Miíase


Miíase é a infestação de larvas de moscas na pele ou em outros tecidos orgânicos de animais, inclusive humanos, nos quais elas crescem e se desenvolvem.

A miíase pode ser primária ou secundária.

Na miíase primária os ovos das moscas são depositados sobre a pele sadia e eclodem em larvas que posteriormente invadem os tecidos subjacentes.

As larvas da miíase primária são conhecidas sob a denominação de berne e geralmente são únicas.

Na miíase secundária a mosca põe seus ovos em feridas abertas na pele, com secreção, e as larvas se alimentam do tecido necrosado existente.

As larvas da miíase secundária, também conhecidas como bicheira, em geral são várias, até centenas.

A mosca que geralmente dá origem à miíase primária, a Dermatobia hominis, é popularmente conhecida como mosca varejeira ou mosca berneira e possui uma coloração esverdeada metálica.

A mosca cuja larva causa a miíase secundária é da espécie Cochliomyia hominivorax.

Na miíase primária, após a penetração das larvas na pele começa a se formar uma ou mais lesões de aspecto nodular, avermelhado, com um orifício central, por onde é eliminada secreção aquosa levemente amarelada ou sanguinolenta.

Estas lesões podem atingir qualquer parte da pele e normalmente provocam dor em fisgada (“ferroadas”) e coceira. De tempos em tempos, a larva sobe ao orifício para respirar e esta movimentação pode ser percebida claramente, definindo o diagnóstico.

Após trinta a sessenta dias, a larva, se não extirpada, tende a deixar o orifício. Se ocorrer infecção bacteriana secundária pode se formar um abscesso.

Na miíase secundária, a infestação ocorre na pele ou mucosas ulceradas e nas cavidades e as larvas começam rapidamente a se alimentar de tecido vivo, devorando pele, músculo e tendões, até sobrar apenas osso.

Em cada local desenvolvem-se centenas de larvas, com alta capacidade de penetrar pelos tecidos, podendo formar grandes cavidades no organismo.

Os locais mais atingidos são as ulcerações, as fossas e os seios nasais, os condutos auditivos e os globos oculares.

A gravidade do quadro depende da localização e do grau de destruição tecidual.

O diagnóstico da miíase pode ser feito pela observação das lesões e de suas características.

O tratamento da miíase primária consiste na retirada mecânica da larva, seja espremendo a lesão a partir se sua base, seja pinçando e tracionando a larva.

É frequente precisar-se alargar um pouco o orifício por onde a larva penetrou.

O tratamento também pode ser feito por meio da aplicação de medicamentos que matam ou expulsam as larvas da ferida.

Em seguida pode se usar preventivamente antissépticos ou antibióticos tópicos e proteger a ferida aberta contra uma nova deposição de ovos de moscas.

Nas miíases secundárias ou cavitárias, o tratamento vai depender da localização e extensão da cavidade.

Uma medicação oral (ivermectina) pode ser tomada sob orientação médica.

Manter eventuais ulcerações ou ferimentos na pele sempre limpos e protegidos.

Como complicações da miíase primária podem surgir abscessos, linfangite e raramente tétano.
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