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sábado, 31 de março de 2012

A depressão clínica é um fator de confusão forte no aumento do risco de suicídio entre as pessoas fisicamente doentes.

A maioria dos estudos anteriores examinou o risco de suicídio em relação a uma única doença física. Pesquisadores da University of Manchester estimaram o risco relativo de suicídio em uma série de doenças físicas, para avaliar o efeito de confusão da depressão clínica e a modificação do efeito por sexo e idade. Foram analisados 873 casos de suicídio de adultos e 17.460 controles pareados por idade e sexo. Doença cardíaca coronariana, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica e osteoporose foram relacionados com elevação do risco de suicídio, e, com exceção da osteoporose, o aumento foi explicado pela depressão clínica. O único risco significativamente elevado nos homens foi relacionado à osteoporose. Em mulheres com câncer e doença coronariana, uma elevação significativa do risco persistiu após o ajuste para a depressão. De modo geral, maior risco foi confinado às mulheres fisicamente doentes com idade inferior a 50 anos e para mulheres mais velhas com várias doenças físicas. Os achados indicam que a depressão clínica é um fator de confusão forte no aumento do risco de suicídio entre as pessoas fisicamente doentes. Foi também demonstrada uma elevação independente do risco associada com determinados diagnósticos, particularmente entre as mulheres.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Enxaquecas, de novo! Algumas novidades.





Dores de cabeça fazem parte da história da humanidade, certamente, e existem cerca de 150 tipos diferentes delas.

No entanto, a enxaqueca, ou hemicrania é o tipo de cefaleia que costuma causar maiores preocupações, pois, em função dela existir, abre-se um leque de possibilidades que podem justificar preocupações das mais variadas.

Dados estatísticos demonstram que vinte por cento das mulheres é afetada por ela e esses dados são alarmantes, por se tratar de número expressivo de pacientes.

Eventualmente homens e crianças também são afetados, mas certamente o número de casos é bem inferior.

Há muito folclore a respeito das enxaquecas e os pacientes afetados procuram as mais variadas “soluções” para tentarem se livrar dela, como, por exemplo, dormir mais que necessário, comer com frequência (o jejum seria um agente causador de crise), não comer soja (?), evitar bebidas alcoólicas (faz sentido) e alimentos com corantes artificiais, só a título de curiosidade.

Mas há informações, em estudos (revista Neurology), que demonstram que pacientes portadores de enxaqueca têm maior risco para apresentar hipertensão arterial, diabetes e elevação de colesterol.

No mesmo estudo ficou demonstrado que pacientes “enxaquecosos” apresentam, também, maior possibilidade de ter infarto do miocárdio (coração), doença arterial periférica e derrame cerebral (stroke), por isso é muito importante manter o paciente sob vigilância e controle das crises.

Parece que, com referência ao risco de derrame cerebral os mais propensos são aqueles que apresentam a enxaqueca com aura, aqueles sintomas visuais que antecedem a crise.

Com relação à região afetada durante a crise, as pesquisas com imagens dinâmicas mostram que as áreas cerebrais afetadas são estruturas do tronco encefálico, uma parte, digamos, “mais antiga” na formação do sistema nervoso como um todo.

Os estímulos externos, tanto físicos, quanto emocionais são capazes de intensificar ou mesmo provocar uma crise de enxaqueca, justamente por conta de que essas áreas estão profundamente ligadas à percepção do meio ambiente.

Como de hábito, o neurotransmissor mais envolvido no processo de desencadeamento da crise é a serotonina.

Acupuntura e a toxina botulínica (Botox) são muito eficientes no tratamento de controle das crises de enxaqueca, sendo que a primeira – posso dizer por experiência clínica – é capaz de reduzir a intensidade das crises acentuadamente e aumentar em muito o período entre elas, quer dizer, a frequência diminui substancialmente.

Há medicamentos modernos muito bons para aliviar as dores da enxaqueca e todos estão envolvidos com a liberação de serotonina. Não vou citar nomes comerciais, mas costumo prescrever alguns deles e sempre oriento para o paciente que tome a medicação assim que iniciar os primeiros sinais de crise, para “abortá-la” o mais rapidamente possível.

A enxaqueca não tem cura, mas tem como controlar bem, apenas tomando o cuidado de não buscar soluções “mágicas” e folclóricas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Pipoca tem mais antioxidantes que frutas e verduras???





Não tem como negar que um bom filme pede aquele balde de pipoca, mas, agora, além de acompanhar momentos de diversão, esse aperitivo tem se mostrado uma aliada da saúde.

Pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram que a pipoca contém uma quantidade maior de substâncias antioxidantes, chamadas de polifenois, do que frutas e verduras.

Essas substâncias, bem como as fibras, estão presentes em maior quantidade na casquinha da pipoca.

Contudo, para aproveitar esses benefícios não adianta fazer pipoca na gordura e colocar muito sal.

O mesmo vale para pipoca doce, que pode ser uma bomba nutricional. O ideal é usar o mínimo de gordura e sal no preparo do alimento para comer sem culpa.

Polifenóis são substâncias caracterizadas por possuírem uma ou mais hidroxilas ligadas a um anel aromático. Então, são fenóis, porém podem apresentar um ou mais grupos hidroxila e mais de um anel aromático.

Geralmente os polifenóis são sólidos, cristalinos, tóxicos, cáusticos e pouco solúveis em água.

São visíveis na luz UV.

Geralmente os polifenóis são substâncias naturais encontradas em plantas, tais como flavonóides, taninos, lignanas, derivados do ácido cafeico, dentre outras. Muitas destas substâncias são classificadas como antioxidantes naturais e possuem propriedades terapêuticas, estando presentes em alimentos e plantas medicinais.

Em química, uma hidroxilaPB ou hidroxiloPE (também chamada de oxidrila) é um grupo funcional presente nas bases dos hidróxidos, representado pelo radical OH- e formado por um átomo de hidrogênio e um de oxigênio.

Obtidas geralmente através da dissociação de uma base, as hidroxílas também determinam o carater ácido-básico (pH) de uma solução, sendo que quanto maior sua concentração, maior é o carater básico e menor o ácido.

Grupos inorgânicos que contém hidroxilas são denominados hidróxidos, e alguns exemplos são:

Hidróxido de sódio, soda cáustica (NaOH)
Hidróxido de potássio, (KOH)
Hidróxido de cálcio, (Ca(OH)2)

Substâncias orgânicas cujas moléculas contêm hidroxila:

Álcoois
Fenóis

Representação de uma hidroxila:






Anéis aromáticos:

Aromaticidade é uma propriedade química na qual um anel conjugado de ligações insaturadas, pares de elétron isolados, ou orbitais vazios exibem uma estabilização mais forte do que a esperada devido apenas à conjugação. Também pode ser considerada como uma manifestação de deslocalização cíclica e de ressonância.



Representação de anel aromático:

quarta-feira, 28 de março de 2012

Esgotamento




É muito tênue o limte entre a loucura e a desrazão. A expressiva maioria dos Transtornos Afetivos, onde se incluí a Depressão, proporciona atitudes psicoemocionais não alienantes, ou seja, proporcionam um descontrole da crítica e do juízo muito mais próximo da desrazão que da alienação. As patologias alienantes são as esquizofrenias, demências, deficiências mentais, psicoses orgânicas e surtos de mania.

Devemos considerar o estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina entende-se o estresse como uma ocorrência global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.

Fisicamente o estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, à uma situação entendida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar para adaptar-se, conseqüentemente, sobreviver. Portanto, o estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.
Esgotamento

Atualmente esse termo é de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que chamamos vida moderna. Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como formas de algum transtorno emocional, é claro. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da "piração" ou da loucura e, como de fato, todos temos a possibilidade de, pelo menos uma vez na vida, sermos afetados pelo estresse, pelo esgotamento ou pela depressão, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional.

O que popularmente (e corretamente) se conhece por esgotamento teria origem em duas ocasiões (Figura 1): primeiro, quando a situação à qual a pessoa terá que se adaptar (estímulo externo ou interno) for suficientemente importante e duradoura para gerar forte tensão. Nesse caso haverá esgotamento por falência adaptativa, devido aos esforços (emocionais) para superar uma situação de forte tensão, normalmente considerada provocativa do ponto de vista subjetivo ou objetivo (situação b da Figura 1). Isso quer dizer que o estímulo necessário para desencadear o estresse seria ameaçador tanto para a pessoa que a ele está reagindo, quanto para outras pessoas submetidas à mesma situação.



Em segundo lugar, o esgotamento ocorre quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficientemente adequada para adaptar-se a vários aspectos da vida cotidiana. Os estímulos estressores, nesse caso, são estressores exclusivamente para essa determinada pessoa, portanto, objetivamente falando, são estímulos não tão traumáticos. Isso quer dizer que a pessoa sucumbiria emocionalmente a situações não tão aversivas para outras pessoas colocadas na mesma situação mas, não obstante, particularmente agressivas a ela. Seria uma ameaça subjetivamente representada.

Digamos, então, que o esgotamento ou a ansiedade crônica e patológica poderiam surgir em duas circunstâncias: 1 - decorrente daquilo que o mundo traz à pessoa (seu destino) e; 2 - decorrente daquilo que a pessoa traz ao mundo (sua sensibilidade pessoal).

O assunto poderia ser tratado dessa forma simples e prática, sem mistérios, se não fosse o ditado popular de que "cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça". Isso sugere a idéia de que o destino pode, não obstante, modular ou condicionar determinada forma de valorizar a realidade, a tal ponto que os fatos poderiam, dependendo das vivências de cada um, significar estímulos de maior ou menor capacidade estressora.

Assim sendo, podemos supor que nossos filtros afetivos tenham, não apenas uma natureza constitucional ou biológica mas, sobretudo, uma natureza bio-psíco-dinâmica. Nesse caso, a serotonina, o GABA, os neuroreceptores variados, a adrenalina e as vias neuronais, representariam a porção constituição da personalidade que reage à vida, de maneira específica e pessoal. A vida ou o destino em si, por outro lado, representariam o elemento circunstancial da personalidade que reage à vida.

Assim sendo, a situação conhecida por esgotamento não se limita às questões adaptativas de natureza eminentemente emocional, como acreditam muitos. Fisicamente há no esgotamento alterações significativas em todo organismo, a começar pelas glândulas supra-renais (de adrenalina e cortisona). Por causa das alterações hormonais produzidas nessas glândulas no "esgotamento", poderá haver dificuldades no controle da pressão arterial, alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema imunológico e no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras modificações orgânicas. Psiquicamente, a ansiedade crônica do "esgotamento" acaba levando a um estado de apatia, desinteresse, desânimo e uma espécie de pessimismo em relação à vida.

Organicamente, no esgotamento, há alterações significativas nas glândulas supra-renais (de adrenalina e cortisona), há dificuldades no controle da pressão arterial, há alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema imunológico, no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras. Psiquicamente a ansiedade crônica ou esgotamento leva à um estado de apatia, desinteresse, desânimo e uma espécie de pessimismo em relação à vida. Se hoje sabemos muito sobre o estresse e a ansiedade, tanto do ponto de vista comportamental quanto neuroquímico, pouco sabemos ainda sobre seu aspecto principal ou primordial.

Estamos falando sobre esse tal estímulo desencadeador. É por aí onde tudo começa, ou seja, todas as reações orgânicas, as atitudes, emoções, comportamentos, alterações químicas fisiológicas, etc e tal, começam sempre à partir do tal estímulo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Arroz branco aumenta risco de diabetes mellitus





Meta-análise (pesquisa na literatura científica) publicada pelo British Medical Journal (BMJ) mostra que o consumo de arroz branco pode aumentar o risco de diabetes mellitus tipo 2. Este risco está associado à porção ingerida e é maior em populações asiáticas que têm o hábito de consumir maior quantidade deste alimento.

Meta-análise de estudos de coorte prospectivos sobre estimativas de risco para diabetes mellitus tipo 2 associadas a níveis de ingestão de arroz branco foi realizada por pesquisadores da Harvard School of Public Health. O estudo teve o objetivo de verificar se este risco depende da quantidade ingerida e se esta associação é maior em populações asiáticas, as quais tendem a consumir mais arroz branco do que as populações ocidentais.

Os autores analisaram os resultados de quatro artigos: dois incluindo populações asiáticas (China e Japão) e dois com populações ocidentais (USA e Austrália). Um total de 13.284 casos incidentes de diabetes tipo 2 foram verificados em 352.384 participantes do estudo. O tempo de acompanhamento variou de 4 a 22 anos. Asiáticos (chineses e japoneses) consumiam mais arroz branco do que as populações ocidentais (os níveis de ingestão média eram de três a quatro porções por dia contra uma a duas porções por semana).

O arroz branco tem índice glicêmico alto. Dietas com alto índice glicêmico estão associadas ao aumento no risco de desenvolver diabetes mellitus. Os autores observaram que quanto maior o consumo de arroz branco ingerido, maior o risco de diabetes tipo 2. A estimativa é de que o risco de diabetes tipo 2 aumente 10% para cada porção de arroz branco ingerida (uma porção de 158g de arroz branco).

O arroz branco é pobre em nutrientes. Já o arroz integral inclui fibra, magnésio e vitaminas, algumas das quais estão associadas ao menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os autores da meta-análise relataram que a maior ingestão de arroz branco pode estar ligada ao maior risco da doença devido à baixa ingestão desses nutrientes.

Concluiu-se que o maior consumo de arroz branco está associado a um risco significativamente aumentado de diabetes tipo 2. Isto se aplica a populações asiáticas e ocidentais. Os achados mostram que quanto maior a quantidade consumida, maior o risco, o que faz pensar que as populações asiáticas estão sob maior risco.

Os autores recomendam a ingestão de arroz integral e grãos integrais no lugar de carboidratos refinados como arroz branco, assim eles esperam contribuir para reduzir a epidemia global de diabetes mellitus. Já o Dr. Bruce Neal, da Universidade de Sydney, sugere que outros estudos maiores são necessários para substanciar esta hipótese de que o arroz branco aumenta o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2.

Fonte: British Medical Journal (BMJ), de 15 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Descoberta proteína que participa da calvície masculina...





Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia descobriram que níveis elevados de uma proteína, chamada prostaglandina D sintetase, nas células dos folículos pilosos localizados em regiões calvas do couro cabeludo, mas não nas zonas com cabelos, pode ser uma das explicações para a queda de cabelo masculina. O papel da testosterona e de fatores genéticos continua sendo essencial na alopécia androgenética.

O estudo, publicado na revista Science Translational Medicine, talvez revele uma possibilidade para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da alopécia androgenética.

Segundo George Cotsarelis, coordenador do trabalho, a pesquisa mostrou que a proteína prostaglandina D sintetase está elevada no couro cabeludo calvo dos homens e que ela inibe o crescimento de cabelos. Ratos geneticamente modificados para ter níveis elevados dessa proteína ficaram completamente carecas.

Os cientistas também mostraram que pelos de folículos pilosos humanos transplantados pararam de crescer na presença da proteína. A inibição do crescimento do cabelo é desencadeada quando a proteína se liga a um receptor nas células dos folículos pilosos.

Os investigadores dizem que há potencial para o desenvolvimento de um tratamento que pode ser aplicado no couro cabeludo para prevenir a calvície e possivelmente ajudar no crescimento dos cabelos.


Fonte: Science Translational Medicine

sábado, 24 de março de 2012

TPM




A observação de que as mulheres experimentavam maior incidência de cefaléia, queixas somáticas e aumento de tensão no período pré-menstrual remonta aos tempos de Hipócrates e da escola da Grécia antiga. O ciclo menstrual da mulher tem sido, assim, relacionado desde os primórdios da medicina ao surgimento ou exacerbação de vários distúrbios psíquicos, desde o simples aumento da ansiedade e irritabilidade, até o surgimento de delírios e ideações suicidas.

Modernamente, as primeiras descrições do problema sob a denominação de Tensão Pré-menstrual (TPM) aparecem em 1931, quando se notava que as mulheres na última fase do ciclo menstrual experimentavam tensão emocional e desconforto físico.

Foram aventadas teorias psicológicas para explicar o fenômeno, incluindo condições neuróticas, de identidade feminina, conflitos, estressores, etc., como a base desse transtorno.

Também já se falou em Síndrome Pré-menstrual (SPM), onde os principais sintomas físicos seriam o dolorimento e tumefação das mamas (mastalgia), cefaléia e alterações do humor, os quais acometeriam cerca de 75% das mulheres durante 3 a 10 dias anteriores à menstruação. A partir do DSM-IV este distúrbio passou a se chamar Transtorno Disfórico Pré-menstrual (TDPM). Nesta classificação o TDPM está incluído em Transtornos Depressivo Sem Outra Especificação.

Sobre o TDPM o DSM.IV diz:

"Transtorno disfórico pré-menstrual: na maioria dos ciclos menstruais durante o ano anterior, sintomas (por ex., humor acentuadamente deprimido, ansiedade acentuada, acentuada instabilidade afetiva, interesse diminuído por atividades) ocorreram regularmente durante a última semana da fase lútea (e apresentaram remissão alguns dias após o início da menstruação). Estes sintomas devem ser suficientemente severos para interferir acentuadamente no trabalho, na escola ou atividades habituais e devem estar inteiramente ausentes por pelo menos 1 semana após a menstruação."


Assim sendo, podemos dizer que a Tensão Pré-Menstrual (TPM) é um mal que atinge uma grande parte da população feminina. É um período leigamente muito conhecido como "aqueles dias" . Mas será que isso é normal? Será que todos os meses você precisa "sofrer", passar por isso? Com uma grande variedade de intensidade e de sintomas, a TPM acaba dependendo do estado emocional, físico e da idade da pacientes.

Após esses estudos chegou-se à conclusão de que as pacientes portadoras de TPM podem e devem ser tratadas adequadamente. A paciente nota sensível melhora com o tratamento, seus filhos e maridos agradecem assim como seus colegas de trabalho.

Muitos estudos vêem pesquisando sobre as eventuais causas da TPM e, até agora, pode-se afirmar simplesmente que sua causa principal se relaciona ao metabolismo próprio de cada paciente, aliado às mudanças hormonais à que elas estão sujeitas.

Portanto, a tensão pré-menstrual (TPM) parece e ser um distúrbio relacionado ao desequilíbrio entre os dois principais hormônios femininos envolvidos na segunda fase do ciclo menstrual, isto é, após o período da ovulação e que precede a menstruação.

Em alguns casos a TPM pode ser resultante de distúrbios orgânicos que interferem no funcionamento dos ovários, das supra-renais ou de alterações no funcionamento cerebral. Outras vezes parece tratar-se de uma conseqüência de alguma notável alteração emocional afetiva, pois, diversas evidências falam a favor de uma associação entre a TPM e os transtornos depressivos, levando à sugestão de que um tipo específico de alteração pré-menstrual, caracterizada por modificações de humor, poderia representar um subtipo de algum Transtorno Depressivo, o qual se manifestaria ciclicamente.

E, de fato, a TPM se apresenta-se de forma bastante semelhante à descrita para a depressão atípica, ou seja, com humor deprimido, reações excessivas à alterações do ambiente, hipersonia (muito sono), aumento do apetite com predileção por carboidratos, fadiga, sensibilidade à rejeição, ansiedade e irritabilidade. Além disso, outra evidência a favor da associação entre TPM e transtornos depressivos é o fato de que um dos tratamentos mais efetivos para controle dos sintomas pré-menstruais, é o uso de antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina.

Alguns estudos mostram que, em torno de 80% das mulheres em geral apresentam algum tipo de alteração no período pré-menstrual e em 52% delas os sintomas interferem drasticamente no humor, no comportamento e no organismo. As conseqüências emocionais da TPM podem afetar o relacionamento social, ocupacional e conjugal dessas pessoas e o maior índice de violência entre as mulheres está intimamente relacionado ao período Pré-Menstrual?

Portanto, a Tensão Pré-Menstrual é um conjunto de alterações físicas e emocionais que certas mulheres apresentam nos dias que antecedem a menstruação. As principais alterações emocionais são o humor irritável, depressivo ou instável, podendo haver mudanças rápidas de atitude afetivas, como por exemplo, passar de chorosa para irritável abruptamente. Há ainda diminuição da tolerância com perda da paciência e crises de explosividade a qualquer momento. Do lado depressivo pode haver sensação de falta de energia, cansaço exagerado e dificuldades de concentração.

Do ponto de vista físico, as principais alterações podem ser dores de cabeça, dores nas mamas, dores nas juntas, ganho de peso, sensação de estar inchada, insônia ou sonolência e alterações do apetite.

Para se fazer o diagnóstico é preciso que a mulher possua os sintomas da TMP na maioria dos ciclos e não apenas em alguns.

A sintomatologia da TPM pode ser considerada em 4 grupos, os quais podem manifestar-se isoladamente ou em combinação variável de pessoa-a-pessoa:

1. com predomínio de ansiedade e agressividade;
2. com predomínio de alterações afetivas, notadamente com sintomas depressivos.
3. com predomínio de queixas físicas resultantes de acúmulo e retenção de líquidos;
4. com predomínio de alterações alimentares, desde anorexia ou bulimia, ou mesmo alterações do apetite seletivo, como por exemplo, vontade de consumir doces.

Esses 4 grupos de sintomas da TPM se relacionam a alterações hormonais, alterações bioquímicas e metabólicas, e a desequilíbrio dos neurotransmissores (substâncias relacionadas à regulação do humor, da disposição e do ânimo).

Apesar de 80% da população geral feminina apresentar sintomas pré-menstruais, apenas cerca de 8% costumam satisfazer os estritos critérios de diagnóstico para a Síndrome Pré-Menstrual, conforme a listagem abaixo.

Critérios para Síndrome Pré-Menstrual

A paciente deve apresentar por 2 ou 3 ciclos menstruais 5 ou mais sintomas da lista abaixo na última semana do ciclo, devendo tais sintomas estar ausentes na pós-menstruação

1. Marcante humor depressivo, sentimentos de desesperança ou autodepreciativos
2. Marcante ansiedade e tensão
3. Marcante labilidade afetiva
4. Irritabilidade e/ou agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal
5. Diminuição do interesse para atividades usuais
6. Dificuldades de pensamento, memória e concentração
7. Cansaço, fadiga e perda de energia
8. Alterações do apetite e/ou da aceitação de determinados alimentos
9. Alterações do sono (insônia ou hipersonia)
10. Sensação subjetiva de opressão ou perder o controle
11. Outros sintomas físicos tais como turgência nos seios, cefaléia, dor muscular, inchaço, ganho de peso.
12. O distúrbio deve interferir marcantemente com a ocupação, atividades sociais e de relacionamento.

Apesar desses critérios, a expressiva maioria das mulheres que experimentam algum tipo de mal estar durante o período pré-menstrual, embora não sejam rigidamente classificadas como portadoras de Síndrome Pré-Menstrual, podem ser abordadas como portadoras de Tensão Pré-Menstrual sob o ponto de vista clínico e terapêutico.

Transtornos Emocionais na Escola




A escola oferece um ambiente propício para a avaliação emocional das crianças e adolescentes por ser um espaço social relativamente fechado, intermediário entre a família e a sociedade. É na escola onde a performance dos alunos pode ser avaliada e onde eles podem ser comparados estatisticamente com seus pares, com seu grupo etário e social.

Com algum preparo e sensibilidade o professor estaria mais apetrechado do que os próprios pediatras, dispondo de maior oportunidade para detectar problemas cruciais na vida e no desenvolvimento das crianças.

Dentro da sala de aula há situações psíquicas significativas, nas quais os professores podem atuar tanto beneficamente quanto, consciente ou inconscientemente, agravando condições emocionais problemáticas dos alunos. Os alunos podem trazer consigo um conjunto de situações emocionais intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, podem trazer para escola alguns problemas de sua própria constituição emocional (ou personalidade) e, extrinsecamente, podem apresentar as conseqüências emocionais de suas vivências sociais e familiares.

Como exemplo de condição emocional intrínseca estão os problemas psíquicos inerentes à própria pessoa, próprias do desenvolvimento da personalidade, dos traços herdados e das características pessoais de cada um. Incluem-se aqui os quadros associados aos traços ansiosos da personalidade, como por exemplo a Ansiedade de Separação na Infância, os Transtornos Obsessivo-Compulsivos, o Autismo Infantil, a Deficiência Mental, Déficit de Atenção. Incluem-se também os quadros associados aos traços depressivos da personalidade, como é o caso da Depressão na Adolescência, Depressão Infantil , e outros mais sérios, associados à propensão aos quadros psicóticos, como a Psicose Infantil, Psicose na Adolescência e associados aos transtornos de personalidade, a exemplo dos Transtorno de Conduta, entre outros.

Entre as questões externas à personalidade capazes de se traduzirem em problemas emocionais, encontram-se as dificuldades adaptativas da Adolescência e Puberdade, do Abuso Sexual Infantil, os problemas relativos à Criança Adotada, à Gravidez na Adolescência, à Violência Doméstica, aos problemas das separações conjugais dos pais, morte na família, doenças graves, etc.

O preparo e bom senso do professor é o elemento chave para que essas questões possam ser melhor abordadas. A problemática varia de acordo com cada etapa da escolarização e, principalmente, de acordo com os traços pessoais de personalidade de cada aluno. De um modo geral, há momentos mais estressantes na vida de qualquer criança, como por exemplo, as mudanças, as novidades, as exigências adaptativas, uma nova escola ou, simplesmente, a adaptação à adolescência.

As crianças e adolescentes, como ocorre em qualquer outra faixa etária, reagem diferentemente diante das adversidades e necessidades adaptativas, são diferentes na maneira de lidar com as tensões da vida. É exatamente nessas fases de provação afetiva e emocional que vêem à tona as características da personalidade de cada um, as fragilidades e dificuldades adaptativas.

Erram, alguns professores menos avisados, ao considerar que todas as crianças devessem sentir e reagir da mesma maneira aos estímulos e às situações ou, o que é pior, acreditar que submetendo indistintamente todos alunos às mais diversas situações, quaisquer dificuldades adaptativas, sensibilidades afetivas, traços de retraimento e introversão se corrigiriam diante desses “desafios” ou diante da possibilidade do ridículo. Na realidade podem piorar muito o sentimento de inferioridade, a ponto da criança não mais querer freqüentar aquela classe ou, em casos mais graves, não querer mais ir à escola.

Para as crianças menores, por exemplo, existem as ameaças ou a ridicularização pelas mais velhas, e esse sentimento de ridicularização é tão mais contundente quanto mais retraída e introvertida é a criança. Já, para os adolescentes, as ameaças de ansiedade geradas em ambiente intraclasse são o desempenho aquém da média nos times esportivos, nos trabalhos em grupo, as diferenças sócio-econômicas entre os colegas, as diferenças no estilo e nas possibilidades de vida, no vestuário, etc.

Como se sabe, a escola é um universo de circunstâncias pessoais e existenciais que requerem do educador (professor, dirigente ou staff escolar), ao menos uma boa dose de bom senso, quando não, uma abordagem direta com alunos que acabam demandando uma atuação muito além do posicionamento pedagógico e metodológico da prática escolar.

O tão mal afamado "aluno-problema", pode ser reflexo de algum transtorno emocional, muitas vezes advindo de relações familiares conturbadas, de situações trágicas ou transtornos do desenvolvimento, e esse tipo de estigmatização docente passa a ser um fardo a mais, mais um dilema e aflição emocional agravante. Para esses casos, o conhecimento e sensibilidade dos professores podem se constituir em um bálsamo para corações e mentes conturbados.

Fatores Extrínsecos capazes de causar Transtornos Emocionais
Jane Madders (Maders J - Relax and be happy. Union Paperbacks 1987) trabalhou com uma classe do curso primário e com seus colegas na elaboração de uma lista de fatos e acontecimentos importantes capazes de produzir transtornos emocionais. A partir de tais eventos Madders elaborou uma lista de gravidade relativamente decrescente, pois, o grau de importância desses eventos pode variar de acordo com a faixa etária:

Ranking dos eventos
1. Perda de um dos pais (morte ou divórcio)
2. Urinar na sala de aula
3. Perder-se; ser deixado sozinho
4. Ser ameaçado por crianças mais velhas
5. Ser o último do time
6. Ser ridicularizado na classe
7. Brigas dos pais
8. Mudar de classe ou de escola
9. Ir ao dentista/hospital
10. Testes e exames
11. Levar um boletim ruim para casa
12. Quebrar ou perder coisas
13. Ser diferente (sotaque ou roupas)
14. Novo bebê na família
15. Apresentar-se em público
16. Chegar atrasado na escola

A partir dessa lista, podemos ver alguns fatores aflitivos do dia-a-dia dos alunos. Por exemplo, observe-se que urinar na sala de aula é a segunda maior preocupação e, por comparação, um novo bebê na família aparece em 14o. lugar. Isso sugere que, para uma criança ou adolescente em idade escolar, as coisas que a depreciam diante de seus colegas podem provocar níveis mais elevados de frustração, estresse, ansiedade ou depressão.

O mesmo fenômeno pode acontecer com as minorias étnicas ou dos alunos culturalmente diferentes, como por exemplo, portadoras de sotaque. Evidentemente não devemos nunca esquecer que algumas crianças são mais vulneráveis a transtornos emocionais do que outras.

As variáveis ambientais, particularmente aquelas que dizem respeito ao funcionamento familiar, também podem influenciar muito a resposta das crianças e adolescentes aos estressores escolares e, conseqüentemente, ao surgimento de algum transtorno emocional. Há uma espécie de efeito de proteção exercido pelos bons relacionamentos familiares que se estende até a adolescência.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Soluço




Informações preliminares:


Espasmódica: 1. Relativo a espasmo.
2. Que provoca ou revela espasmos repetidos.

Involuntária: 1. Que se realiza sem intervenção da vontade ou que foge ao controle desta, automática, inconsciente, espontânea.
2. Que se encontra em uma dada situação sem o desejar, forçada, obrigada.

Tórax:
Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
Sinônimos: Peito; Caixa Torácica

Mediastino:
Uma das três cavidades em que está dividida a cavidade torácica. É o espaço entre as regiões pleuropulmonares e se estende no sentido crânio-caudal da abertura torácica superior (ou anterior) ao diafragma.

O que é o soluço?

O soluço resulta de uma contração espasmódica reflexa e involuntária do diafragma (músculo que separa o tórax do abdome), seguida por um movimento de distensão e de relaxamento desse músculo, através do qual o ar que essa contração forçara entrar no estômago é expulso com um ruído característico. Esse espasmo do diafragma é acompanhado simultaneamente pelo fechamento da glote, o que impede a passagem de ar para os pulmões e produz o som típico e característico do soluço.

Além da contração do diafragma, o soluço envolve outros músculos da parede abdominal, pescoço e garganta.

O soluço geralmente é benigno e cede em pouco tempo, mas pode ser sintoma de uma doença e durar horas ou mesmo dias.

O soluço tem relação com a respiração. O soluço benigno já existe desde a fase intrauterina do indivíduo.


Para que serve o soluço?

Ainda não são conhecidas as funções fisiológicas do soluço. Algumas hipóteses pouco consistentes sugerem que ele expulse fragmentos de comida presos no esôfago ou que sejam exercícios musculares para o sistema respiratório antes do nascimento, para evitar a entrada de líquido amniótico nos pulmões.


Quais são as causas do soluço?

Não há um fator único reconhecido como causa do soluço. Pensa-se que haja um desequilíbrio do mecanismo nervoso que regula as contrações do diafragma, devido a condições neurológicas, metabólicas ou a estímulos diretos sobre o nervo vago. No entanto, são conhecidas algumas situações capazes de dispará-los:

Estados pós-anestésicos.
Distensões gástricas (bebidas gasosas, comer rapidamente, etc.).
Choro alto.
Fala ininterrupta.
Deglutição de grandes quantidades de ar.
Mudanças bruscas na temperatura dos alimentos.
Ingestão de álcool.
Gargalhar ou tossir vigorosamente.
Imaturidade do sistema nervoso de bebês.
Tuberculose.
Tumores do mediastino e proximidades.


Como tratar o soluço?

A maioria dos casos de soluços dura apenas alguns minutos e cede espontaneamente, sem necessidade de intervenção médica. São raros os casos severos e persistentes. Quando são necessários procedimentos médicos eles em geral consistem em bater na nuca ou esfregá-la, massagear o seio carotídeo, aplicar pressão sobre o globo ocular, estimular a faringe, fazer massagem retal digital, esvaziar o estômago e mesmo cirurgia para bloquear nervos.
Algumas medicações depressoras do sistema nervoso (clorpromazina ou haloperidol, por exemplo) podem ser utilizadas. Naqueles poucos casos em que é possível reconhecer uma causa (doença ou não), ela deve ser removida.
Nos demais casos, pode-se aplicar algumas manobras empíricas visando inibir o soluço:

• Respirar em um saco de papel durante alguns minutos.
• Fazer gargarejos com água fria.
• Prender a respiração pelo máximo de tempo que conseguir.
• Deitar de bruços por algum tempo.
• Tracionar a língua ou elevar a úvula com uma colher.
• Ingerir uma colher de açúcar.
• Prender a respiração.
• Assoar o nariz.
• Dobrar as pernas sobre o abdome.
• Levar um susto.
• Eructação (arroto).

Embora muitas dessas “técnicas” sejam apenas de conhecimento popular, algumas delas têm certa base fisiológica. Assim, por exemplo, prender a respiração ou respirar em um saco plástico aumenta a taxa de gás carbônico, que atua deprimindo o sistema nervoso central.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cirrose hepática




Observações importantes:


Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.

Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.

Necrose: Conjunto de processos irreversíveis através dos quais se produz a degeneração celular seguida de morte da célula.

Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).

Vamos à Cirrose Hepática (de fígado):

É o resultado de um processo crônico de destruição das células hepáticas, que ocorre de maneira difusa, com formação de cicatrizes e nódulos levando à necrose do órgão.

É considerada uma doença terminal do fígado. Apesar de não ser um câncer, esta condição pode predispor ao aparecimento de tumores hepáticos, como o hepatocarcinoma, e de tumores das vias biliares, como o colangiocarcinoma.

Todo portador de cirrose deve fazer exames periódicos para detectar precocemente as complicações dessa doença.

A cirrose hepática costuma ser considerada uma doença de alcoólatras, no entanto todas as condições que levam a uma inflamação crônica do fígado (alcoólicas ou não) podem resultar nessa patologia.

Infelizmente em cerca de 30% dos cirróticos, a causa da doença não é estabelecida.

A possibilidade de o álcool causar cirrose depende do tempo de uso, da quantidade ingerida e da predisposição genética.

Outros fatores que podem levar à cirrose são:

Hepatites B e C
Doenças metabólicas (hemossiderose, por exemplo)
Distúrbios biliares ou vasculares
Insuficiência congênita dos ductos intrahepáticos
Intoxicações por drogas ou produtos químicos
Esteatohepatite não alcoólica
Hepatites autoimunes (quando o organismo agride a si mesmo, por razão desconhecida), etc

Há ainda uma cirrose dita criptogênica, de causa desconhecida...

Todas as diferentes causas conduzem ao mesmo processo final.


Quais são os sinais e sintomas da cirrose hepática?

Na fase inicial, a ausência de sinais ou sintomas dificultam o diagnóstico precoce. Com a evolução da doença, há uma falência hepática progressiva que pode levar a consequências em outros órgãos.

Quando os sinais e sintomas aparecem, o prognóstico já costuma ser severo e as implicações gerais para a saúde do paciente são comprometedoras.

Em fases mais avançadas da doença, o fígado apresenta-se endurecido e aumentado ao exame físico e outros sinais e sintomas vão aparecendo, tais como: desnutrição, hematomas, aranhas vasculares na pele, sangramentos gengivais, icterícia, ascite, hemorragias digestivas, encefalopatia e, por fim, coma.


Como o médico diagnostica a cirrose hepática?

Dados indiretos, resultados de exames laboratoriais que avaliam a função hepática e exames de imagem como a ultrassonografia, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a colangiografia endoscópica ajudam a definir o diagnóstico.

O diagnóstico de certeza é dado pela biópsia hepática, que pode ser feita utilizando-se técnicas diferentes, conforme o caso.


Não há uma cura específica para a cirrose hepática. As lesões já estabelecidas são irreversíveis, mas pode-se tentar deter ou tornar mais lenta a progressão da doença.

Quando é possível afastar o agente causal (álcool, vírus, etc.), pode ocorrer algum grau de melhoria.

O tratamento definitivo da cirrose hepática é o transplante de fígado.

Como o transplante só está indicado em casos muito graves, durante todo o tempo o paciente deve ser acompanhado pelo médico para detectar precocemente as complicações possíveis como desnutrição, ascite, varizes esofagianas, tumores, etc. e para que sejam tomadas as medidas cabíveis em cada caso.

É possível que mais de dois terços do fígado normal sejam destruídos e ainda assim a porção restante assuma todas as funções, o que permite que a doença evolua durante anos.

No entanto, ela pode também atingir graus incompatíveis com a vida e resultar na morte, sobretudo se o agente causal não puder ser afastado.

quarta-feira, 21 de março de 2012

TDAH




Já citamos anteriormente esse quadro, que parece tão comum nos dias de hoje, mas como o comprometimento não é só social,existe uma perda na aprendizagem significativa, muitos chegam na adolescência muitas vezes sem saber ler, mal saberão escrever , e foram passadas de ano não por conhecimento, mas por influência os pais, ou pela lei que algumas vezes favorece a "continuidade dos estudos", voltamos a abordar esse assunto tão ATUAL.

A hiperatividade vem cada vezes mais se tornando um tema de preocupação e de muitos estudos.

O Transtorno do Déficit de Atenção é um problema bastante comum e se caracteriza por dificuldades em manter a atenção, inquietude acentuada(por vezes hiperatividade) e impulsividade.

Ele é chamado às vezes de DDA(Distúrbios do Déficit de Atenção). Em muitos casos o transtorno acompanha o individuo na vida adulta, embora os sintomas sejam mais brandos quando comparados aos das crianças.

O TDAH se caracteriza por uma combinação de dois sintomas:

Desatenção e...

Hiperatividade - impulsividade
.

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como desatentas, "vivendo no mundo da lua" e geralmente estabanadas e com muita energia para ser distribuídas (isto é, não param quietas por muito tempo).

Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com hiperatividade podem apresentar mais problemas de comportamento, como, por exemplo, dificuldades com limites, planejamentos e regras.

Em adultos ocorrem problemas com a atenção no seu dia-a-dia no seu estudo e trabalho, bem como a memória(são muito esquecidos). São inquietos, prontos para responder a qualquer pergunta mesmo quando não lhe é solicitado a resposta. Eles têm dificuldades de avaliar seu próprio comportamento e quando isto afeta os demais à sua volta. São freqüentemente considerados egoístas.

Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como ansiedade e depressão.

Resumindo, a Hiperatividade é um sinal (e não um sintoma) que não tem definição precisa aceita unanimente, mas todos concordam que compromete de modo marcante o comportamento do individuo.

Ela é um desvio comportamental, caracterizado pela excessiva mudança de atitudes e atividades, acarretando pouca consistência em cada tarefa a ser realizada. Portanto isto, em algum grau, incapacita o indivíduo para se manter quieto por um período de tempo necessário para que possa desenvolver as atividades comuns do seu dia.

Este padrão de comportamento mostra-se incompatível com a organização do seu ambiente.

Crianças e adolescentes hiperativos são freqüentemente considerados como pessoas inconvenientes.

A estatística nos mostra que a hiperatividade na idade da educação infantil esteja na faixa dos 10% e na idade escolar fundamental 3 a 4% das crianças. Nos adolescentes em torno de 10% e na idade adulta, 15-20% dos pacientes que eram na infância.

Causas do TDAH

O conhecimento científico sobre as causas do TDAH tem aumentado muito nas últimas décadas. Já existem inúmeros estudos em todo o mundo - inclusive no Brasil - demonstrando que a prevalência do TDAH é semelhante em diferentes regiões, o que indica que o transtorno não é secundário a fatores culturais, como os pais educam os filhos, as práticas de determinadas sociedade, e outros.

Ele também não é conseqüência do modo como os pais educam os filhos ou resultado de conflitos psicológicos.

Estudos com pessoas que tiveram traumatismos, tumores ou doenças na região frontal orbital (a parte anterior do cérebro, logo acima da região dos olhos) e que começaram a apresentar sintomas parecidos com os TDAH, falam a favor do comprometimento desta área específica.

Estudos de medidas de atividades elétrica cerebral, fluxo sanguíneo ou atividade cerebral por tomografia por emissão de pósitrons (um exame chamado Pet-Scan, que não está disponível para uso geral, apenas para pesquisa) têm demonstrado que a atividade cerebral em pacientes com TDAH está diminuída na região frontal, quando comparada com pessoas sem o transtorno.

Também existe estudos demonstrado um metabolismo diminuído nas regiões frontais de pacientes com TDAH quando comparados a pacientes com outros transtornos psiquiátrico, o que reforça a idéia de uma alteração especifica do TDAH e não um achado ligado a problemas psíquicos ou comportamentais em geral.

Possíveis fatores causais


A - hereditariedade: A contribuição genética para TDAH parece ser muito significativa, conforme sugerido pelas diferentes pesquisas.

De qualquer forma estes supostos genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma susceptibilidade ao TDAH, e o seu desenvolvimento parece depender da interação destes genes com diversos outros fatores ambientais.

B - Substâncias ingeridas na gravidez: Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações sem algumas partes do cérebro do bebê.

C - Sofrimento fetal; Alguns casos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH. A relação da causa não é clara.

D - Exposição ao chumbo: Crianças pequenas que sofreram intoxicação por chumbo, podem apresentar sintomas semelhantes ao TDAH.

E - Problemas familiares: Algumas teorias sugeriam que problemas familiares alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos pais, funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais baixo poderiam ser a causa TDAH nas crianças. As dificuldades familiares podem ser mais conseqüência do que causa do THDA.

A Escola

Crianças com TDAH têm grandes dificuldades de ajustamento diante as demandas da escola.Um terço ou mais das crianças com TDAH ficam com defasagem escolar no mínimo uma série durante sua carreira escolar.

Freqüentemente as notas estarão abaixo da média.e mais da metade das crianças apresentam problemas no comportamento.Infelizmente muitos dos professores são desinformados do transtorno ou estão desatualizados quanto ao conhecimento do TDAH. O professor bem orientado pode e deve estar orientando a criança para que haja uma melhora em sua disciplina e assim um ajuste ao conteúdo programático das disciplinas. A criança deve ser colocada mais perto do professor, para que haja uma maior atenção por parte da criança e sua aula.Uma rotina bem planejada é muito importante para que o aluno perceba os limites. O uso das tarefas com maior estimulação cor, textura,forma e outras parece reduzir o comportamento disruptivo, aumenta e melhora a tenção do aluno.

O professor deve mudar os estilos de apresentações das aulas tarefas e materiais para ajudar a manter o interesse do aluno otimizando a atenção e concentração do mesmo.

Combinar aulas com momentos breves de exercícios físico na sala de aula também pode ser útil. Isso reduz a fadiga e monotonia que a criança com TDAH podem experimentar durante períodos muito extensos de trabalho acadêmico.

Todo o professor é criativo , quando bem orientado certamente será capaz de estabelecer varias adaptações em suas aulas favorecendo o desempenho destes alunos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Licantropia e Vampirismo





O mito do Homem-Lobo se registra desde a Idade Média até nossos dias. Na Idade Média se cometia grande quantidade de crimes sádicos e sexuais que sempre terminavam por ser atribuídos a seres sobrenaturais, devido à superstição e ao medo da gente.

Alguns trabalhos curiosos comparam esses delitos sobrenaturais antigos com os crimes sexuais seriais executados por criminais contemporâneos, identificando as violações e os assassinatos atribuídos aos temidos homens-lobo com as barbaridades e sevícias levados a cabo pelos assassinos de hoje.

Em psiquiatria, a licantropia aparece como uma enfermidade mental com tendência canibal, onde o doente se imagina estar transformado em lobo e, inclusive, imitando seus grunhidos. Em alguns casos graves esses pacientes se negam a comer outro alimento que não seja carne crua e bem sanguinolenta.

Isoladamente, tanto as tendências eminentemente sociológicas, quanto as psicológicas e orgânicas fracassaram. Hoje em dia fala-se no elemento bio-psico-social. Volta a tomar força os estudos de endocrinologia, que associam a agressividade do delinqüente à testosterona (hormônio masculino), os estudos de genética ao tentar identificar no genoma humano um possível "gene da criminalidade".

Esses transtornos, normalmente diagnosticados como severas psicoses, apresentam concomitantemente um alto grau de histerismo, cursando com idéias delirantes e mudança total da pessoalidade e, como outras psicoses, não sendo possível separar a realidade do imaginado.

Antigamente, sendo as psicoses de difícil tratamento, proliferavam psicóticos esquizofrênicos e outros doentes mentais, como os sádicos, necrófilos e psicopatas em geral, os quais ocorriam à licantropia como via de saída para seus delírios ou seus instintos mórbidos.

Estes doentes se valiam, como ainda hoje, dos personagens da cultura e do folclore para solidificar a crença em poder transformar-se em lobo, e que, nas noites de lua cheia, seu corpo se cobria de pelo, seus dentes se tornavam pontiagudos e suas unhas cresciam até converter-se em garras. Possuídos por tais delírios, os doentes vagavam pelas ruas assediando suas vítimas, atacando, mordendo e, em algumas ocasiões, esquartejando e comendo partes de seu corpo.

Hoje em dia a medicina conhece outros tipos de doenças que poderiam explicar parte do mito da licantropia, como por exemplo a Porfiria Congênita. Esta doença se caracteriza por problemas cutâneos, foto-sensibilidade e depósitos de porfirina, um pigmento dos glóbulos vermelhos que escurece os dentes e a urina, dando a impressão que o paciente esteve bebendo sangue.

Outras doenças, como por exemplo a Hipertricose ou o Hirsutismo, as quais provocam o crescimento exagerado de pelos por todo o corpo, incluindo a face, eram interpretadas, antigamente, como qualidades sobrenaturais onde os pacientes podiam converter-se em bestas. Mas, por outro lado, ao longo da historia tem surgido alguns criminosos considerados "homens-lobo" devido aos seus métodos canibais de matar a vítima.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Prurido ou coceira





O prurido, também chamado coceira ou “comichão”, é uma sensação desagradável sentida na pele quel leva o indivíduo a se coçar em procura de alívio. É uma das queixas dermatológicas mais comuns.

Usualmente, o prurido é causado por uma doença de pele primária, como uma infecção ou uma infestação, todavia pode ser o primeiro sinal de uma doença sistêmica como, por exemplo, diabetes mellitus, distúrbios hematológicos ou alergias.

Alguns medicamentos e saponáceos, assaduras, roupas de lã e fatores psicológicos, bem como a radioterapia, também podem causar prurido.

O ato de se coçar às vezes produz arranhaduras que fazem com que a histamina seja liberada, produzindo mais prurido e gerando, assim, um círculo vicioso.

Histamina é importante mediador das respostas alérgicas na pele, no nariz e nos olhos, e causa vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular (edema ou inchaço) e contração da musculatura lisa (brônquica e gastrointestinal) através da ativação dos receptores específicos nas células.

Tem papel importante na inflamação de locais e tecidos lesionados, que surge em resposta à excitação do sistema

Alguns pruridos, por suas características clínicas ou por sua importância diagnóstica, devem merecer uma atenção especial.

• Prurido anal - pode se dar por causa de partículas de fezes retidas nas fendas ou pelos perianais, por arranhaduras ou outras lesões cutâneas perianais, por umidade ou uso de alguns medicamentos na região anal. Outras causas de prurido anal são infestações por parasitas, hemorroidas, diabetes, anemia, etc.

• Prurido vulvovaginal – pode ter as mesmas causas do prurido anal e além delas dever-se a infecções vaginais fúngicas como candidíase, atrito ou fricção da pele, dermatites, alergias a produtos de higiene, etc.

• Prurido na icterícia, na gravidez e no diabetes - podem ser intensos e generalizados. Geralmente são resistentes aos tratamentos.

Há várias causas possíveis de prurido ou coceira. Em se tratando da pele pode haver eczema, alergia, picada de insetos, escabiose, infecções fúngicas, certas doenças crônicas, alterações hormonais, etc. Ainda outras condições clínicas podem produzir prurido intenso e persistente.

Quais são as complicações possíveis do prurido (ou coceira)?

As arranhaduras a que o prurido leva podem gerar escoriações, rubor, urticárias, infecções e pigmentação alterada da pele ou das mucosas. O prurido intenso e ininterrupto pode ser incapacitante.

Como é o tratamento do prurido (ou coceira)?

É importante tratar-se a causa do prurido, mas descobri-la nem sempre é simples. Procure um médico (clínico geral, alergologista, pediatra) sempre que algum tipo de prurido o incomodar.

Sintomaticamente, os anti-histamínicos são as medicações mais eficientes, combatendo os efeitos da histamina liberada pelo ato de coçar.

O prurido de origem psicogênica pode ser combatido com antidepressivos tricíclicos.

sábado, 17 de março de 2012

Endometriose





A endometriose é uma condição ginecológica que atinge 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de células do endométrio em locais fora do útero, vizinhos a ele.

Os locais mais comumente acometidos pela endometriose são os ovários, as trompas, o peritônio e a área entre o útero e o reto. Mais raramente, também pode atingir o intestino, a bexiga, o diafragma, a vagina e a parede abdominal.

Quais são as causas da endometriose?

Existem várias teorias sobre as causas da endometriose. A mais conhecida delas é que durante as menstruações as células do endométrio são conduzidas para dentro do abdome através das trompas e passam a se proliferar.

Fatores genéticos, hormonais, imunológicos e psicológicos também devem ser levados em consideração.

Quais são os sinais e sintomas da endometriose?

Os principais sintomas da endometriose são dores e infertilidade.

As dores crônicas são localizadas na região pélvica e costumam se exacerbar por ocasião das menstruações ou das relações sexuais. É uma dor tipo uma cólica menstrual mais intensa, que pode atrapalhar as atividades rotineiras da mulher.

Frequentemente ocorrem irregularidades menstruais. Outros sintomas podem ser diarreia, sangramentos e problemas urinários. A infertilidade ocorre em alguns casos.

Como o médico diagnostica a endometriose?

A suspeita diagnóstica é feita pela história clínica da paciente. Uma infertilidade não explicada permite suspeitar de uma endometriose. O exame físico pode reforçar ou não essa suspeita.

Em geral, a confirmação da doença pode ser feita através da videolaparoscopia, seguida de uma biópsia (exame anatomopatológico). A ultrassonografia, a ressonância magnética e outros exames de imagens podem ser utilizados.

Como é o tratamento da endometriose?

A endometriose só regride espontaneamente na menopausa, muitas vezes depois de anos de sofrimento. Para mulheres mais jovens podem ser receitados medicamentos que suspendam a menstruação.

A administração de analgésicos e anti-inflamatórios é quase que obrigatória, mas nem sempre efetiva.

Algumas lesões de endometriose devem ser removidas cirurgicamente, por laparoscopia. Em casos determinados, quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento.

O tratamento clínico deve ser continuado depois da cirurgia.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Afetividade






Afetividade é o atributo psíquico que dá o valor e representa a realidade. Essa Afetividade também é capaz de Representar um ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de repente.

A Afetividade valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós, como os fatos e acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A Afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas perspectivas futuras.

O melhor exemplo que podemos referir para entender a Afetividade é compará-la à óculos através dos quais vemos o mundo. São esses hipotéticos óculos que nos fazem enxergar nossa realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos não estiverem certos podemos enxergar as coisas maiores ou menores do que são, mais coloridas ou mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco. Tratar da Afetividade significa regular os óculos através dos quais vemos nosso mundo.

Porque uma pessoa portadora de Síndrome do Pânico pensa que pode morrer ou passar mal de repente?

Porque ela acha que sofre do coração, ou está prestes a ter algum derrame, ou que está tão descontrolada ao ponto de perder o controle. Ora, nada disso faz parte da realidade objetiva e concreta.

Trata-se de um juízo pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que representa negativamente para a própria pessoa o seu próprio eu. Se a pessoa está se vendo pior do que é de fato, então afetivamente não está bem.

A Depressão típica, por sua vez, também faz com que a pessoa se sinta e se ache pior do que realmente é.

Isso produz insegurança e rebaixa a auto-estima.

Novamente aqui a Afetividade representa negativamente a pessoa para si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível, sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte de pensamentos ruins resultam do Afeto alterado.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Miastenia gravis




Informações importantes para a leitura:


Miastenia: Perda das forças musculares ocasionada por doenças musculares inflamatórias. Por ex. Miastenia Gravis. A debilidade pode predominar em diferentes grupos musculares segundo o tipo de afecção (debilidade nos músculos extrínsecos do olho, da pelve, ou dos ombros, etc.).

Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.

Junção neuromuscular: As junções neuromusculares, também chamadas de junções mioneurais ou placas motoras, são as sinapses entre o axônio de um neurônio motor e as fibras musculares esqueléticas.

Sinal:
1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
2. Som ou gesto que indica algo, indício.
3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.

Acetilcolina: A acetilcolina é um neurotransmissor do sistema nervoso, ou seja, uma das moléculas (como a serotonina, por exemplo) que é responsável pela troca de informações entre os neurônios.

A miastenia gravis (fraqueza muscular grave) é uma doença neuromuscular autoimune em que os anticorpos atacam os receptores localizados no lado muscular da junção neuromuscular, acarretando episódios de fraqueza e fadiga muscular anormalmente rápida, causada por um defeito na transmissão dos impulsos nervosos para os músculos. Os receptores lesados são aqueles que recebem o sinal nervoso através da ação da acetilcolina.

Embora todos os seus desencadeantes ainda não sejam conhecidos, sabe-se que a predisposição genética desempenha um papel essencial.

Na maioria dos pacientes, a miastenia gravis é causada por anticorpos antirreceptores de acetilcolina.

Os anticorpos circulantes no sangue das mães podem ser passados ao feto, através da placenta, e produzir uma miastenia neonatal transitória, a qual desaparece alguns dias ou algumas semanas após o nascimento.


O início da miastenia gravis pode ser súbito, com fraqueza muscular grave e generalizada, porém mais frequentemente os primeiros sintomas são variáveis e sutis, o que torna difícil o diagnóstico da doença.

O grupo muscular dos olhos é o mais frequentemente afetado e, tipicamente, pode ter como resultado a queda de uma ou ambas as pálpebras (ptose palpebral). Os sintomas podem estagnar nesse nível ou progredir para outros músculos.

Os sintomas variam de doente para doente e podem, além disso, incluir visão dupla, estrabismo, dificuldade de engolir e de falar, disfonia, fraqueza dos músculos da mastigação, decaimento do maxilar inferior ou do pescoço, queda da cabeça para diante, fraqueza dos membros (dificuldade ou até mesmo incapacidade de subir degraus, andar, elevar os braços, pentear, se barbear, escrever, etc.).

A fraqueza dos músculos respiratórios, com a dificuldade consequente de respirar, é uma complicação potencialmente grave.

A gravidade da doença varia de uma pessoa para outra e num mesmo doente pode variar ao longo do dia. Tende a agravar-se com o exercício e a melhorar com o repouso.


O que é uma crise miastênica?

Chama-se crise miastênica ao episódio agudo de insuficiência respiratória associada à fraqueza muscular grave. As crises podem ser desencadeadas por estresse emocional, infecções, atividades físicas excessivas, menstruações, gravidez, ansiedade, reações adversas a certos medicamentos, acidentes, etc.

Por se tratar de uma condição autoimune (quer dizer, o organismo faz uma "auto-agressão"), outras afecções autoimunes podem coexistir com a miastenia gravis, tais como hipo ou hipertireoidismo, doenças do timo, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, aplasia de células vermelhas, colite ulcerativa, doença de Addison, síndrome de Sjögren, dentre outras.

O diagnóstico baseia-se na história clínica do paciente e pode ser complementado pela eletroneuromiografia e pela dosagem dos anticorpos contra os receptores da acetilcolina.


O tratamento da miastenia gravis é feito com o uso de medicamentos e, eventualmente, com cirurgia do timo. Os dois procedimentos, isolados ou em conjunto, são razoavelmente eficazes no tratamento da doença.

O tratamento de primeira linha é com medicamentos anticolinesterásicos, que diminuem a ação da enzima que degrada a acetilcolina, fazendo com que esta aja por mais tempo, facilitando a transmissão neuromuscular. Em casos selecionados, geralmente pacientes com miastenia generalizada ou refratária a outros tratamentos, usa-se os imunosupressores.

Em doentes mais graves, faz-se necessária a terapêutica com esteroides, para produzir a remissão dos sintomas. Contudo, em muitos casos, o tratamento medicamentoso não é suficiente e a cirurgia de remoção do timo tem de ser o passo seguinte.

Nas crises miastênicas usa-se fazer a plasmaférese, uma substituição do plasma do doente em que se faz uma espécie de lavagem do sangue e a remoção dos anticorpos que estejam bloqueando a transmissão nervosa. O uso de imunoglobulinas também está indicado nestas crises.


A maioria dos doentes adequadamente tratados leva uma vida quase normal. Alguns casos podem entrar em remissão temporária, a fraqueza muscular pode desaparecer totalmente e a medicação pode ser descontinuada.

A doença raramente é fatal, mas pode ameaçar a vida quando atinge os músculos da deglutição e da respiração.

Os portadores de miastenia gravis não devem dirigir veículos automotores, especialmente à noite.
Crises de fraqueza muscular com comprometimento dos músculos da respiração exigem internação hospitalar imediata.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tosse: que coisa desagradável!




Algumas informações preliminares:

Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.

O que é tosse?

A tosse é uma contração repentina, frequentemente repetitiva, da cavidade torácica que resulta numa violenta expulsão de ar dos pulmões, geralmente acompanhada por um som característico. A tosse é uma reação reflexa do organismo (o que quer dizer: automática e involuntária) a um estímulo irritante das vias respiratórias, que visa expulsar alguma substância que esteja irritando ou obstruindo essa via de passagem do ar.

A tosse eventual e passageira pode estar ligada a um fator mecânico simples, como um engasgo. Já a tosse persistente geralmente indica a presença de uma doença, que pode ser simples ou grave, portanto precisa ser investigada.

A principal distinção que se usa fazer, porque ela tem implicações diagnósticas e terapêuticas importantes, é entre a tosse seca, sem eliminação de substâncias, e a tosse produtiva, que se acompanha da eliminação de muco ou catarro.
Além disso, existem tosses contínuas e intermitentes, de predomínio pela manhã ou à noite e as relacionadas ou não ao exercício físico, etc. Cada um desses dados, associados a outros sintomas do quadro clínico, podem ter valor diagnóstico importante.

As causas da tosse são muitas e praticamente inumeráveis. Entre as mais comuns encontram-se o enfisema pulmonar (quase sempre associado ao tabagismo), a bronquite crônica, a asma, as infecções de garganta ou dos pulmões, a sinusite, as alergias, o refluxo estomacal, tumores, corpos estranhos, causas psicogênicas, etc.

Nos não-fumantes, a tosse crônica quase sempre (mais de 90% dos casos) é devido à asma, ao refluxo gastroesofágico ou ao gotejamento pós-nasal (secreção do nariz, que fica gotejando na garganta, indo na direção dos pulmões).

Os fumantes costumam ter uma forte tosse seca que geralmente resulta na expectoração.

A tosse psicogênica pode ser usada por razões psicológicas ou sociais, como quando as pessoas tossem antes de fazer um discurso, e pode aumentar de frequência em situações em que o indivíduo esteja mais ansioso. Todos nós conhecemos pessoas que tossem ou limpam a garganta como meio de receber atenção ou de aliviar seu nervosismo.

As complicações da tosse podem ser agudas ou crônicas.

As agudas incluem o desmaio, quando as tosses são muito prolongadas; diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro e pressão intratorácica aumentada. Também pode haver insônia, vômitos, dor peitoral e ruptura de uma bolha pulmonar causando pneumotórax. Em outros casos severos a tosse pode causar fadiga dos músculos intercostais inferiores e inflamação do tecido conjuntivo entre o esterno e as costelas.

As complicações crônicas podem resultar até mesmo em hérnias abdominais ou pélvicas, por aumento da pressão intra-abdominal. Em mulheres com prolapso do útero a tosse pode ocasionar micção involuntária, o que é um fator de embaraço social. A defecação também pode ocorrer durante a tosse.

O tratamento de base da tosse é o tratamento da doença que a esteja causando. Por isso, um médico (clínico geral, pneumologista ou alergologista) deve ser consultado para investigar este sintoma.

Sintomaticamente, as tosses secas podem ser tratadas com supressores do reflexo da tosse (antitussígenos), enquanto as tosses produtivas devem ser tratadas com expectorantes. Não é recomendável fazer o bloqueio da tosse produtiva com antitussígenos, pois ela ajuda a eliminar as substâncias nocivas que estejam na árvore respiratória, diminuindo o risco de se contrair bronquite ou pneumonia.

Uma atitude simples que pode ajudar a aliviar a tosse é beber bastante líquido, ajudando a fluidificar as secreções.

terça-feira, 13 de março de 2012

Eutimia




A palavra grega Eutimia significa equilíbrio do humor (eu=normal; timo=humor). A partir da última CID (Classificação Internacional das Doenças) aparece o termo Distimia (dis=alteração) classificado como um dos tipos de Transtorno Persistente do Humor, onde a principal característica é a tendência constitucional do paciente em viver sob uma tonalidade afetiva tendendo à depressão, durante a maior parte do tempo. Por isso está incluída nos transtornos ditos Persistentes.

Saber exatamente quando o termo Eutimia aparece na história dos sintomas humanos é difícil mas, na obra do filósofo romano Sêneca (4aC-65dC) podemos ter uma idéia da importância do equilíbrio do humor na vida das pessoas.

Em A Tranqüilidade da Alma, Sereno pede à Sêneca uma orientação sobre importante questão existencial, uma espécie de inconstância da alma que o incomodava.

Sêneca responde que "o objeto de tuas aspirações é, aliás, uma grande e nobre coisa, e bem próxima de ser divina, pois que é a ausência da inquietação.

Os gregos chamam este equilíbrio da alma de "euthymia" e existe sobre este assunto uma muito bela obra de Demócrito. Eu o chamo "tranqüilidade" pois é inútil pedir palavras emprestadas para nosso vocabulário e imitar a forma destas mesmas: é a idéia que se deve exprimir, por meio de um termo que tenha a significação da palavra grega, sem no entanto reproduzir a forma."
Portanto, pode ter sido esta uma das primeiras vezes que a psiquiatria conheceu a palavra Eutimia, para a qual Sêneca encontra como correspondente latino a idéia de tranqüilidade ou a ausência de inquietação.

Em seguida, Sêneca diz o que entende por tranqüilidade " Vamos, pois, procurar como é possível à alma caminhar numa conduta sempre igual e firme, sorrindo para si mesma e comprazendo-se com seu próprio espetáculo e prolongando indefinidamente esta agradável sensação, sem se afastar jamais de sua calma, sem se exaltar, nem se deprimir. Isto será tranqüilidade".

Nesta afirmativa, definitivamente Sêneca considera a Eutimia (ou sua tranqüilidade) como um estado de espírito equilibrado, entre sem se exaltar, sem se deprimir e sem se afastar da calma. Essa idéia de equilíbrio sensato deve ter sido baseado na definição de Aristóteles sobre a virtude, que para ele era a eqüidistância entre dois vícios, um por excesso e outro por falta.

Sêneca descreve pessoas vitimadas pela inconstância do humor, portanto, pessoas que se afastam da Eutimia, como se fosse um discurso atual, mostrando que os estados emocionais que angustiam atualmente o homem moderno não são, definitivamente, monopólio de nosso tempo.

"Para todos os doentes o caso é o mesmo: tanto tratando-se daqueles que se atormentam por uma inconstância de humor, seus desgostos, sua perpétua versatilidade e sempre amam somente aquilo que abandonaram, como aqueles que só sabem suspirar e bocejar. Acrescenta-lhes aqueles que se viram e reviram como as pessoas que não conseguem dormir, e experimentam sucessivamente todas as posições até que a fadiga as faça encontrar o repouso: depois de ter modificado cem vezes o plano de sua existência, eles acabam por ficar na posição onde os surpreende não a impaciência da variação mas a velhice, cuja indolência rejeita as inovações. Ajunta, ainda, aqueles que não mudam nunca, não por obstinação, mas por preguiça, e que vivem não como desejam, mas como sempre viveram."

Vemos claramente neste texto os atuais tipos psicológicos dos depressivos clássicos, que amam aquilo que abandonaram, os deprimidos ansiosos, que se viram e reviram, os distímicos mal adaptados que rejeitam inovações e não suportam o amadurecimento e os depressivos introvertidos, apáticos por natureza. Não há espaço para transcrever tanto de Sêneca, mas apenas mais um trecho, onde diz:"Há, enfim, inúmeras variedades do mal, mas todas conduzem ao mesmo resultado: o descontentamento de si mesmo. Mal-estar que tem por origem uma falta de equilíbrio da alma e das aspirações tímidas ou infelizes, que não se atrevem a tanto quanto desejam, ou que se tenta em vão realizar e pelas quais nos cansamos de esperar. É uma inconstância, uma agitação perpétua, inevitável, que nasce dos caracteres irresolutos..."

De fato, falando dA Tranqüilidade da Alma, Sêneca fala do perfil afetivo da personalidade e das alterações humorais que afligem os portadores de transtornos afetivos. Se o sentido atribuído por Sêneca à tranqüilidade está claro, que sentido ele atribuía à Alma?

Vinte séculos depois de Sêneca, Karl Jaspers também entendia a Alma humana como sendo o atributo mental responsável pela consciência existencial do ser e da realidade. É a parte sublime e sensível de nosso ser, a parte que transcende o objeto, a parte que abstrai e vai além do significado simples das coisas, diz respeito mais ao significante e ao subjetivo que ao significado e objetivo. Na realidade, percebemos a vida pelos órgão dos sentidos (senso-percepção) mas, de fato, sentimos a vida através da Alma.

Em termos qualitativos poderíamos avaliar a Alma da mesma forma como avaliamos a qualidade da consciência e, entre tantas variáveis que influem na qualidade da consciência, teríamos de destacar também as disposições individuais que caracterizam a maneira das pessoas representam o mundo e a si próprias. Dependendo da maneira como nossa consciência representa a existência, nossa e do mundo, reagiríamos emocionalmente vivendo dessa ou daquela maneira. Mesmo sobre predisposições Sêneca alertava para a necessidade de "examinar se nossas disposições naturais nos tornam mais aptos para a ação ou aos trabalhos sedentários e à contemplação pura".

Sendo a Eutimia o equilíbrio do humor (ou afetivo), podemos considerar que, neste estado, a consciência da realidade vivida se acompanharia de sentimentos equilibrados, nem exaltados e nem deprimidos, portanto, como queria Sêneca, com tranqüilidade. Dessa forma, Tranqüilidade da Alma será um estado ou uma certa disposição de nosso espírito (ou consciência) para com a vida, de forma a atribuirmos para as coisas e para os fatos da vida valores compatíveis com nosso bem estar.

No ser humano a relação entre a consciência e o sentimento é tão íntima que, à cada consciência deve corresponder, obrigatoriamente, algum sentimento. A neurociência tem se esforçado em explicar o aspecto neurológico da consciência, sendo o modelo das assembléias neuronais um dos mais creditados atualmente. Segundo esse modelo, os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo é dissolvido e os neurônios novamente ficam aptos a se engajarem em outras assembléias para cumprirem uma nova tarefa e assim, continuamente, as consciências vão se sucedendo . Evidentemente os sentimentos vão acompanhando as consciências que temos da nossa realidade.

A dúvida (entre muitas) que os psiquiatras experimentam é acerca da valorização emocional e pessoal dessa consciência. Seria a atribuição da Alma de valorizar tudo aquilo que é vivido, simultânea ou posterior à consciência que se tem do vivido? Em termos mais neurocientíficos, os sentimentos seriam anteriores, simultâneos ou posteriores às assembléias neuronais constituídas?

Se nossos sentimentos, sejam eles de alegria, tristeza, prazer, ansiedade, angústia, medo, tédio, júbilo, etc., fossem simples respostas de nosso afeto à sucessão de fatos e acontecimentos da realidade, então seríamos levados à crer que tais sentimentos seriam simultâneos ou posteriores e proporcionais à consciência que temos da realidade. Se isso fosse verdade haveria obrigatoriedade em experimentarmos sentimentos agradáveis em resposta aos estímulos (consciências) agradáveis e, inversamente, sentimentos desagradáveis aos estímulos desagradáveis.

Mas não é isso que se observa na clínica. Há pessoas que, ao tomarem consciência do vivido, podem experimentar sentimentos depressivos, angustiosos ou ansiosos, de forma quase totalmente emancipada do valor objetivo dos fatos, objetos e eventos. Essa não-concordância dos sentimentos aos acontecimentos explica porque uma promoção profissional, por exemplo, para alguns é recebida com sentimentos de satisfação e para outros com sentimentos de medo ou de desespero. Também poderia responder porque o nascimento de um filho pode ser acompanhado de grande alegria, de angústia patológica ou depressão pós-parto, dependendo da pessoa que vive esse acontecimento.

Teriam, essas pessoas que não gozam da Eutimia, que não gozam da tranqüilidade da Alma, disposições afetivas específicas para que a consciência do vivido já se lhes apresentasse predominantemente de modo sofrível, temerário ou negativo? Assim sendo então, e parece ser, disporíamos de sentimentos prévios, ou matizes sentimentais prévias, anteriores à assembléia neuronal (consciência) e à espreita do quer que tomássemos conhecimento consciente para, independente do valor objetivo daquilo conscientizado, colorir à essa consciência com sentimentos predispostamente delineados.

Trazendo tão complexo tema para a simplicidade da cultura popular, poderíamos fazer a mesma indagação perguntando se "é a situação que faz o ladrão ou se, de fato, o ladrão já está feito e esperando o melhor momento para roubar?"

segunda-feira, 12 de março de 2012

Embolia Pulmonar




Vamos começar com algumas definições básicas:


Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.

Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.

Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.

Trombo: Coágulo aderido à parede interna de uma veia ou artéria. Pode ocasionar a diminuição parcial ou total da luz do mesmo com sintomas de isquemia.

Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.

Circulação:
1. Ato ou efeito de circular.
2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito.
3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.

Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.

Agora, vamos ao assunto propriamente dito:

O que é embolia pulmonar?

A embolia pulmonar, também chamada tromboembolismo pulmonar (TEP), é o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos, que ocorre geralmente quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desprende do local de sua formação e cai na circulação, obstruindo o fornecimento de sangue em um dos pulmões.

Além de coágulos sanguíneos, os êmbolos podem ser formados também por bolhas de gás ou de gordura. Quando ocorre uma embolia pulmonar, a circulação é interrompida subitamente em uma parte do pulmão e isto faz com que aumente a resistência à circulação do sangue e diminua a área de trocas gasosas.

Grande parte das embolias é pequena e nem chega a ser percebida, mas há também outras maiores, comprometendo áreas pulmonares extensas, que podem ser fatais.

A causa imediata da embolia pulmonar é a obstrução de um ramo da artéria pulmonar por um êmbolo formado por um coágulo sanguíneo, uma bolha de gás ou de gordura.

Alguns fatores favorecem a formação de coágulos sanguíneos e outros êmbolos, como por exemplo:

• Ficar acamado por longos períodos.
• Câncer de certos órgãos.
• Manipulações cirúrgicas.
• Uso prolongado de anticoncepcionais.
• Tabagismo.
• Obesidade.
• Varizes.
• Descompressões súbitas como as dos mergulhadores.

Os sinais e sintomas da embolia pulmonar dependem do grau de prejuízo causado aos pulmões e incluem hipóxia, respiração rápida, chiado no peito, cianose, tumescência das veias do pescoço, tosse, edemas e frequência cardíaca aumentada. Os sintomas da embolia pulmonar incluem dificuldade de respiração, dor torácica e palpitações.

Casos graves de embolia pulmonar não tratada podem levar à morte súbita.

O diagnóstico da embolia pulmonar é feito pela combinação dos achados clínicos, com exames de laboratório e estudos de imagem. A procura de um coágulo na artéria pulmonar, através da angiografia pulmonar computadorizada é a modalidade de estudo de imagem mais utilizada atualmente e fornece o dado mais decisivo para o diagnóstico. A arteriografia pulmonar usualmente dá o diagnóstico de certeza.

Depois de instalada a embolia pulmonar, o tratamento é realizado com medicação anticoagulante. Às vezes, a administração de oxigênio pode ser necessária. Os casos mais graves podem necessitar de trombólise com drogas ou de uma trombectomia pulmonar cirúrgica.

O tratamento busca também diminuir a sobrecarga cardíaca e melhorar a eficiência pulmonar, com aumento da oxigenação do sangue. Medidas para dificultar a formação de novos êmbolos e para tratar os sintomas decorrentes são necessárias.

Os casos mais simples curam-se sem deixar sequelas. Nos casos graves, em que o ramo arterial obstruído é de grande calibre, pode ocorrer morte súbita.

Pode haver complicações, como um abscesso pulmonar. Mas isso já é um outro capítulo...

domingo, 11 de março de 2012

Depressão e Relacionamento Pessoal




A Depressão geralmente é uma doença devastadora, apesar de muita gente ainda não acreditar que ela exista. Não vamos falar aqui do quadro clínico e dos sintomas da Depressão, mas sim de um aspecto da Depressão que muitas pessoas não sabem e não se dão conta; trata-se do grau em que os transtornos depressivos afetam os relacionamentos. Segundo Xavier Amador, um casamento em que um dos parceiros está com depressão, tem nove vezes mais propensão de acabar, do que um onde não exista a depressão. Adriana Tucci mostra também dados internacionais onde os Transtornos Afetivos, além de terem uma prevalência de, aproximadamente, 11,3% da população, são uma das doenças que mais geram perdas sociais e nos relacionamentos familiares (veja mais em Depressões - Sintomas, na seção Depressão).

Assim sendo, antes de se tomar decisões precipitadas nas desarmonias de relacionamento recomenda-se que, primeiro, seja verificada a possibilidade de uma das pessoas do relacionamento (quando não as duas) ser portadora de Depressão, em qualquer de suas formas (Distimia, Transtorno Afetivo Bipolar, Depressão Recorrente).

A Depressão, seja leve, moderada ou grave, será sempre incapacitante em algum grau, principalmente se considerarmos a duração dos sintomas. Ao longo do tempo os sintomas depressivos podem provocar desdobramentos complicados e desgastantes para a família e para a pessoa.

Segundo trabalhos recentes as relações íntimas entre pessoas com depressão são mais tensas, estressantes e cheias de conflitos do que entre pessoas não depressivas. Xavier diz que a depressão e os problemas de relacionamento e sexuais causados por ela seja a razão mais comum dos casais que procuram uma terapia. Metade das mulheres depressivas reclama de sérios problemas dentro do casamento e, provavelmente, um número parecido dos homens pode também reclamar da qualidade do relacionamento com mulheres depressivas.

Quando aparece um quadro depressivo na família, geralmente esta se desestrutura bastante. A tendência inicial é querer ajudar o indivíduo a reagir; ora acreditando que essa reação depende da vontade da pessoa deprimida, ora propondo medidas bem intencionadas e completamente ineficazes. Com freqüência dentro das famílias ou mesmo entre um casal existe uma série de crenças populares, que depreciam a pessoa com depressão, tais como a falta de vontade, uma fraqueza psíquica ou coisas assim.

Como ninguém consegue produzir melhoras, aflora um sentimento de frustração e impotência muito desgastante, principalmente quando se junta à mistura das tais crenças populares. Além disso, deve-se considerar o impacto social e econômico que a doença pode representar para toda a família.

É assim que os parentes de pessoas deprimidas, bem como os(as) companheiros(as) também sofrem de preocupação excessiva, raiva, exaustão e até mesmo raiva com a persistência daquele estado de humor problemático.

Apesar de serem poucos os trabalhos sobre indicativos, variáveis clínicas e sociais que levam os portadores de Transtornos Afetivos a apresentar maus ajustamentos sociais, a constatação de que isso acontece parece ser unânime. As principais esferas atingidas pelos Transtornos Afetivos estão nas áreas de trabalho e relacionamento interpessoal, com 1/3 dos pacientes apresentando desempenho ruim tanto no trabalho quanto no ajuste em outras áreas (Tsuang,1980).

Adriana Tucci (2001), verificou predomínio da Depressão em mulheres, e o relacionamento familiar teve papel significativo no resultado de ajustamento social. Entre portadores de Transtornos Afetivos, os pacientes unipolares e os distímicos tiveram melhores resultados no ajustamento social e no relacionamento familiar do que aqueles com Transtorno Afetivo Bipolar ou com a chamada Depressão Dupla, que é quando um episódio depressivo acomete quem já tem Distimia.

Tucci cita ainda pesquisa de Leader Klein, que avaliaram o relacionamento familiar de pacientes com Depressão Unipolar, Distimia e Depressão Dupla. Descreveram que pacientes com depressão dupla foram os que apresentaram, significativamente, piores resultados em relação aos outros dois grupos, e os pacientes distímicos apresentaram relacionamento familiar mais prejudicado do que os unipolares; porém, essa diferença não assumiu significância estatística. Esses dados são semelhantes aos apresentados pelos pacientes do presente estudo.

De fato, é de se supor que as maiores dificuldades de convivência familiar, social ou conjugal sejam com pacientes distímicos, já que a Distimia está identificada com aquela característica de personalidade conhecida como mau-humor. A convivência com pessoas mau-humoradas é, inegavelmente, muito difícil.