Meu filho não come vegetais!


As crianças podem aprender a comer novos vegetais, principalmente se eles são oferecidos com regularidade na alimentação (pelo menos cinco a dez vezes antes da “desistência” dos pais) e antes dos dois anos de idade, sugere um estudo da Universidade de Leeds, publicado na revista PLoS ONE.

Mesmo as crianças mais exigentes e meticulosas com a alimentação podem ser encorajadas a comer mais vegetais, se eles forem oferecidos pelo menos cinco a dez vezes e em idade precoce. Uma equipe de pesquisadores, coordenada pela professora Marion Hetherington, deu purê de alcachofra a 332 crianças do Reino Unido, França e Dinamarca.

A ingestão de vegetais é geralmente baixa entre as crianças, que parecem ser especialmente exigentes durante os anos pré-escolares.

A exposição repetida é conhecida por aumentar a ingestão de vegetais no início da vida, mas as diferenças individuais na resposta à familiarização surgiram a partir de estudos recentes.

A fim de entender os fatores que predizem diferentes respostas à exposição repetida, os dados desse mesmo experimento realizado com três grupos de crianças de três países, com idades entre quatro e 38 meses foram combinados e modelados.

Durante o período de intervenção, cada criança recebeu entre cinco e dez exposições a um vegetal (purê de alcachofra) em uma das três versões (básica, adocicada ou adicionada de energia com o acréscimo de óleo vegetal).

A ingestão de purê de alcachofra foi medida antes e após o período de exposição. No geral, as crianças mais jovens consumiam mais alcachofra do que as crianças mais velhas.

Quatro padrões distintos de comportamento alimentar foram definidos durante o período de exposição:

•A maioria das crianças era chamada de "aprendizes" (40%), pois aumentaram o consumo ao longo do tempo.
•21% consumiram mais do que 75% do que foi oferecido a cada vez e foram rotuladas de "limpadoras de prato".
•16% foram consideradas "não-consumidoras" comendo menos de dez gramas após a quinta exposição ao vegetal.
•As restantes foram classificadas como "outras" (23%) já que seu padrão de consumo era muito variável.

A idade foi um preditor significativo do padrão alimentar, sendo as crianças pré-escolares mais velhas mais susceptíveis a serem “não-consumidoras”.

As “limpadoras de pratos” apresentaram maior prazer com os alimentos e menor capacidade de resposta à saciedade do que as não-consumidoras, que foram as mais meticulosas em relação ao consumo de vegetais.

Crianças que consumiam alimentos adicionados com energia mostraram a menor alteração na ingestão ao longo do tempo, em comparação com as do grupo que recebeu o purê básico ou adoçado. Claramente, enquanto a exposição repetida familiariza as crianças com um novo alimento, estratégias alternativas com foco no incentivo do consumo a gostos alimentares que estão sendo introduzidos podem ser necessárias para crianças mais velhas em idade pré-escolar e para as mais meticulosas.

Após 24 meses de idade, as crianças tornam-se relutantes em experimentar coisas novas e começam a rejeitar alimentos.

O estudo também dissipou o mito popular de que o gosto dos vegetais precisa ser mascarado para que as crianças aprendam a comê-los.

Fonte: PLOS ONE, de 30 de maio de 2014
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