Magros "falsos"!


A fórmula para calcular o Índice de Massa Corpórea (ou corporal) é:

IMC = peso / (altura)2 => peso dividido pela altura ao quadrado, em metro. Por exemplo: uma pessoa de 1,75 m, com 88 Kg, tem IMC = 88 dividido por 1,75 x 1,75 = 28,73, o que a caracteriza como estando com sobrepeso, isto é, acima do peso ideal, embora ainda não como obeso.



Temos aprendido a verificar o estado de saúde das pessoas através de índices numéricos, que tentam refletir a realidade de cada paciente, quer dizer, tentam mostrar como realmente está cada um de modo prático, evidenciando possíveis riscos para a saúde ou demonstrando que há uma situação favorável naquele momento.

Assim, quando vamos ao médico, periodicamente, para fazer um check-up, iremos ser direcionados para exames de laboratório que "medem" nossos componentes bioquímicos, que buscam irregularidades em parâmetros pré-estabelecidos pela ciência médica após muitas pesquisas que geraram estatísticas demonstrando quais os valores normais para que se considere alguém saudável, isto é, apto para viver sem altos riscos de adoecer ou de vir a morrer.

Claro que estes exames de laboratório, estas "medições" tem um valor inestimável para avaliar o "grau de saúde" de um indivíduo. Não há qualquer sombra de dúvida, atualmente, após tantas evidências sobre estas pesquisas que, no entanto, vêm evoluindo, como tudo na vida e em conseqüência da continuidade delas - das pesquisas - e do crescente interesse da ciência em compreender cada vez melhor como o corpo humano funciona, não só em aspectos visuais, através de imagens das mais variadas, como sob pontos de vista variados no intricado mecanismo de funcionamento de sistemas, órgãos, tecidos, células, moléculas e átomos.

Tudo tem sido vasculhado e continuará sendo, sem exaustão, pela ciência. Técnicos - cientistas - elaboram teorias, criam sistemas para pesquisa, métodos, recursos, enfim, todo possível, para entender melhor nossa natureza.

Um dos métodos para avaliação da saúde humana, com relação a riscos cardio-vasculares, é o chamado índice de massa corpórea - IMC. Este índice, que relaciona a estatura com o peso, mostra se o indivíduo é obeso ou não e, em determinadas faixas de resultados, temos números que, estatisticamente, apontam os riscos, tentando alertar para que o paciente trate de mudar seu estilo de vida para não permanecer na faixa de risco cardio-vascular, o que significa dizer que a partir de certo ponto, o paciente está arriscado a ter um infarto ou um acidente vascular cerebral, por exemplo.

Mas preciso lembrar que um IMC normal não isenta ninguém de risco cardíaco, pois, o IMC é apenas UM dado para ser avaliado. Há pessoas com IMC dentro do normal, caraterizadas, portanto como magras, que têm elevada taxa de colesterol ou triglicérides (dois tipos diferentes de gordura no sangue) ou, ainda, de glicemia (glicose - açúcar, que corre no sangue) e estão sob risco algumas vezes mais elevados de problemas cardíacos do que um paciente obeso moderado, que apresenta níveis normais destes componentes da nossa "bioquímica".

Assim, devemos ter em mente que apenas um índice, apenas uma informação, não nos isenta de coisa alguma. Aliás, ainda que tenhamos todos os nossos exames dentro da normalidade, podemos ter quaisquer problemas de um momento para outro, pois, nosso organismo é extremamente lábil, quer dizer, muda de estado de saúde de um momento para outro, também graças às nossas fragilidades emocionais.

É bastante sabido que fortes emoções podem levar uma pessoa, de súbito, a ter um infarto, assim como uma elevação da pressão arterial. Também não é desconhecido da maioria das pessoas, que as emoções contidas durante períodos prolongados, geram problemas orgânicos dos mais variados, como, por exemplo, gastrites ou mesmo úlceras gástricas.

Mas, vamos concentrar a atenção no que eu iniciei escrevendo: vamos imaginar dois pacientes hipotéticos: um, de 20 anos, que mede 1,84 metro e pesa 75 quilos, com índice de massa corporal na faixa dos 22,2, valor que o classifica como magro e outro paciente, também de 29 anos com 1,92 metro pesando 84,3 quilos e IMC de 22,9, que o categoriza como esbelto.

Os dois, portanto, estão praticamente empatados em matéria de IMC. E, à primeira vista, livres de preocupações, por assim dizer, gordurosas. Mas as aparências (e as medidas) enganam.

De acordo com os resultados de estudos recentes, um deles pode ser considerado um gordo, ou melhor, um obeso de peso normal.

Por meio de informações adicionais, como os níveis de colesterol e a medida da circunferência abdominal dos participantes, pode ser observado que, apesar da silhueta esguia e do IMC normal, os neo-obesos têm gordura de sobra.

E isso não é bom. O tecido adiposo em excesso fabrica altas doses de substâncias nocivas, como a interleucina 6 e o fator de necrose tumoral alfa. Essa dupla inflama as paredes dos vasos, contribuindo para entupi-los. O tal fator de necrose também aumenta a resistência à insulina. Nesse caso, o hormônio que bota açúcar para dentro das células não consegue desempenhar sua função adequadamente.

Complicado, não? Não, não é complicado: consulte seu médico para uma avaliação adequada.

Faça exercícios regularmente, coma somente o que precisa e de modo equilibrado, durma adequadamente e cuide de seus estresses na medida do possível, para reduzir seus riscos de aquirir doenças indesejáveis.

Numa expressão apenas: cuide-se!
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