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sábado, 30 de junho de 2012

Colírios com corticóides podem causar problemas




Os corticoesteróides são medicamentos antiinflamatórios potentes usados em diversas doenças como artrite reumatóide e outras doenças reumáticas, asma e outras doenças pulmonares, alergias, inflamações diversas, transplantes e após algumas cirurgias. Os corticóides mais usados na práticas médica são prednisona, prednisolona, hidrocortisona, dexametasona, metilprednisolona e beclometasona (via inalatória).

Em oftalmologia também são medicamentos muito usados em quadros como uveítes, em algumas conjuntivites e em pós operatórios. Em oftalmologia, os corticóides utilizados na forma de colírios são a prednisolona e a dexametasona.

Esses medicamentos são muito potentes e para certas doenças são a melhor e as vezes única opção de tratamento mas também apresentam muitos e importantes efeitos colaterais
No olho dois desses efeitos colaterais são muito importantes: catarata e glaucoma.

A catarata é uma doença que causa diminuição progressiva da visão e necessita de cirurgia para sua correção. Os corticóides podem causar um tipo de catarata chamada subcapsular posterior que é uma catarata de progressão rápida.

Tanto os corticóides usados por via oral, usados por via nasal (spray nasal para asma ou bronquite) ou como forma de colírios podem causar a catarata.

O glaucoma é uma doença que apresenta aumento da pressão ocular e lesa o nervo óptico causando uma cegueira irreversível se a pressão não for tratada. O uso dos corticóides causa aumento da pressão ocular podendo levar ao glaucoma. Muitas vezes a pressão ocular volta ao normal após o paciente interromper o uso dos corticóides mas em raros casos a pressão ocular pode continuar elevada, necessitando o uso de alguns colírios específicos para abaixar e controlar a pressão ocular.

Da mesma forma que na catarata, todas as formas de administração dos corticóides (oral, spray nasal e colírios) podem aumentar a pressão ocular.

Vale ressaltar que só algumas pessoas vão apresentar esses efeitos colaterais e que esses efeitos dependem do tempo de uso e da dosagem usada. Quanto mais tempo usar, mais chance de desenvolver esses efeitos colaterais.

Caso você use corticoesteróides, não interrompa o uso sem antes conversar com seu médico. Mas converse com ele sobre esses possíveis efeitos colaterais (que ele logicamente sabe que existem) e veja se há outra medicação que possa ser usada.

E o mais importante: Não pratique automedicação. Diversos colírios usados popularmente contém corticóides e podem fazer mais mal do que bem.

Os corticoesteróides tem muitos outros efeitos colaterais sistêmicos (em outros órgãos que não o olho). Já disse que esses medicamentos quando usados por via oral ou spray nasal podem causar os efeitos colaterais no olho mas o contrário é muito difícil de acontecer. Ou seja, usar colírios de corticóides dificilmente causarão efeitos colaterais sistêmicos.

Exames de urina






A urina é uma das principais vias de excreção do organismo e o exame dela pode oferecer informações importantes sobre o estado fisiológico do organismo, sobre a presença e a evolução de muitas doenças sistêmicas, sobre a avalição de certos tratamentos e sobre o estado funcional dos rins.

O exame de urina é um dos exames complementares coadjuvantes mais utilizados na clínica. A análise da urina pode ser feita quanto à quantidade; densidade; pH; aspecto físico (cor, transparência, cheiro, etc.); presença ou não de elementos e sedimentos anormais e de germes; composição bioquímica e pesquisa microscópica.

Muitas substâncias são encontradas regularmente na urina, em taxas fisiológicas normais, mas podem estar aumentadas em determinadas condições patológicas, entre as quais se conta a glicose, a ureia, a creatinina, o ácido úrico, o sódio, o cloreto, o potássio, o cálcio, o magnésio, a amônia, o fosfato e o sulfato.

Um exame simples de urina ajuda a diagnosticar uma ampla gama de enfermidades, além de poder revelar o sexo do bebê antes que a ultrassonografia possa fazê-lo. Este exame é conhecido como IntelliGender e ajuda a ver o sexo do bebê por volta da décima semana de gestação, com índice de acerto de 82%. Ele já é comercializado em alguns países, mas ainda não chegou ao Brasil.

Quais são os tipos existentes de exame de urina?

Há três tipos de exames possíveis de urina:

1. Exame de urina tipo I ou EAS (elementos anormais e sedimentos).

2. Urina de 24 horas.

3. Cultura de urina.

O exame simples de urina do tipo I pode oferecer informações muito importantes e decisivas sobre muitas enfermidades e sobre as condições renais. O exame de urina de 24 horas é cada vez menos utilizado, seja por causa da complexidade de sua realização, seja porque outros exames mais simples já são capazes de fornecer dados que antes só podiam provir dele.

A cultura da urina, geralmente associada ao antibiograma, ajuda na identificação dos germes presentes na infecção urinária e na escolha dos antibióticos adequados para tratá-la.

Como deve ser feita a coleta da urina para ser examinada?

Para o exame de urina do tipo I deve-se observar:

• Não é necessário jejum.

• Devem ser coletados 40 a 50 ml de urina, em um frasco limpo e seco (geralmente fornecido pelos laboratórios de análise).

• No caso das mulheres, a região da vulva deve estar bem higienizada para não ocorrer contaminação.

• A coleta deve ser feita pelo menos três dias após cessar a menstruação.

• Dê preferência à primeira urina da manhã, mas isso não é obrigatório.

• Despreze o primeiro jato de urina, porque ele lava as impurezas por ventura existentes na uretra.

• Não utilize previamente qualquer creme ou pomada na região genital.

• A urina coletada deve ser entregue ao laboratório para análise o mais rápido possível, no máximo dentro de 1 ou 2 horas. Caso isso seja impossível, a urina deve ser mantida refrigerada, na geladeira.

Se a intenção for fazer cultura da urina, alguns cuidados especiais devem ser estritamente observados:

• O recipiente em que a urina for colhida deve estar totalmente asséptico. Geralmente o próprio laboratório o fornece ou ele pode ser comprado em farmácias.

• Deve haver uma boa higienização da região periuretral, com bastante água e sabão, de modo a evitar qualquer contaminação. Nas mulheres, essa recomendação é ainda mais importante.

• A urina deve ser vertida diretamente da uretra para o frasco de coleta, sem contato com as regiões adjacentes.

• Deve-se dar preferência à primeira urina da manhã, desprezando-se o primeiro jato.

• A urina colhida deve ser rapidamente levada ao laboratório, dentro de uma hora. Melhor ainda se puder ser colhida no próprio laboratório.

• Nenhum antibiótico deve ter sido usado antes da coleta, sob pena de invalidar o exame.
Para o exame da urina de 24 horas devem ser observados os seguintes cuidados de coleta:

• Escolha o intervalo de tempo que lhe pareça mais adequado (por exemplo: de 7h às 7h do dia seguinte; de 8h às 8h do dia seguinte, etc.).

• Urine na hora que começar a contar o tempo. No dia seguinte, esvazie a bexiga no horário que termina o teste.

• Dê preferência a um domingo ou a um dia em que não tenha que sair de casa e que seja mais fácil coletar a urina.

• Escolha um recipiente capaz de conter toda a urina do dia. Nos intervalos das micções mantenha o frasco em lugar fresco ou na geladeira.

• Caso haja perda de qualquer porção de urina, despreze a urina já recolhida e recomece todo o processo.

• Em pacientes hospitalizados, essa coleta normalmente é feita de maneira mais automática, através de uma sonda urinária.

Quais são os aspectos macroscópicos da urina avaliados no exame?

• Volume: algumas vezes o médico pedirá ao paciente que colete toda a urina produzida durante 24 horas para, entre outras coisas, medir o seu volume. Algumas alterações renais e a desidratação alteram muito o volume urinário. O exame da urina de 24 horas serve também para determinar a filtragem renal, a proteinúria e outras taxas urinárias.

• Cor: a urina normal tem uma cor que varia do amarelo citrino ao amarelo ouro, mas algumas patologias podem emprestar a ela uma cor avermelhada, âmbar ou escura (cor de vinho). Algumas medicações podem conferir à urina colorações bizarras (azuis, verdes, vermelhas, etc.), sem que isso tenha maiores significações clínicas.

• Transparência: o nível normal de transparência da urina pode ser alterado pela presença de pus ou de outros elementos anormais, tornando-a espessa, leitosa ou turva.

• Odor: o cheiro característico da urina é conferido a ela pela ureia. A maior concentração da urina, devido à desidratação, torna seu odor mais intenso. Certas enfermidades como, por exemplo, o diabetes, a fenilcetonúria e a presença de bactérias, que transformam a ureia em amônia, podem alterar muito o odor da urina.

• Análise química e microscópica da urina:

• A análise química da urina permite identificar e quantificar as substâncias presentes nela, o que ajuda no diagnóstico e avaliação de diversas enfermidades. A análise microscópica ajuda a identificar a presença de células e germes. Essas análises podem ser complementadas pela cultura da urina. Nessa técnica, uma gota de urina é colocada em contato com um caldo de cultura que promove o crescimento de micro-organismos que posteriormente são identificados, bem como são reconhecidos e testados os antibióticos que os combate. Uma cultura positiva, que tenha dado origem ao crescimento de bactérias é altamente sugestiva de infecção urinária, já que os rins e a bexiga são ambientes normalmente estéreis.

Como avaliar os resultados do exame de urina?

A significação dos resultados dos exames de urina deve ser julgada pelo médico que o solicitou, juntamente com o quadro clínico do paciente que motivou a solicitação do exame.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quantas cesáreas?





Embora não haja pesquisas suficientes para determinar um limite exato para a repetição de cesarianas em uma mesma mulher, a maioria das mulheres pode seguramente ter até três partos cesáreos. Cada cesárea geralmente é mais complicada que a anterior.

Para algumas mulheres, o risco de complicações cirúrgicas - como infecção ou sangramento intenso - aumenta apenas ligeiramente de uma cesárea para a seguinte. Se você tiver um trabalho de parto longo e difícil antes de sua primeira cesárea, uma repetição deste procedimento cirúrgico pode ser o mais adequado a fazer. O processo de recuperação vai demorar mais se você desenvolver complicações.

Para outras mulheres, tais como aquelas que têm cicatrizes significativas ou aderências no útero, o risco de cada cesárea aumenta substancialmente.

As principais preocupações com a repetição de cesáreas incluem:

• Problemas com a placenta. Quanto mais cesáreas você teve, maior o risco de desenvolver problemas com a placenta - como quando a placenta se implanta muito profundamente e firmemente à parede do útero (placenta acreta) ou quando a placenta cobre parcial ou completamente a abertura de colo do útero (placenta prévia).

• Lesões da bexiga. Lesões da bexiga são mais prováveis com a repetição de cesáreas. O aumento do risco é provavelmente devido à cicatrização - com o tecido que se desenvolveu depois do parto cesáreo anterior, formando uma ligação da bexiga com o útero.

• Sangramento intenso. Uma hemorragia intensa é possível depois de qualquer cesariana. O risco de sangramento grave é proporcionalmente maior de acordo com o número de cesáreas anteriores. A necessidade de uma histerectomia - remoção do útero - para controlar o sangramento, com risco de vida, também aumenta com o número de repetição das cesarianas.

• Enfraquecimento da parede uterina. Cada incisão uterina deixa um ponto fraco na parede uterina. Isso pode interferir nas gestações futuras.

Além de três cesarianas, os riscos cirúrgicos devem ser cuidadosamente ponderados avaliando-se o desejo de gestações subsequentes.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Bupropiona





A Bupropiona é um inibidor relativamente seletivo da recaptação de catecolaminas (noradrenalina e dopamina), com mínimo efeito sobre a recaptação de serotonina, indicado para tratamento do tabagismo.

A Bupropiona é originalmente um antidepressivo, inibidor da recaptação da noradrenalina e da dopamina, muito menos da serotonina e não inibe a monaminaoxidase. Seu mecanismo de ação no tabagismo é ainda desconhecido mas, presume-se, esteja envolvido com os mecanismos dopaminérgicos e noradrenérgicos. O pico máximo de ação é em torno de 3 horas e sua meia-vida em torno de 21 horas.

O metabolismo da Bupropiona produz 3 metabólitos ativos no corpo humano; a hidroxibupropiona, a trihidrobupropiona e a eritrohidrobupropiona. Destes, o primeiro (hidroxibupropiona) tem o mesmo efeito da Bupropiona e os demais variam entre metade e dois terços de seu efeito.
A eliminação da Bupropiona é por via renal e de 5 a 8 dias depois da última tomada não se encontra mais essa substância nem seus metabólitos na urina. Os testes mostram que a eliminação da Bupropiona e de seus metabólitos não sofre diferenças significativas quando essa substância é ministrada isoladamente ou em combinação com adesivos cutâneos de nicotina.

Para o tabagismo
Apesar do objetivo inicial da Bupropiona ter sido para o tratamento da depressão, sua utilização ou em combinação com adesivos cutâneos de nicotina, tem mostrado taxas significativas de sucesso para o abandono do hábito de fumar.

Segundo trabalhos de Douglas E. Jorenby, do Instituto Médico da Universidade de Wisconsin, foram investigados 3 grupos de tratamento; 244 pacientes com uso isolado de Bupropiona, 245 com uso de placebo, 245 com adesivos cutâneos de nicotina e 160 combinando os dois tratamentos.
O tratamento com Bupropiona consistia no uso de 150 mg/dia durante os 3 primeiros dias, aumentado-se para 150 mg 2 vezes ao dia (300 mg/dia) do 4o. dia em diante. Com os adesivos de nicotina foi usada a dose de 21 mg/dia, 14 mg/dia na oitava semana e 7 mg/dia na nona semana.

A incidência de abstinência do fumo depois de 12 meses foi de 15,6% nos pacientes que usaram placebo, quase a mesma porcentagem (16,4%) naqueles que usaram a nicotina em adesivos cutâneos, 30,3% no grupo que uso Bupropiona e 35,5% entre as pessoas com tratamento combinado Bupropiona-adesivo.

Quanto ao ganho de peso entre os abstinentes, após a sétima semana aqueles que deixaram de fumar com o placebo engordaram em média 2,1 kg, enquanto o grupo dos adesivos de nicotina engordou uma média de 1,6 kg, 1,7kg para os usuários de Bupropiona e de apenas 1,1 kg para o grupo com tratamento combinado.

Filtros ultravioleta podem ter efeitos adversos, principalmente em fetos e crianças





Atualmente, a aplicação tópica de protetores solares, contendo filtros ultravioletas (filtros UV), é a proteção preferida contra os efeitos adversos da radiação ultravioleta. Evidentemente, o uso de filtros solares é eficaz na prevenção de queimaduras solares em vários modelos. No entanto, a evidência de seus efeitos protetores contra o melanoma de pele é menos conclusiva. Um estudo avaliou os filtros UV a base de benzofenona-3 (BP-3), 3-benzilideno cânfora (3-BC), 3-(4-metil-benzilideno) cânfora (4-MBC), 4-Metoxicinamato de 2-etoxietila (OMC), homossalato (HMS), 2-etilhexil 4-dimetilaminobenzoato (OD-PABA) e ácido 4-aminobenzóico (PABA). Os potenciais efeitos adversos induzidos por filtros UV em experimentos animais incluem toxicidade na reprodução/desenvolvimento e perturbação do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide (HHT).

Poucos estudos têm investigado potenciais efeitos colaterais de filtros UV em humanos, embora a exposição humana seja elevada, uma vez que os filtros UV dos protetores solares são rapidamente absorvidos pela pele. Um dos filtros UV, o BP-3, tem sido encontrado em 96% das amostras de urina nos EUA e vários dos filtros UV tem sido encontrados em até 85% das amostras de leite materno na Suíça.

Parece pertinente avaliar se a exposição à filtros UV pode contribuir para possíveis efeitos adversos sobre os órgãos de fetos em desenvolvimento e sobre as crianças.

Fonte: International Journal of Andrology

terça-feira, 26 de junho de 2012

Depressão e Frustração





A qualidade da vida emocional depende da satisfação com que se vive. Se preferir, a qualidade de vida depende da felicidade, e esta, depende de nosso destino coincidir com nossa vontade, ou seja, estamos felizes se esta acontecendo agora aquilo que eu queria que estivesse mesmo acontecendo. Mas esse evento não é tão simples como parece. A coincidência vontade-destino é mais abrangente do que a simples sucessão dos acontecimentos. Para ser completa a idéia de felicidade, os sentimentos devem ser, nesse momento, justamente aqueles que eu mais queria estar sentindo (agora).

Na prática, isso quer dizer que não basta estar em uma praia paradisíaca curtindo as férias, mas também estar satisfeito e sentindo que minha felicidade está plenamente presente. Também o prognóstico de vida faz parte da sensação de felicidade, ou seja, a sensação de que as coisas continuarão sendo boas.

Juntando essa idéia com a natural aptidão humana para o desejo, para a expectativa, para a pretensão, e sabendo que nos frustramos na proporção em que pretendemos, fica mais clara a idéia de John Stuart Mill ao dizer que “aprendeu a procurar a felicidade limitando os desejos, ao invés de satisfazê-los”.

Falar em frustração não significa falar de algo doentio, mórbido. A frustração, é uma ocorrência universal e comum a todas pessoas conscientes das condições de sua existência, significa algo necessário ao amadurecimento e, conseqüentemente, ao desenvolvimento do sujeito, de sua relação com o mundo objectual (sua realidade), com os outros e consigo próprio.

O ser humano, tal como os animais superiores, tende a fugir da dor e se aproximar do prazer. Portanto, há sempre uma pretensiosa tentativa de suprimir o sofrimento das frustrações ou das perdas. Entre as várias maneiras que o ser humano usa para essa fuga da dor, incluindo os mecanismos de defesa, as negações, compensações, etc, tudo isso como parte um leque de recursos interiores, recorre-se também à ajuda externa, algo de fora da pessoa.

Antigamente nossos ancestrais aliviavam o sofrimento buscando ajuda externa no feiticeiro, no pajé, no sacerdote ou coisas assim. O ser humano atual busca um “algo mágico”, lenitivo para seus sofrimentos, na expectativa que tem da medicina, da ciência e da tecnologia. São programas, técnicas, pílulas, terapeutas, meditações, alguma coisa milenar, práticas exóticas e alternativas, enfim, a sociedade dispõe de mil recursos aliviatórios.

Porém, não são poucas as hipóteses de ser saudável e até desejável, vivenciar os sentimentos proporcionados pelas adversidades da vida, pelas dificuldades e frustrações das relações humanas. Parece que quando existe excesso de investimento psicoterápico, excesso de intervenções farmacológicas, superproteção familiar, enfim, qualquer esforço sociocultural no sentido de dissimular e minimizar os sentimentos próprios dessas frustrações naturais da vida, a pessoa poderá não desenvolver a necessária capacidade de superar dificuldades existenciais.

Vivenciar perdas, experimentar a melancolia e a tristeza diante das frustrações são processos importantes para o amadurecimento psíquico e aprimoramento das relações sociais. A Depressão não pode ser compreendida como sinônimo do sentimento de tristeza e melancolia que qualquer pessoa experimenta diante das dificuldades e frustrações, mas sim, como um quadro patológico próprio e específico, relativamente emancipado dos eventos existenciais.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Doenças da tireóide e aspectos emocionais





A tireóide ou tiróide é uma glândula responsável pela regulação do metabolismo geral do organismo e muito relacionada ao sistema neuropsíquico. As alterações clínicas e francas dessa glândula, para mais (Hipertiroidismo) ou para menos (Hipotiroidismo) comprometem significativamente o psiquismo, entretanto, pequenas alterações (subclínicas), muitas vezes sem sintomas claros e evidentes também podem envolver as emoções (Romaldini, Sgarbi JA, Farah, 2004).

Recentemente é forte a tendência nas pesquisas sobre estados subclínicos das alterações de tiróide, mas suficientes para produzir complicações emocionais. O diagnóstico desses casos subclínicos se firma laboratorialmente. O Hipotiroidismo Subclínico e o Hipertiroidismo Subclínico são caracterizados por concentrações normais de T4 e T3 nos exames e valores mais elevados de TSH elevado Hipotiroidismo Subclínico ou diminuído no Hipertiroidismo Subclínico. As prevalências são baixas e os sintomas e sinais clínicos de disfunção tiroideana escassos. No Hipotiroidismo Subclínico, colesterol total e LDL-C estão ligeiramente elevados.

O Hipotiroidismo e o Hipertiroidismo subclínicos foram, por muito tempo, considerados apenas uma alteração laboratorial, supostamente sem manifestações clínicas. Estudos mais recentes e muito mais criteriosos revelaram anormalidades clínicas importantes decorrentes desses dois quadros. Essas conseqüências clínicas causam, principalmente, alterações hematológicas, neuropsiquiátricas, cardíacas e vasculares, além de distúrbios no metabolismo dos lipídeos.

Quando o hipotireoidismo é de intensidade média, a sintomatologia é predominantemente dominada por um quadro depressivo, ao qual se associam lentificação da fala, diminuição do rendimento intelectual, fadiga, diminuição do apetite e apatia.

Como se desenvolve um quadro depressivo no hipotireoidismo ainda não está bem esclarecido, mas em ratos, o hipotiroidismo associado à extirpação cirúrgica da tireóide afeta o sistema noradrenérgico (neurotransmissor importante na regulação do humor), sendo aventada possível ligação entre esta ocorrência e alteração em funções neuropsíquicas.

Outra possibilidade é a de que o hipotireoidismo se associa com uma redução na atividade da serotonina (outro neurotransmissor importante na regulação do humor). Com a reposição de medicamentosa de tiroxina observam-se melhora dos sintomas depressivos e melhora da atividade serotonérgica em todos eles. Esses achados sugerem que a neurotransmissão serotonérgica é afetada pelo hipotireoidismo e pode ser revertida com reposição de T4.

Pesquisadores destacam achados de alto número de pacientes hipotiroideanos com sintomas sugestivos de transtornos depressivos, sugerindo que muitos desses pacientes poderiam ser beneficiados com avaliação e atendimento psiquiátrico adequados, concomitante ao tratamento endócrino.

O quadro psicológico classicamente associado ao hipotireoidismo grave é de ansiedade severa e agitação, manifestado por alucinações, comportamento paranóide e até demência, quadro este conhecido por "loucura mixedematosa". Esse tipo de demência associada ao hipotireoidismo é, felizmente, reversível com a reposição hormonal.

“Até o raciocínio fica mais lento" na falta de hormônio da tireóide”.

Depressão, ganho de peso, dificuldade para engravidar e até queda de cabelo... É longa a lista de conseqüências das disfunções da glândula tiróide, assunto da hora e da vez nos consultórios médicos.

Apesar de mais casos estarem sendo descobertos hoje em dia, devido ao aprimoramento dos meios de diagnóstico, a própria incidência também tem sido cada vez maior, segundo pesquisadores.

O hipotireoidismo na população geral, antes de 1994, era em torno de 9%. Agora 15 a 20% da população apresenta tireoidite, que é uma das principais causas do hipotireoidismo. Esse assunto deve preocupar, sobretudo, as mulheres. Elas são muito mais propensas a disfunções na tireóide, tendo uma incidência de dez mulheres para cada quatro homens com o problema.

A maioria dos pacientes hipotiroideanos apresenta um quadro depressivo, mas o tratamento com antidepressivos não é eficaz enquanto o hipotireoidismo não for corrigido pela administração de tiroxina.

É de bom senso, nos casos de má resposta da depressão a um tratamento antidepressivo, realizar um exame do funcionamento da tireóide. Alguns autores acreditam que o hipotireoidismo estaria presente em 8 a 17 % das pessoas deprimidas. Essa incidência estaria diretamente relacionada ao fato do hipotireoidismo ser autoimune.

A par do que se sabe, concretamente, das alterações da tireóide na depressão (e vice-versa), também nos casos de estresse o funcionamento da glândula está alterado. Há uma diminuição da produção de TSH pela hipófise e uma inibição da conversão de T4 em T3. Trata-se de um mecanismo fisiológico de defesa e proteção no estresse, provocado pelos corticóides, com objetivo de conservar a energia durante a reação de alarme.

Pacientes com Anorexia Nervosa apresentam também uma alteração característica que pode, à primeira vista, parecer contraditória. Alguns sintomas da Anorexia são sugestivos tanto de hipotireoidismo (bradicardia, diminuição do reflexo aquileo, aumento do colesterol), como de hipertireoidismo (hiperatividade, aumento do metabolismo basal).

Como, exatamente, se desenvolve um quadro depressivo no hipotireoidismo ainda não está bem esclarecido. Em ratos, o hipotireoidismo associado à extirpação cirúrgica da tireóide (tireoidectomia) afeta o sistema noradrenérgico, sendo aventada possível ligação entre esta ocorrência e alteração em funções neuropsíquicas.

A forma mais grave de alteração emocional decorrente do hipotireoidismo é chamada de loucura mixedematosa (mixedema é um quadro de edema geral de origem tireoideano), que se caracteriza por um quadro verdadeiramente psicótico, do tipo confusional, delirante e alucinatório ou, quando não, por um profundo estado melancólico, com freqüência estuporoso. Algumas outras raras vezes a alteração do humor se dá por um quadro de hipomania. Nos idosos essas alterações podem lembrar um quadro demencial.

sábado, 23 de junho de 2012

Um pouco sobre hormônios





Os hormônios produzidos pelas glândulas e os neuro-hormônios originados no cérebro, são os responsáveis pelo funcionamento harmônico de todo organismo.

Quando há desequilíbrio na produção ou distribuição dos hormônios, como ocorre no estresse, podem ocorrer interferências em quase todas atividades orgânicas.

Os principais hormônios do corpo são aqueles produzidos pela Hipófise. São eles: TSH (hormônio estimulante da tireóide), ACTH (hormônio estimulante da supra-renal), PRL (prolactina, hormônio responsável pela lactação), GH (hormônio do crescimento), FSH e LH (hormônios estimulantes das gonadotrofinas).

As endorfinas
As endorfinas são produzidas pelo córtex cerebral. Trata-se de um analgésico natural, responsável pela sensação de bem-estar, tranqüilidade e pode inibir o estresse.

Durante atividade física, por exemplo, o corpo libera adrenalina, hormônio que dilata os vasos sangüíneos para nos deixar em estado de alerta e aumentar a força e a disposição. No repouso a endorfina ajuda a relaxar.

Pessoas que fabricam maior quantidade dessa substância podem ser mais tolerantes à dor.
No estresse todos esses hormônios hipofisários e mesmo as endorfinas podem sofrer alterações, logo, todas as glândulas sobre as quais esses hormônios agirão, igualmente podem sofrer alterações.
Outros hormônios produzidos por diversas glândulas:

Testosterona
Nos homens a testosterona é produzida principalmente pelos testículos; nas mulher pela supra-renal e em pequena proporção pelos ovários.

Na mulher, quando a testosterona tem níveis muito baixos, ocorrerá uma diminuição da libido (desejo sexual). Por outro lado, quando há aumento de testosterona pode aparecer acne, aumento dos pêlos, alteração na voz, irregularidades menstruais, aumento da oleosidade da pele e da massa muscular.

Cortisona
A cortisona é liberada pelas Suprarrenais. Ela age sobre todo o metabolismo e sua falta pode afetar todos os órgãos.
Geralmente provoca perda de peso, hipotensão arterial, hipoglicemia, vontade de comer sal e fadiga muscular.

Insulina
A insulina é elaborada pelo pâncreas. A secreção aumentada de insulina pode levar à diminuição do açúcar no sangue (hipoglicemia), resultando em frqueza e desmaios. Quando falta a insulina mantém o açúcar mais no sangue que dentro das céliulas, causando o diabetes.

Adrenalina
É o hormônio liberado em situações de estresse, A adrenalina é produzida pelas suprarrenais e tem sua função ao contrário da endorfina. A adrenalina acelera o funcionamento de todo organismo.

A falta de adrenalina, que acontece depois de instalada a Fase de Esgotamento do estresse, pode causar a baixa aa pressão arterial, desanimo e disatenção.

Quando em excesso, que acontece na Fase de Alarme do estresse, faz o coração bater mais rápido, provoca irritação, agitação e produção de suor.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

TDAH: informações atuais.





Algumas curiosidades sobre TDAH:

* 20% das crianças de TDAH têm dificuldades de aprendizagem e cerca de 80 por cento têm problemas acadêmicos.

* Usando uma taxa de frequência conservador de 5 por cento que o custo social anual da doença de TDAH é considerado entre US $13000 e 18000 por indivíduo.

* Em dez países, estima-se que esta condição foi associada com 143.8 bilhões em receitas perdidas todos os dias. A maioria desta perda foi vinculado diretamente ao TDAH e condições não co-occurring, como depressão ou transtorno bi-polar.

* Aqueles com TDAH eram mais propensos a ter problemas de atendimento no local de trabalho ou na escola do que seus pares.

* Casos de transtorno atenção com hiperatividade diagnosticados aumentaram quase 4% todos os anos de 2000 a 2010 tornando-a preocupação número um de saúde mental em crianças.

* Meninos têm duas vezes mais probabilidades de serem diagnosticados do que as meninas.

* Nos Estados Unidos, o Estado com maior número de casos relatados foi Alabama com o maior número de prescrições sendo escrito em Arkansas.

* Cerca de 5. 5 milhões de crianças, com idades que variam entre 5 e 17 anos, foram diagnosticados com TDAH em 2009.

* Atualmente 60% de todas as crianças com TDAH estão recebendo medicação para o tratamento do transtorno, com Ritalina, que continua a ser o medicamento mais amplamente prescrito.

* A faixa etária com maior índice de prescrição de medicamentos para TDAH, é aquela de 9 a 12 anos de idade.


A forma mais comum de tratamento são estimulantes de prescrição como Ritalina, Adderall e Vyvanse.

Todos os medicamentos estimulantes vêm com um número de rótulo sérios avisos.

O risco de efeitos colaterais, ou talvez falta de sucesso com estimulantes, levou muitos a investigar outras opções, não medicamentosas.

Alguns exemplos disto são a terapia de modificação de comportamento (Terapia Comportamental) e/ou remédios naturais.

Medicamentos naturais para TDAH são uma maneira de ter menos efeito colateral e uma tentativa bem menos agressiva de abordar tais problemas e sintomas como desatenção, distratibilidade, impulsividade, comportamento errático e hiperatividade.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Raiva e Ódio





Não erraria totalmente se dissesse que vivemos a Era da Raiva. Tentando verificar a aprovação social das manifestações da Raiva, quatro estudos examinaram a consideração social que o sistema atribui para as pessoas “raivosas”. Esses estudos mostram que o povo atribui mais status às pessoas que expressam Raiva do que às pessoas que expressam tristeza ou mágoa. No primeiro estudo, os participantes aprovaram mais o presidente Clinton quando o viram expressar Raiva sobre o escandalo de Monica Lewinsky do que quando o viram expressar tristeza ou mágoa.

Este efeito Raiva-tristeza foi confirmado num segundo estudo que envolveu um político desconhecido. O terceiro estudo mostrou que, em uma empresa, conferir alguma distinção esteve correlacionado com as avaliações de uns companheiros sobre a Raiva manifestada pelos outros, objetos da distinção.

No estudo final, os participantes atribuíram um salário mais elevado posição, bem como um status mais elevado a um candidato ao emprego que se mostrasse mais irritado que triste. Além disso, os estudos de número 2 e 4 mostraram que as expressões de Raiva criam a impressão que a pessoa raivosa é mais competente.

A força do ódio é muito grande. Grandes grupamentos humanos podem se irmanarem através do ódio (à um inimigo comum) ou se destruírem (numa relação do tipo perseguido-perseguidor). De qualquer forma, o ódio tem uma predileção especial para se nutrir das diferenças entre o outro e o eu e, de acordo com observações clínicas, onde se cruza com o ódio há, inelutavelmente, um excesso de sofrimento físico e psíquico. O sofrimento e o ódio são tão próximos e íntimos que cada um acaba se tornando a causa do outro.

Voltando à teoria do sujeito-objeto, talvez a adoção de posição de apatia em relação ao ódio e à raiva seja o segredo para prevenir o sofrimento. Apatia no sentido valorativo, ou seja, não permitir que nosso sujeito mobilize valores para os objetos potencialmente causadores de ódio e/ou raiva. Assim sendo, não experimentar o ódio, a raiva e, conseqüentemente, o sofrimento, se tornará uma condição de sobrevivência física e emocional.

Vendo a doutrina do satanismo, longe de experimentarmos um grande temor sobre a seita, constatamos que, naturalmente, a maioria das pessoas de nosso convívio se conduz (sem saber) através desses “mandamentos”. Vejamos: "Amar ao próximo tem sido dito como a lei suprema, mas qual poder fez isso assim? Sobre que autoridade racional o evangelho do amor se abriga?” Mais uma; “Por que eu não deveria odiar os meus inimigos - se o meu amor por eles não tem lugar em sua misericórdia? Não somos todos nos animais predatórios por instinto? Se os homens pararem de depredar os outros, eles poderão continuar a existir?” E, finalmente, “odeie seus inimigos na totalidade do seu coração e, se um homem lhe da uma bofetada, de-lhe outra!; atinja-o dilacerando e desmembrando-o, pois autopreservação e a lei suprema!”

Como vimos, esses (poucos) postulados parecem mais terem sido tirados da fisiologia humana que de uma doutrina satânica. Preferível seria dizermos “da fisiopatologia humana”. Mas, se as pessoas têm certa dificuldade em entenderem o aspecto patológico desses sentimentos e atitudes do ser humano, quer por agnosticismo, quer por recionalismo, então vamos encontrar na medicina psicossomática e psiquiátrica os elementos necessários para se estabelecer algum tipo de associação ente o sofrimento (físico e psíquico) e os sentimentos, emoções, pulsões e impulsos primitivos.

Isso significa que a Raiva e o Ódio não seriam contra-indicados ao ser humano apenas devido ao seu aspecto moral ou ético mas, sobretudo, devido ao seu aspecto médico.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quando as falhas de memória não são normais.






Com o passar dos anos, algum grau de perda de memória é esperado. No entanto, há outros sinais de alerta que sugerem que uma pessoa com perda de memória tem algo a mais do que o envelhecimento.

A Cleveland Clinic destaca alguns sinais de alerta que podem ser motivo de preocupação.

São eles:

• Incapacidade para recordar acontecimentos recentes.

• Incapacidade de lembrar-se de uma tarefa sem um lembrete por escrito.

• Dificuldade para realizar tarefas diárias e afazeres simples.

• Incapacidade para realizar tarefas um pouco mais complexas, como dirigir ou pagar contas.

• Desconhecimento de que você tem perda de memória.

• Mostrar falta de bom senso.

• Apresentar significativas alterações comportamentais; tais como preocupação, agitação ou desconfiança excessiva.

Por falar nisso, o que foi que você acabou de ler, mesmo?

terça-feira, 19 de junho de 2012

Hepatite B pode ser transmitida também pela saliva






O que é hepatite B?

A hepatite B é uma doença infecciosa crônica que ataca o fígado, causada por um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual ou por agulhas infectadas e que pode progredir para cirrose hepática ou câncer do fígado.

Quais são as causas da hepatite B?

A hepatite B é causada pelo vírus da hepatite B ou HBV, causando um processo inflamatório crônico. O vírus pode ser transmitido de doentes ou de portadores assintomáticos para outras pessoas através do sangue, saliva, sémen, secreções vaginais e do leite materno. O contágio pode ocorrer por meio de contato sexual (por isso a hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível); de agulhas contaminadas; diretamente da mãe para o feto, durante o parto; através de pequenos ferimentos na pele ou nas mucosas e por transfusões de sangue.

A transmissão do vírus HBV é muito mais fácil que a do HIV (vírus causador da AIDS), já que ele persiste por mais tempo fora do corpo e é capaz de sobreviver no ambiente por até uma semana. No entanto, pode ser facilmente destruído por uma lavagem cuidadosa ou pela esterilização pelo calor.

Quais são os sintomas da hepatite B?

Em 25% dos casos, depois de um período de incubação, de 30 a 180 dias, e de infecção, de 2 a 12 meses, surge uma hepatite aguda caracterizada por:

• Icterícia

• Febre

• Falta de apetite

• Mal-estar

• Urina cor de vinho ou de coca-cola

• Náuseas

• Comichão (coceira intensa)

• Urticária (reações de pele, semelhantes a alergia)

• Rash cutâneo (lesões vermelhas ou avermelhadas, planas ou elevadas da pele)

Estes sintomas podem durar de 2 a 12 semanas e depois disso, na dependência da resposta do sistema imunitário, o doente pode curar-se. Essa forma aguda pode passar despercebida, pela suavidade dos sintomas ou porque a doença permanece assintomática. Por outro lado, se a resposta for muito agressiva, pode ocorrer uma forma fulminante de hepatite B, que culmina na morte. Se a resposta for insuficiente, o indivíduo pode tornar-se portador crônico e ser assintomático durante muitos anos (75% dos casos). Na maioria das vezes, quando esses pacientes procuram o médico já há sinais de insuficiência hepática crônica, como icterícia, aumento do baço, ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal) e encefalopatia hepática. Dentre esses pacientes, alguns se tornam permanentemente portadores sem sintomas, outros têm uma hepatite não progressiva e apenas em alguns se desenvolve um curso gradualmente evolutivo da enfermidade.

Como o médico diagnostica a hepatite B?

O diagnóstico da hepatite B se faz através da detecção de anticorpos contra a doença. Contudo, deve-se procurar diferenciar aqueles que já tiveram a doença aguda e estão curados daqueles que ainda têm uma hepatite crônica ativa. Para isso, são usadas técnicas elaboradas de detecção de diferentes antígenos e anticorpos que surgem em diferentes estágios da doença. Também deve proceder-se a exames de sangue para determinar o valor das transaminases hepáticas. Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma biópsia de fígado, para fechar o diagnóstico.

Como é o tratamento da hepatite B?

Não há tratamento eficaz para a hepatite B. A única medida eficaz contra ela é a prevenção pela vacina.

Na maioria dos casos, o tratamento visa sintomaticamente os sintomas e procura evitar possíveis complicações. Não há consenso sobre a indicação de medicamentos antivirais na fase aguda. Os portadores da forma crônica, por seu lado, nem sempre demandam tratamento imediato, mas quando ele se faz necessário, existem remédios que inibem a replicação do vírus e atuam no controle da resposta inflamatória.

Como evolui a hepatite B?

Inicialmente os hepatócitos (células do fígado) atingidos conseguem se regenerar, mas se os danos são repetidos a produção de tecido conjuntivo fibroso leva à cirrose e à insuficiência hepática. A replicação aumentada dos hepatócitos aumenta a probabilidade de ocorrer um carcinoma hepatocelular (câncer de fígado), já que a maioria das mutações genéticas que resultam no câncer ocorre durante a multiplicação celular. A evolução dessa forma da doença depende de fatores como a proliferação do vírus, a resposta imunológica, o consumo de álcool e a eventual infecção por outros vírus.

Como se prevenir da hepatite B?

Uma das maneiras de prevenir a hepatite B é a vacina. Ela é constituída pelos antígenos HBs, sem nenhuma partícula viral. Em virtude de ser muito amplo o espectro de pessoas susceptíveis, a vacina deve ser tomada por todo mundo, em três doses: a segunda dose deve ser dada 30 dias após a primeira e a terceira dose seis meses depois da primeira. Prioritariamente, ela deve ser aplicada a recém-nascidos e crianças que não foram vacinadas ao nascer, a adultos com vida sexual ativa, a pessoas que convivem com pacientes com a enfermidade, a pessoas que necessitam transfusões de sangue frequentes ou que tenham que se submeter à hemodiálise, aos usuários de drogas injetáveis, aos profissionais de saúde, aos doadores de órgãos, aos policiais, manicures e podólogos, aos portadores de HIV e de imunodeficiências e às vítimas de abuso sexual. Em doentes, a única prevenção é a abstinência de comportamentos de risco (sexo promíscuo e uso de seringas partilhadas) e o uso sistemático de camisinhas nas relações sexuais.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Borderline...






O psiquiatra inglês C. Hugues utiliza, em 1884, o termo “borderline” para definir um grupo de indivíduos que oscilavam entre os limites da demência e da normalidade: “o estado fronteiriço (borderline) da loucura compreende um grande número de pessoas que passam a vida toda próximos desta linha, tanto de um lado como de outro” .

Em 1911, o psiquiatra suíço Eugène Bleuler descreve a esquizofrenia latente, um distúrbio mental que contém, em germe, todos os sintomas e combinações de sintomas que estão presentes nos tipos manifestos de esquizofrenia. Os indivíduos desse grupo, apresentavam um comportamento social convencional e nunca haviam manifestado seja um episódio psicótico bem definido, seja um rompimento substancial com a realidade. Porém, em camadas subjacentes de sua personalidade, seriam portadores de elementos de esquizofrenia .

Um exemplo de esquizofrenia latente, descrito por Bleuler: “...outro tipo, com uma pronunciada irritabilidade: uma jovem normal e inteligente se casa aos vinte anos e vive feliz por mais de cinco anos. Muito gradualmente torna-se irritável, gesticula enquanto fala, suas peculiaridades aumentam continuamente; contudo, nenhuma empregada pára na casa. Briga constantemente com seus vizinhos. Dentro de seu próprio grupo familiar converteu-se numa tirana doméstica insuportável, que não reconhece seus deveres, apenas seus direitos. (...) provoca transtornos constantemente com suas reclamações e caprichos. (...) não obstante, mostra-se completamente indiferente para coisas importantes, como a relação com seus familiares próximos. Não gosta dos filhos, é incapaz de comportar-se. (...)

Em 1938, o psicanalista Adolph Stern faz referência às neuroses borderline, uma patologia que se caracteriza por narcisismo doentio, “hemorragia psíquica” (termo utilizado pelo autor para descrever a impossibilidade de controle), hipersensibilidade, reações terapêuticas negativas, sentimentos de inferioridade (ancorados constitucionalmente e fincados profundamente na personalidade), masoquismo, rigidez psíquica e física, estado de profunda insegurança orgânica e intensa ansiedade, uso de mecanismos projetivos e dificuldade no teste de realidade.

Em 1953, Robert Knight apresenta um estudo sobre os estados borderlines, utilizando essa expressão para classificar pacientes muito comprometidos psiquicamente mas que não podem ser considerados como autênticos psicóticos. E observa que certos critérios geralmente usados — ruptura com a realidade, exclusão recíproca de neurose e psicose e a teoria da libido — são insuficientes para se chegar a um diagnóstico correto, um prognóstico preciso e a adequadas direções terapêuticas (veja mais em um dos melhores sites so

Ascite... o que é isso?






A ascite, popularmente conhecida como “barriga d’água”, é o acúmulo de líquidos na cavidade abdominal, líquido este que pode conter plasma sanguíneo, linfa, bile, suco pancreático, urina ou outras substâncias, na dependência da sua causa.

Esse líquido pode ser um transudato ou um exsudato.

• Os transudatos (líquidos corpóreos) resultam de um extravasamento de líquido causado pelo aumento de pressão no sistema venoso porta, devido, por exemplo, à cirrose hepática. A veia porta drena o sangue dos intestinos e de outros órgãos do sistema digestivo para o fígado. Têm poucas proteínas, pH elevado, glicose normal e menos leucócitos do que os exsudatos.

• Os exsudatos (também são líquidos corpóreos) são formados pelo líquido secretado ativamente, devido a inflamações ou neoplasias. Os exsudatos possuem um alto conteúdo de proteínas, pH baixo, pequena taxa de glicose e grande quantidade de leucócitos.

Quais são as causas da ascite?

Os mecanismos de formação da ascite são semelhantes aos da formação dos edemas.
O vazamento de líquido dos vasos sanguíneos que irrigam o peritônio pode dever-se a um de três fatores:

Aumento na pressão dentro dos vasos.

Retenção de sal e água pelos rins.

Redução na concentração de proteínas do sangue.

A ascite geralmente é uma complicação grave de doenças hepáticas e quase sempre está acompanhada de outras patologias, igualmente graves, como varizes esofageanas e encefalopatia, por exemplo.

Na maioria das vezes, a ascite é causada pela cirrose hepática ou por outras doenças do fígado, mas também pode ser causada por insuficiência cardíaca, certos tipos de câncer, esquistossomose, tromboses da veia porta e inflamações de órgãos abdominais.

Quais são os sinais e sintomas da ascite?

Em geral, a ascite se desenvolve em pessoas sabidamente doentes e que já apresentam sintomas nítidos de suas enfermidades, mas algumas vezes ela pode aparecer como complicações de enfermidades até então silenciosas.

Quase sempre a ascite leve não gera sinais ou sintomas, mas se for um pouco mais severa causa distensão abdominal evidente e sensação de peso e pressão no abdome, além de dificuldades para respirar devido ao impedimento à livre movimentação do diafragma. A ascite pode ser acompanhada de outros sinais e sintomas, dependendo de qual seja a enfermidade de base. Os pacientes podem apresentar aumento do fígado, icterícia, fadiga crônica, perda de peso, edema de membros inferiores, equimoses, ginecomastia, hematêmese, encefalopatia hepática, etc.

Como o médico diagnostica a ascite?

Em pessoas muito magras a ascite é facilmente notada, mesmo pelos leigos. Em pessoas obesas ela pode ser mais difícil de ser percebida. A ascite leve só pode ser captada pela ultrassonografia, graus mais acentuados podem ser detectados pelo exame médico em consultório.

A natureza da ascite pode ser diagnosticada por meio de uma paracentese. Para fins apenas diagnósticos, a paracentese consiste na retirada de uma pequena quantidade de líquido, por meio de uma punção abdominal feita através de agulha apropriada. A amostra deve ser analisada quanto à aparência, quantidade de proteínas e contagem das células presentes. A paracentese com a retirada de maiores quantidades de líquido pode ser realizada com propósitos terapêuticos.

O líquido ascítico normalmente tem cor amarelada e é transparente. Quando há infecção, ele se torna esbranquiçado, turvo, purulento e, às vezes, sanguinolento.

O diagnóstico do tipo de ascite pode ser ajudado por exames de sangue. Além de um hemograma completo devem ser feitas dosagens de eletrólitos, de enzimas hepáticas e provas de coagulação.

Também devem ser feitos testes adicionais de coloração, citologia e cultura. Além desses exames, a ecografia usualmente é utilizada. Estudos de Doppler podem mostrar eventuais problemas na circulação da veia porta e, adicionalmente, efetuar uma estimativa da quantidade de líquido no abdome. A tomografia computadorizada abdominal é o método mais sensível, capaz de revelar a estrutura e a morfologia dos órgãos abdominais.

Como se trata a ascite?

O tratamento da ascite deve ser simultâneo à tentativa de diagnosticar e tratar a patologia causal. A única solução definitiva para a ascite é o controle ou a eliminação da doença de base. O tratamento deve visar evitar as complicações da ascite, aliviar a sintomatologia e prevenir o retorno dela.

Em doentes com formas ligeiras de ascite, o tratamento pode ser feito em ambulatório; se a ascite é mais severa, a hospitalização torna-se necessária. Em geral, o tratamento é feito com diuréticos, paracentese terapêutica (retirada total ou em grandes quantidades do líquido por punção, através de uma agulha apropriada) e outras medidas sintomáticas, além do tratamento da causa.

Na ascite transudativa de pequena monta pode ser bastante estabelecer a imediata restrição de sal, para permitir um aumento da diurese (produção de urina). Para isso, pode-se utilizar também diuréticos. Nos pacientes com ascite severa pode ser necessária uma paracentese terapêutica adicional. Drenagens mais difíceis podem ser feitas sob controle da ecografia.

A ascite refratária a esses tratamentos deve ser considerada uma indicação clássica para transplante hepático. Os desvios venosos (shunts) podem ser usados em doentes com cirrose avançada que têm ascites recorrentes, para aliviar os sintomas, mas não parecem aumentar a expectativa de vida dos pacientes.

Em geral, a ascite exsudativa não responde à diminuição de sal ou à terapêutica diurética, sendo necessárias paracenteses repetidas e tratamento da causa subjacente.

Como evolui a ascite?

A ascite pode levar a várias complicações. Uma das mais importantes é a chamada peritonite bacteriana espontânea, que consiste na infecção do líquido ascítico. Ela pode ser grave e levar à morte. Há que ter-se em conta que esse líquido é um excelente meio de cultura, no qual os micro-organismos proliferam com facilidade.

Se não for possível remover a causa, a drenagem da ascite é uma medida paliativa e o líquido ascítico se acumulará novamente, em poucos dias.

domingo, 17 de junho de 2012

Eutimia





A palavra grega Eutimia significa equilíbrio do humor (eu=normal; timo=humor). A partir da última CID (Classificação Internacional das Doenças) aparece o termo Distimia (dis=alteração) classificado como um dos tipos de Transtorno Persistente do Humor, onde a principal característica é a tendência constitucional do paciente em viver sob uma tonalidade afetiva tendendo à depressão, durante a maior parte do tempo. Por isso está incluída nos transtornos ditos Persistentes.

Saber exatamente quando o termo Eutimia aparece na história dos sintomas humanos é difícil mas, na obra do filósofo romano Sêneca (4aC-65dC) podemos ter uma idéia da importância do equilíbrio do humor na vida das pessoas.

Em A Tranqüilidade da Alma, Sereno pede à Sêneca uma orientação sobre importante questão existencial, uma espécie de inconstância da alma que o incomodava. Sêneca responde que "o objeto de tuas aspirações é, aliás, uma grande e nobre coisa, e bem próxima de ser divina, pois que é a ausência da inquietação.

Os gregos chamam este equilíbrio da alma de "euthymia" e existe sobre este assunto uma muito bela obra de Demócrito. Eu o chamo "tranqüilidade" pois é inútil pedir palavras emprestadas para nosso vocabulário e imitar a forma destas mesmas: é a idéia que se deve exprimir, por meio de um termo que tenha a significação da palavra grega, sem no entanto reproduzir a forma."

Portanto, pode ter sido esta uma das primeiras vezes que a psiquiatria conheceu a palavra Eutimia, para a qual Sêneca encontra como correspondente latino a idéia de tranqüilidade ou a ausência de inquietação.

Em seguida, Sêneca diz o que entende por tranqüilidade "Vamos, pois, procurar como é possível à alma caminhar numa conduta sempre igual e firme, sorrindo para si mesma e comprazendo-se com seu próprio espetáculo e prolongando indefinidamente esta agradável sensação, sem se afastar jamais de sua calma, sem se exaltar, nem se deprimir. Isto será tranqüilidade".

Nesta afirmativa, definitivamente Sêneca considera a Eutimia (ou sua tranqüilidade) como um estado de espírito equilibrado, entre sem se exaltar, sem se deprimir e sem se afastar da calma. Essa idéia de equilíbrio sensato deve ter sido baseado na definição de Aristóteles sobre a virtude, que para ele era a eqüidistância entre dois vícios, um por excesso e outro por falta.

Sêneca descreve pessoas vitimadas pela inconstância do humor, portanto, pessoas que se afastam da Eutimia, como se fosse um discurso atual, mostrando que os estados emocionais que angustiam atualmente o homem moderno não são, definitivamente, monopólio de nosso tempo.

"Para todos os doentes o caso é o mesmo: tanto tratando-se daqueles que se atormentam por uma inconstância de humor, seus desgostos, sua perpétua versatilidade e sempre amam somente aquilo que abandonaram, como aqueles que só sabem suspirar e bocejar. Acrescenta-lhes aqueles que se viram e reviram como as pessoas que não conseguem dormir, e experimentam sucessivamente todas as posições até que a fadiga as faça encontrar o repouso: depois de ter modificado cem vezes o plano de sua existência, eles acabam por ficar na posição onde os surpreende não a impaciência da variação mas a velhice, cuja indolência rejeita as inovações. Ajunta, ainda, aqueles que não mudam nunca, não por obstinação, mas por preguiça, e que vivem não como desejam, mas como sempre viveram."

Vemos claramente neste texto os atuais tipos psicológicos dos depressivos clássicos, que amam aquilo que abandonaram, os deprimidos ansiosos, que se viram e reviram, os distímicos mal adaptados que rejeitam inovações e não suportam o amadurecimento e os depressivos introvertidos, apáticos por natureza. Não há espaço para transcrever tanto de Sêneca, mas apenas mais um trecho, onde diz:

"Há, enfim, inúmeras variedades do mal, mas todas conduzem ao mesmo resultado: o descontentamento de si mesmo. Mal-estar que tem por origem uma falta de equilíbrio da alma e das aspirações tímidas ou infelizes, que não se atrevem a tanto quanto desejam, ou que se tenta em vão realizar e pelas quais nos cansamos de esperar. É uma inconstância, uma agitação perpétua, inevitável, que nasce dos caracteres irresolutos..."

De fato, falando dA Tranqüilidade da Alma, Sêneca fala do perfil afetivo da personalidade e das alterações humorais que afligem os portadores de transtornos afetivos. Se o sentido atribuído por Sêneca à tranqüilidade está claro, que sentido ele atribuía à Alma?

Vinte séculos depois de Sêneca, Karl Jaspers também entendia a Alma humana como sendo o atributo mental responsável pela consciência existencial do ser e da realidade. É a parte sublime e sensível de nosso ser, a parte que transcende o objeto, a parte que abstrai e vai além do significado simples das coisas, diz respeito mais ao significante e ao subjetivo que ao significado e objetivo. Na realidade, percebemos a vida pelos órgão dos sentidos (senso-percepção) mas, de fato, sentimos a vida através da Alma.

Em termos qualitativos poderíamos avaliar a Alma da mesma forma como avaliamos a qualidade da consciência e, entre tantas variáveis que influem na qualidade da consciência, teríamos de destacar também as disposições individuais que caracterizam a maneira das pessoas representam o mundo e a si próprias. Dependendo da maneira como nossa consciência representa a existência, nossa e do mundo, reagiríamos emocionalmente vivendo dessa ou daquela maneira. Mesmo sobre predisposições Sêneca alertava para a necessidade de "examinar se nossas disposições naturais nos tornam mais aptos para a ação ou aos trabalhos sedentários e à contemplação pura".

No âmago da questão vivencial, vamos concluir que nossa existência é sentida mais pelas representações que temos de nosso mundo e pelos sentimentos desencadeados por essas representações, do que da vida e do mundo em si mesmos. Assim sendo, a responsabilidade por nossos sentimentos não pode recair exclusivamente sobre o teor dos fatos, objetos e acontecimentos. Esses sentimentos dependem fortemente da Alma do sujeito que vivencia tais acontecimentos, dependem daquilo que esses acontecimentos representam exatamente ao sujeito.

Uma flor pode representar algo diferente para diferentes pessoas, representações que ultrapassam o significado do simples objeto flor; pode representar um mimo comemorativo, uma paixão, uma mercadoria comercial, um objeto de estudo científico...

De modo geral podemos dizer que o valor representativo dos objetos (o significante das coisas), nasce e flui do sujeito em direção ao objeto e não ao contrário, como somos levados a crer. Os acontecimentos podem estimular sentimentos diferentes em diferentes pessoas; um selo perdido, por exemplo, pode estimular sentimentos diferentes entre um filatelista e um botânico, assim como a morte de uma árvore terá representações diferentemente entre os dois. Quando temos consciência de que estamos tomando algum medicamento, seu efeito pode não depender apenas do real valor terapêutico do mesmo, dependerá também daquilo que o medicamento representa para o sujeito.

Sendo a Eutimia o equilíbrio do humor (ou equilíbrio afetivo), podemos considerar que, neste estado, a consciência da realidade vivida se acompanharia de sentimentos equilibrados, nem exaltados e nem deprimidos, portanto, como queria Sêneca, com tranqüilidade. Dessa forma, Tranqüilidade da Alma será um estado ou uma certa disposição de nosso espírito (ou consciência) para com a vida, de forma a atribuirmos para as coisas e para os fatos da vida valores compatíveis com nosso bem estar.

No ser humano a relação entre a consciência e o sentimento é tão íntima que, à cada consciência deve corresponder, obrigatoriamente, algum sentimento. A neurociência tem se esforçado em explicar o aspecto neurológico da consciência, sendo o modelo das assembléias neuronais um dos mais creditados atualmente. Segundo esse modelo, os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo é dissolvido e os neurônios novamente ficam aptos a se engajarem em outras assembléias para cumprirem uma nova tarefa e assim, continuamente, as consciências vão se sucedendo . Evidentemente os sentimentos vão acompanhando as consciências que temos da nossa realidade.

A dúvida (entre muitas) que os psiquiatras experimentam é acerca da valorização emocional e pessoal dessa consciência. Seria a atribuição da Alma de valorizar tudo aquilo que é vivido, simultânea ou posterior à consciência que se tem do vivido? Em termos mais neurocientíficos, os sentimentos seriam anteriores, simultâneos ou posteriores às assembléias neuronais constituídas?

Se nossos sentimentos, sejam eles de alegria, tristeza, prazer, ansiedade, angústia, medo, tédio, júbilo, etc., fossem simples respostas de nosso afeto à sucessão de fatos e acontecimentos da realidade, então seríamos levados à crer que tais sentimentos seriam simultâneos ou posteriores e proporcionais à consciência que temos da realidade. Se isso fosse verdade haveria obrigatoriedade em experimentarmos sentimentos agradáveis em resposta aos estímulos (consciências) agradáveis e, inversamente, sentimentos desagradáveis aos estímulos desagradáveis.

Mas não é isso que se observa na clínica. Há pessoas que, ao tomarem consciência do vivido, podem experimentar sentimentos depressivos, angustiosos ou ansiosos, de forma quase totalmente emancipada do valor objetivo dos fatos, objetos e eventos. Essa não-concordância dos sentimentos aos acontecimentos explica porque uma promoção profissional, por exemplo, para alguns é recebida com sentimentos de satisfação e para outros com sentimentos de medo ou de desespero. Também poderia responder porque o nascimento de um filho pode ser acompanhado de grande alegria, de angústia patológica ou depressão pós-parto, dependendo da pessoa que vive esse acontecimento.

Teriam, essas pessoas que não gozam da Eutimia, que não gozam da tranqüilidade da Alma, disposições afetivas específicas para que a consciência do vivido já se lhes apresentasse predominantemente de modo sofrível, temerário ou negativo? Assim sendo então, e parece ser, disporíamos de sentimentos prévios, ou matizes sentimentais prévias, anteriores à assembléia neuronal (consciência) e à espreita do quer que tomássemos conhecimento consciente para, independente do valor objetivo daquilo conscientizado, colorir à essa consciência com sentimentos predispostamente delineados.

Trazendo tão complexo tema para a simplicidade da cultura popular, poderíamos fazer a mesma indagação perguntando se "é a situação que faz o ladrão ou se, de fato, o ladrão já está feito e esperando o melhor momento para roubar?"

DIVERTICULOSE E DIVERTICULITE





Definição

Divertículos são evaginações da mucosa e submucosa localizadas na parede dos cólons, com predomínio no lado esquerdo, principalmente no sigmóide. Tais herniações geralmente são acompanhadas de espessamento da camada muscular e depósito de colágeno e elastina em todas as camadas de parede intestinal.

A presença de divertículos no cólon, sem sintomas, denomina-se diverticulose.

Diverticulite trata-se da inflamação ou infecção do divertículo.

Classificação

A doença diverticular dos cólons compreende três tipos:

Divertículo Isolado: Geralmente no ceco, conhecido também como divertículo congênito (ocorre evaginação (a parede do tubo intestinal forma uma estrutura "sacular", para fora) de todas as camadas da parede intestinal, e não somente da mucosa e submucosa). Mais comum em indivíduos jovens.

Doença Diverticular Difusa dos Cólons: Mais comum acima dos 50 anos, conhecida também como doença diverticular hipotônica, estando provavelmente relacionada a processos degenerativos dos tecidos; divertículos distribuem-se de maneira difusa por todo cólon.

Doença Diverticular do Sigmóide: Também chamada de doença diverticular hipertônica, acomete indivíduos mais jovens e tem evolução mais grave. Paciente apresenta quadros de cólica abdominal e alteração do ritmo intestinal (diarréia alternada com obstipação).

O aumento da pressão intraluminal favorece a herniação da mucosa e submucosa em áreas naturais de fraqueza da parede cólica, gerando os divertículos. Esse aumento da pressão ocorre comumente devido ao aumento da motilidade cólica. A baixa ingestão de fibras contribui para elevação da pressão.

Alterações na parede intestinal também são responsáveis pelo surgimento de divertículos, com a idade há depósito de fibras colágenas e elastina na parede do cólon, o que reduz a complacência cólica.

A diverticulite pode ser originada a partir da obstrução de um divertículo por um fecalito, como resultado ocorre aumento da pressão intraluminal e subseqüente perfuração do divertículo, porém tal origem é pouco comum. Admite-se que grande parte dos casos de diverticulite decorrem do supercrescimento bacteriano, do aumento da pressão cólica e excessiva produção de mucina.

Ressalta-se que pacientes imunossuprimidos possuem fatores de risco para desenvolvimento de divertículos; A ingestão de sementes em geral não constitui fator de risco para surgimento de divertículos ou diverticulite.

Manifestações Clínica

Dor abdominal (geralmente no quadrante inferior esquerdo) que tende a piorar após a ingestão de alimentos e aliviar com a eliminação de gases e/ou fezes; náuseas; cólicas abdominais; constipação ou diarréia; estufamento abdominal; flatulência.

Em casos de diverticulite pode ocorrer febre alta e sepse. Sangramento retal é ocorrência incomum.

Complicações da diverticulite: constrição colônica, hemorragias, formação de fístula para intestino delgado, cólon, bexiga ou vagina.

Exames e Diagnóstico

Leucocitose (elevação do número de glóbulos brancos) é achado comum, embora inespecífico; Radiografias abdominais podem indicar deslocamento de cólon, gases extraluminais (fora da parte interna dos intestinos), ou anormalidades da mucosa colônica.

Tomografia Computadorizada do abdome (exame de escolha) pode demonstrar espessamento da parede intestinal, formação de abscesso e divertículos; Exame Endoscópico pode ser contra-indicado em casos de diverticulite por causa da possibilidade teórica de perfuração.

Tratamento

Recomenda-se uma dieta rica em fibras; Inicialmente uso de antibióticos de amplo espectro; Se a TC identificar abscesso de grandes dimensões, a drenagem percutânea por sonda pode ser uma medida temporária antes da terapia cirúrgica definitiva.

sábado, 16 de junho de 2012

Novidades em tecnologia médica





Câncer pode ser diagnosticado pelo hálito

Exames de diagnóstico de câncer são caros, complexos e invasivos, mas este cenário pode estar prestes a mudar. Uma nova tecnologia permite que a detecção da doença seja feita a partir da análise do hálito do paciente.

A nova técnica (que foi apresentada na reunião deste ano da American Society of Clinical Oncology) pode ser capaz de detectar câncer de mama e pulmão. Ainda é necessário que a técnica seja testada clinicamente. Se sua eficácia for comprovada ela poderá reduzir custos drasticamente, além de permitir a expansão do exame em países com infraestrutura inadequada ou onde mamografias são tabu.

A tecnologia foi desenvolvida no Georgia Institute of Technology.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Hipotireoidismo subclínico






O hipotireoidismo subclínico refere-se a um estado em que os pacientes não exibem sintomas de hipotireoidismo. Estes pacientes também tem níveis normais de hormônios tireoideos circulando no organismo.

A única anormalidade é um aumento de TSH no sangue. Isto mostra que a glândula hipófise está trabalhando muito para manter a produção de hormônios tireoidianos e que a tireoide requer estímulo extra da hipófise para manter a produção normal de hormônios.

A maioria dos pacientes podem esperar um progresso futuro para o hipotireoidismo, especialmente se os níveis de TSH já aumentaram além de um certo limite.

Existem alguns casos de hipotireoidismo subclínico em que são observados sintomas como fraqueza muscular e sensação de formigamento nas extremidades.

Pessoas com hipotireoidismo subclínico devem ser tratadas?

Embora haja algumas controvérsias, a maioria dos endocrinologistas concorda que estes pacientes devem ser tratados, especialmente se eles têm níveis aumentados de colesterol, uma vez que os níveis de colesterol vão mostrar melhorias com o tratamento com hormônios tireoidianos.

Se estes pacientes não se sentem mal e têm níveis de colesterol normais, eles podem ser acompanhados clinicamente, sem tratamento. Com dosagens periódicas de TSH de 4 a 6 meses de intervalo para ver se há alterações mais significativas de hipotireoidismo.

Pacientes e médicos devem conversar sobre os possíveis tratamentos, o acompanhamento a ser feito e quais são as preferências dos portadores desta condição.

O tratamento previne a evolução para o hipotireoidismo propriamente dito e as futuras elevações do TSH, pode prevenir o desenvolvimento de bócio e ajudar a eliminar sintomas e riscos do não tratamento.

O que é melhor para quem está nesta condição?

Se você acha que está apresentando sinais ou sintomas de hipotireoidismo, procure ajuda médica. Vocês podem decidir juntos o que fazer.

Alguns pacientes, particularmente aqueles com TSH acima de 10mU/l podem se beneficiar do tratamento com levotiroxina da mesma maneira que aqueles com hipotireoidismo primário. Esta recomendação faz parte do atual protocolo da Association of Clinical Biochemists, British Thyroid Association e British Thyroid Foundation.

Quais são os riscos de não tratar?

Os riscos de não tratar o hipotireoidismo subclínico são:

• Aumento do risco de infarto do miocárdio e aterosclerose.

• Aumento dos níveis de colesterol e triglicérides.

• Aumento do risco de depressão, ansiedade e ataques de pânico.

• Aumento do risco de abortamento.

• Risco aumentado de atraso de desenvolvimento de bebês nascidos de mães com hipotireoidismo subclínico durante a gestação.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Eletroneuromiografia




A eletroneuromiografia é um exame diagnóstico, utilizado na avaliação da condução nervosa e do estado dos músculos.

O exame é feito em duas etapas: na primeira mede-se a condução dos nervos, através de pequenos choques elétricos aplicados neles; na segunda, analisa-se a atividade muscular no repouso e no esforço muscular leve, por meio da introdução de agulhas nos músculos.

O aparelho que faz o exame capta e codifica a condução dos estímulos elétricos aplicados aos nervos e localiza os pontos de anormalidades ao longo de suas trajetórias e, através de agulhas semelhantes às que são usadas em acupuntura, capta também as descargas elétricas geradas pelos movimentos de contração dos músculos. Através destes sinais elétricos pode-se diagnosticar a possível origem do problema, se nervoso ou muscular.

O exame de eletroneuromiografia pode ser realizado no consultório, com o paciente deitado em posição dorsal, durante 20 a 30 minutos (os exames de mais de um seguimento corporal podem durar mais), examinando-se os segmentos corporais que se deseje.

Não há necessidade de nenhum preparo prévio para o exame. As únicas recomendações são:

• Não usar nenhum creme ou pomada sobre a pele da região a ser examinada, pois dificultam a adesão ou a condutividade dos eletrodos que serão colocados durante o exame.

• Suspender eventuais medicações que interfiram na condutividade nervosa, sob orientação médica.

A cada resultado obtido determina-se o próximo nervo a ser examinado. O exame de eletroneuromiografia pode ser ligeiramente desconfortável, mas não ocasiona dores ou mal-estar significativo. Os estímulos dados são pequenos choques elétricos de curtíssima duração e pouca intensidade, percebidos mais como pequenas pancadas que como pequenos choques. Eles se propagam pelos nervos e o aparelho mede a velocidade de propagação deste estímulo, levando à identificação de possíveis pontos com problemas. Os danos nos nervos causam redução da velocidade de propagação dos estímulos. Após essa etapa, faz-se a captação da atividade muscular no(s) segmento(s) corporais afetados. Essa medição é feita por meio do registro das contrações voluntárias dos músculos que se deseja examinar.

Quase não há contraindicações à eletroneuromiografia. Apenas deve-se evitar o exame em pacientes que usem marca-passo ou que estejam tomando anticoagulantes.

A eletroneuromiografia está indicada em todas aquelas situações em que se sabe ou se supõe haver alterações nos nervos periféricos ou nos músculos, as quais podem ter diversas causas:

• Doenças ocupacionais (do trabalho).

• Doenças traumáticas (acidentes por motos, carros, armas de fogo ou brancas).

• Doenças metabólicas (diabetes, alcoolismo), infecciosas e degenerativas.

• Acidentes neurológicos vários.

• Hérnias de disco cervical e/ou lombar.

• Síndrome do túnel do carpo e compressões do nervo ulnar.

Os pacientes acometidos por essas condições geralmente se queixam de terem áreas anestesiadas, sensações de formigamento e de distúrbios motores como redução da força, perda de massa muscular, câimbras e tremores excessivos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que é o ciclo menstrual.




Como é o ciclo menstrual?

Denomina-se ciclo menstrual às alterações fisiológicas cíclicas que ocorrem nas mulheres férteis e que têm como finalidade promover a fecundação e a consequente reprodução.

Com algumas modificações, por vezes significativas, ele ocorre também nas fêmeas de animais, mas neste artigo foca-se apenas o ciclo da mulher.

Em geral, e em resumo, passa-se o seguinte: após cada menstruação os óvulos contidos nos ovários começam a amadurecer, até que um deles se liberta do ovário e é captado pelas trompas de Falópio, caminhando por elas rumo ao útero. Se a meio caminho esse óvulo for fecundado por um espermatozoide, ele se fixará no útero e iniciará uma gravidez. Se a fecundação não ocorrer, será eliminado juntamente com o reservatório interno do útero, na menstruação. Inicia-se assim um novo ciclo menstrual, que deve ser contado a partir do primeiro dia da menstruação.

O ciclo menstrual é regulado por hormônios comandados pelo sistema hipotálamo-hipofisário e pode ser dividido em três fases: fase folicular, ovulação e fase luteínica. Essa regulação natural pode ser alterada por meio de certas medicações (geralmente hormônios), por certas doenças sistêmicas, alimentação, atividade sexual ou eventos psicológicos significativos. Os métodos anticoncepcionais hormonais, por exemplo, são alterações de tal natureza, induzidas propositadamente e destinadas a impedir a fecundação e a gravidez.

Como são as fases do ciclo menstrual?

• Fase folicular:
Os folículos são estruturas presentes nos ovários desde o nascimento da mulher, mas que permanecem inativos até a puberdade quando, sob a influência de hormônios, experimentam um maior desenvolvimento. A partir da puberdade, em cada ciclo menstrual um desses folículos se desenvolve até dar origem a um óvulo maduro, o qual se desprende do ovário e, se fecundado, resultará numa gravidez e, se não fecundado, acabará na menstruação. De cada vez, à medida que se desenvolvem, os folículos segregam quantidades cada vez maiores de estradiol, um estrogênio que estimula a proliferação do endométrio (revestimento interno do útero) e produz mudanças no muco cervical, preparando o organismo para a fertilização e para a nidação do embrião. Em virtude das alterações que acontecem no endométrio, a fase folicular costuma ser chamada de fase proliferativa. Essa fase começa com o início de cada menstruação, dura em média 15 dias e termina com a ovulação.

• Ovulação:
Mais ou menos na metade do ciclo, depois de 24 a 36 horas do pico de produção do hormônio luteinizante (LH), o ovário liberta um óvulo. Inicia-se, assim, a fase da ovulação. Se não houver fertilização, o óvulo liberado sobrevive no máximo por 24 horas e depois se desintegra. Durante a fase folicular, o estradiol a princípio inibe a produção de LH hipofisário, mas à medida que o óvulo se aproxima da maturação, os níveis de estradiol alcançam valores acima dos quais estimulam maior produção de LH. Isso faz com que o óvulo amadureça rapidamente e a parede do folículo enfraqueça, libertando o óvulo do ovário. É a ovulação, momento auge do ciclo menstrual.

Como efeito secundário, a temperatura corporal aumenta em todo esse período, tornando-se um dos indicativos de fertilidade que a mulher utiliza, se deseja ou não engravidar. Parece ser aleatório o fato de que seja o ovário direito ou o esquerdo que liberta o óvulo em cada ciclo, mas se ambos o fizerem num mesmo momento, darão origem a gêmeos bivitelinos.
Depois de liberado pelo ovário, o óvulo é captado pelas trompas, através da fímbria (pequena membrana no fim de cada trompa) e caminha por elas em direção ao útero. Nesse trajeto ele pode ou não encontrar-se com o espermatozoide e ser fecundado por ele. Se não ocorrer a fecundação, o óvulo se desintegra ou se dissolve após cerca de um dia; se a fecundação ocorrer, forma-se o ovo, que caminhará rumo ao útero, onde se aninhará e crescerá. A fertilização do óvulo pelo espermatozoide se dá normalmente na parte mais larga das trompas, a chamada ampola. Um óvulo fertilizado leva cerca de três dias para alcançar o útero e mais três dias para implantar-se no endométrio e iniciar a gestação.

• Fase luteínica:
Os resquícios do folículo de onde tenha saído o óvulo formarão o corpo lúteo, uma estrutura endócrina temporária, de cor amarelada, produtora de progesterona. Sob a influência desse hormônio, o endométrio se prepara para uma possível nidação de um embrião. Se ocorrer fecundação, o corpo lúteo permanecerá por cinco a seis meses, mantido pela gonadotrofina coriônica produzida pelo embrião. Se a fecundação não ocorrer, o corpo lúteo experimentará uma involução em cerca de 10 a 12 dias.

A duração da fase folicular em cada mulher varia um pouco de ciclo para ciclo, mas a fase luteínica é bastante regular. Uma vez que essa gonadotrofina é apenas produzida pelo embrião, muitos testes de gravidez baseiam-se na presença dela.

Qual é a duração de um ciclo menstrual?

A duração do ciclo menstrual varia em cada mulher, dentro de limites mais ou menos estritos. Em média, o ciclo completo em uma mulher sadia dura em torno de 28 dias, com uma variação de até oito dias entre o maior e o menor ciclo. Os ciclos menstruais variam também com fatores externos. Assim, por exemplo, observaram-se variações ligadas aos ciclos lunares. Um estudo extensivo demonstrou que cerca de um terço das mulheres tinha ciclos menstruais coincidentes com o ciclo lunar (29,5 dias mais ou menos) e quase dois terços revelaram que o seu ciclo se iniciava durante a fase mais brilhante do ciclo lunar. Outro estudo mostrou que um número estatisticamente significativo de menstruações ocorria durante a lua nova. Também se chegou a postular que muitas mulheres vivendo em ambientes confinados (prisões, conventos, etc.), seriam capazes de sincronizar entre si seus ciclos menstruais. Essa afirmação, contudo, depende de melhor confirmação.

O que é período fértil?

Período fértil é aquele no qual são maiores as probabilidades de que uma gravidez resulte de uma relação sexual. Ele ocorre entre os cinco dias que precedem a ovulação até o primeiro ou segundo dia que se sucede a ela. Em geral, isto corresponde à segunda e início da terceira semana do ciclo. Vários métodos foram desenvolvidos para permitir à mulher fazer uma estimativa dos dias férteis ou inférteis de seu ciclo menstrual. Eles tanto podem ser usados por mulheres que desejam uma gravidez (que devem procurar manter relações sexuais durante eles), quanto pelas que não a desejam (que devem evitar manter relações sexuais durante eles ou se utilizarem de algum método anticoncepcional).

O que é menstruação?

Externamente, a menstruação é o acontecimento mais chamativo do ciclo menstrual. Ela consta da eliminação periódica, pela vagina, de fluidos corporais e sangue provenientes da descamação do revestimento interno do útero, a qual ocorre em cada ciclo menstrual, sempre que não acontece uma gravidez. Ela é um acontecimento fisiológico normal, dura de 3 a 7 dias e sua regularidade sinaliza um sistema reprodutivo sadio. Em média, decorrem 28 (21 a 35) dias entre o fim de uma menstruação e o início da seguinte, mas esse intervalo pode variar de uma mulher para outra ou entre diferentes ciclos de uma mesma mulher.

Na fase inicial das menstruações (primeiras menstruações), é comum que ocorram intervalos de 4 a 6 meses ou, eventualmente, de até um ou dois anos sem que ela aconteça. Isso ocorre porque quando os ovários iniciam suas funções, eles ainda não estão completamente amadurecidos.

Curiosidades sobre o ciclo menstrual:

• Em média, a menstruação leva à perda de 40 ml de sangue (entre 10 ml e 80 ml). Geralmente, os contraceptivos intrauterinos (DIU) aumentam o sangramento, enquanto que os anticoncepcionais orais diminuem o fluxo menstrual.

• A primeira menstruação da menina é chamada menarca e ocorre, em média, por volta dos doze anos de idade (entre os 10 e 16 anos), ou seja, uns dois anos depois dos seios da menina começarem a crescer e pouco tempo depois de nascerem os pelos púbicos.

• Durante os primeiros dias da menstruação é comum haver cólicas abdominais e dores nas costas, crescimento e dores nas mamas, presença de acne e outros sintomas.

• A dor intensa no útero durante a menstruação é chamada dismenorreia e é mais frequente entre adolescentes e mulheres jovens.

• Quando a menstruação se inicia, normalmente diminui a intensidade dos sintomas associados à tensão pré-menstrual (TPM), como as dores nas mamas e a irritabilidade.

• Durante o período de aleitamento, a maioria das mulheres (cerca de 70%) não menstrua, mas isso não significa que não possam engravidar.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Água é fundamental.






Sangue, músculos, pulmões e cérebros, todos contém água. E você precisa de água para regular a sua temperatura corpórea e prover as estruturas orgânicas com nutrientes, em nível de tecidos e órgãos.

A água também é importante para conduzir o oxigênio para todas as células, assim como o é para remover as impurezas através dos rins e lubrificar as juntas de todo corpo.

A perda acentuada de água leva à desidratação. Os sintomas da desidratação são sede, dores articulares e musculares, dores lombares, dores de cabeça e constipação intestinal, por exemplo.

Se sua urina está com cor amarelo-escura, há indícios de que provavelmente você esteja ingerindo menos água do que deveria. Mas esse dado pode ser confundido com a ingestão de alguns medicamentos, como, por exemplo, vitamina B.

Você perde água durante a diurese, a respiração e pelo suor. E perde mais água quando tem mais atividade física do que quando é sedentário.

Álcool, diuréticos, cafeína e alguns medicamentos promovem uma maior perda de água do organismo.

Para tudo isso é necessário que se providencie uma reposição deste líquido vital para a vida.

Mas quanto de água precisamos ingerir diariamente?

Devemos considerar que cerca de vinte por cento da água que necessitamos vem dos alimentos que comemos. O restante vem do quanto você toma de líquido diariamente.

Uma base de cálculo empírico diz que podemos fazer o seguinte cálculo: seu peso em Kg dividido por 36 dá, em litros quando você precisa ao todo por dia.

Por exemplo, você pesa 72 Kg, dividido por 36, dá 2 L. Considerando que vinte por cento vem da alimentação, então, em condições basais (sem aumento da eliminação de água pelos mecanismos já citados) dá para dizer que você precisaria tomar 1,6 L de água ao dia, o que dá cerca de cinco copos de 300 mL ao dia.

Mas, cá entre nós, quem faz isso?

Então, programe-se e comece a tomar 2 copos de água pela manhã, dois à tarde e pelo menos um à noite, para ficar perto de suas necessidades de água diárias.

Não serve refrigerante. Suco, depende de qual suco. Chá, também depende. O melhor, mesmo, é tomar água.

Ah, mas eu não gosto de tomar água! Não tem gosto! Pois é, então você pode adquirir água “flavorizada”, ou “saborizada”, em português.

Mas, cá entre nós, água “flavorizada” é cara. Vá ao mercado para se certificar e terá um susto.

Então, vou dar algumas sugestões que você pode preparar em casa mesmo, sem que fique dolorido para seu bolso (que é, de fato, o órgão mais sensível do corpo humano).

Adicione à sua água, em repouso por algum tempo (um dia ou dois) um dos seguintes componentes e verá que pode ficar distante dos xaropes, dos açúcares, do excesso de sal e da cafeína excessiva:

• Uma fatia de limão ou lima;

• Um pequeno pedaço de alguma fruta;

• Uma pequena quantidade de concentrado de uva ou amora;

• Uma pequena fatia de melão;

• Algumas folhas de hortelã;

• Um saquinho de chá de ervas.

Você terá uma diferenciação de sua água, que ficará mais palatável para ser tomada fresquinha ou gelada.


Fonte: http://www.about.com/#!/editors-picks/

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dentes de leite






Como é a nossa dentição?

A dentição humana é feita em duas etapas. A primeira dura até os 6-7 anos, quando os dentes deciduais (também chamados “dentes de leite”) começam a ser substituídos pelos dentes permanentes. Esse processo se completa aos 11-12 anos, mas os terceiros molares (sisos), que não existem na primeira dentição, podem aparecer apenas depois dos 18 anos de idade.

Os dentes de leite “amolecem” e caem espontaneamente, empurrados pelos dentes definitivos que vêm aparecendo. Entre as duas dentições há diferenças importantes. Em primeiro lugar, os “dentes de leite” são em número de 20 e os definitivos em número de 32. Em média, os primeiros dentes dessa dentição inicial começam a irromper aos seis meses e aos 30 meses já estão completos.

Os cuidados com os dentes de leite só começam após o seu nascimento?

Não. Desde antes do nascimento dos dentinhos, os pais devem tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, quando eles estão ameaçando emergir, o bebê apresenta um aumento de salivação, fica mais irritado e experimenta um desconforto gengival que o incomoda. Nessa fase, o bebê pode aumentar sua tendência a chupar o dedo e é importante providenciar algum objeto ou brinquedo macio, geralmente de borracha ou de plástico, para que o bebê possa morder. Isso alivia seu desconforto e o deixa mais calmo. Existem mordedores que podem ser colocados na geladeira e, oferecidos ao bebê, ajudam a reduzir o desconforto por causarem certa anestesia local.

E depois que eles nasceram?

Uma vez surgida a dentição, é importante cuidar dela desde cedo, porque ela também está ameaçada pelas cáries e pelos problemas periodontais. Os pais devem higienizar a cavidade bucal do bebê logo que apareçam os primeiros dentes. Para tal, existem dedeiras ou escovas dentárias especiais para bebês. Pastas de dente sem flúor também estão disponíveis.

Quando a criança já é mais crescida, os pais devem incentivá-la ao hábito de usar o fio dental e escovar os dentes, supervisionando-a em tais atos e instruindo-as quanto às maneiras corretas de realizá-los.

Os “dentes de leite” devem ser examinados periodicamente por um dentista e tratados quando necessário. Como ocorre com os dentes permanentes, “dentes de leite” estragados também doem e prejudicam a mastigação e a digestão dos alimentos. Alguns deles permanecerão na boca por mais de 10 anos! Além disso, haverá um tempo em que esses dentes conviverão com dentes permanentes e podem transmitir a eles suas cáries e infecções. Maus “dentes de leite” levam a maus dentes permanentes.

Quais são os sintomas do nascimento de novos dentes?

São sinais e sintomas da pré-dentição e do afloramento dos dentes:

• Levar os dedos e mãos à boca com muita frequência.

• Manifestação de desejo irrefreável de morder, para pressionar as gengivas.

• Baba mais abundante, resultando em estímulo à salivação.

• Maior irritabilidade que o normal.

• Diminuição do apetite e maior dificuldade para mamar, devido ao aumento da dor.

• Febre baixa.

• Inflamação das gengivas.

Quais são as medidas que podem aliviar o mal-estar do bebê durante o surgimento dos dentes?

• Uso de mordedores de borracha ou de plástico. Melhor ainda são os brinquedos com um líquido (geralmente água) dentro que podem ser colocados na geladeira. A baixa temperatura promove certo grau de anestesia, fazendo a criança sentir grande alívio.

• Esfregar suavemente a gengiva com um dedo previamente mergulhado em água fria.

• Oferecer alimentos e líquidos frios.

• Usar analgésicos, anti-inflamatórios ou gel frio, aconselhados pelo pediatra.

Como é a troca dos dentes deciduais pelos permanentes?

A natureza programou para que essa troca se dê na criança, entre os 6 e os 12 anos, mais ou menos. Nessa faixa etária os dentes permanentes começam a emergir e “sugam” o cálcio da raiz dos “dentes de leite” que então amolecem e, sem raízes, tendem a cair. Geralmente eles podem ser retirados facilmente, às vezes pela própria criança ou por seus pais. Se esse amolecimento e queda durar mais que o esperado, a criança deve ser levada a um dentista, que completará o processo que, em geral, é indolor e não sangra ou sangra muito pouco.

Uma tabela mostrando a ordem em que os dentes permanentes emergem na boca representa apenas uma tendência dominante e comporta muitas exceções. Afinal, também nessa matéria cada indivíduo é diferente de outro. Em geral, os dentes permanentes surgem na seguinte sequência:

1. Primeiros molares, aos 6 anos.

2. Incisivos centrais inferiores, aos 6-7anos.

3. Incisivos laterais inferiores, simultaneamente ou pouco depois.

4. Incisivos centrais superiores, poucos meses após.

5. Incisivos laterais superiores, cerca de um ano mais tarde.

6. Pré-molares, aos 10 anos.

7. Caninos inferiores, também aos 10 anos.

8. Segundos pré-molares, no ano seguinte.

9. Caninos superiores, no ano seguinte.

10. Molares, aos 12 anos.

Os terceiros molares, também chamados “dentes do siso” (siso = juízo), não surgem antes dos 17 anos. Em algumas pessoas ele nunca chega a despontar e permanece incluso no osso da mandíbula. Outras vezes, quando cria problemas, é extraído pelo dentista, sem maior prejuízo funcional.

Algumas sugestões para evitar cáries:

• Escovar os dentes após as refeições, para evitar a conservação de resíduos alimentares entre os dentes ou na superfície deles, porque tais resíduos favorecem a proliferação dos germes que ocasionam as cáries.

• Evitar doces, balas ou outros alimentos que contenham açúcares, se não puder escovar os dentes logo em seguida. O açúcar é o grande vilão das cáries.

• Usar o fio dental.

• Se nascerem dentes permanentes tortos ou fora do lugar, fazer correção ortodôntica. Alinhar corretamente os dentes não tem só um efeito estético. Melhora a mastigação, previne cáries e os problemas de gengivas e facilita a respiração.