tem de basear-se num conjunto de peculiaridades de comportamentos.

O DSM-IV a define por seis características:

1.Prejuízo severo da interação social.
2.Desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades.
3.Alto poder de memorização e velocidade de raciocínio relacionado às atividades repetitivas.
4.Prejuízo nas áreas social, ocupacional ou outras.
5.Nenhum atraso significativo no desenvolvimento da linguagem.
6.Nenhum atraso significativo no desenvolvimento cognitivo.

O tratamento deve ser multiprofissional, envolvendo médicos, psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos e feito durante longo prazo com vistas a proporcionar ao paciente a utilização do maior nível possível de suas potencialidades.

Medicamentos são utilizados apenas se necessário, para tratar sintomas como ansiedade, depressão e irritabilidade.

É importante buscar uma boa interação entre a escola, a família e o profissional que acompanha o paciente no sentido de desenvolver a reciprocidade social do indivíduo, diversificar seus focos de interesse, estimular o hábito de “falar olhando”, estimular a criança a reconhecer e compartilhar emoções, dialogar sempre, não criticar o interesse restrito da criança, mas apresentar outras opções, etc.

Desde que diagnosticados e tratados precocemente, os portadores da síndrome de Asperger podem se tornar pessoas inteiramente integradas na sociedade e ter um bom desempenho profissional, entretanto sempre enfrentarão algumas dificuldades próprias de sua condição.

Os portadores da síndrome de Asperger que chegam à vida adulta sem diagnóstico ou tratamentos adequados podem enfrentar sérias dificuldades de relacionamento na vida pessoal, escolar e profissional.
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