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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Voz Grave

As cordas vocais possuem tamanhos diferentes? Isso muda em homens e mulheres? Por quê?

As pregas vocais (nome mais correto, pois atualmente sabemos que não é uma corda, e sim várias camadas formando uma prega) têm diferentes tamanhos. Na criança é menor (ambos os sexos), na mulher é um pouco maior e no homem a prega vocal dobra de tamanho em relação à criança.

Como acontece a alteração da voz dos meninos de fina para grossa na puberdade?

Através de toda a mudança hormonal e com o aumento de tamanho das pregas vocais. Com isso, a prega vocal vibra com menos ciclos vibratórios por segundo, fazendo com que a voz fique mais grossa (igual a uma corda de violão, que, quanto mais fina, mais rápido e fino é o som).

O uso de álcool e cigarro pode alterar a voz?

Sim, e muito.

É correto afirmar que, com o hábito e treino, a voz pode sofrer alterações e soar um pouco mais grossa ou fina? Por quê?

A prega vocal é responsável pelo som da voz. E como é um músculo – que, como tal, é susceptível ao movimento e exercício exigidos dele –, quanto mais treinado, mais flexibilidade ele terá. Por isso, a prega vocal fica com melhor tonicidade quanto mais exercício realiza, e consequentemente a voz sofrerá alterações e teremos uma voz com melhor qualidade. Com isso a voz terá por mais tempo suas características básicas (se fina, se manterá por mais tempo e se grossa também).

Qual é a diferença da voz na infância e na fase adulta?

A voz na infância é fina. Tanto no menino quanto na menina, apresenta as mesmas características. Já na fase adulta a voz sofre grande influência dos hormônios, diferenciando-se bem a voz do homem da voz da mulher.

Há algum exercício para a voz simples de fazer que possa ser benéfico para qualquer pessoa?

Sim, o exercício de vibração de língua ou lábios.

Quais doenças podem afetar a voz e, se não tratadas, o que pode acontecer?

Várias doenças podem afetar a voz. As mais comuns são os calos de pregas vocais, pólipos, cistos e câncer de laringe. Tirando o câncer, que, se não tratado, pode levar à morte, as outras doenças podem deixar a voz bem rouca. E se não tratadas em tempo hábil, pode ter que ser resolvido somente com cirurgia para a retirada dos calos, pólipos e cistos.

fonte: Dra. Jane Katia Mendes Cravo Quintanilha, fonoaudióloga

domingo, 30 de janeiro de 2011

Esquizofrenia

A incidência da esquizofrenia na população mundial é de 1%, com homens e mulheres igualmente afetados. Há mais pacientes esquizofrênicos do que doentes com Alzheimer ou esclerose múltipla, por exemplo.

Os prejuízos sociais decorrentes do desenvolvimento da esquizofrenia são bastante significativos. A doença é caracterizada por delírios e alucinações que levam a uma deterioração afetiva e perda do contato com a realidade.

Os primeiros sintomas surgem na adolescência e começo da vida adulta. Há um forte componente genético associado à enfermidade, que, entretanto, não explica a maioria dos casos. Infecções virais durante o período perinatal, desnutrição materna e disfunções do sistema imunológico também são fatores de risco.

Atualmente, é considerada uma doença do desenvolvimento, associada à má formação do sistema nervoso. Apesar de não existir uma teoria de consenso capaz de explicar suas causas, há indícios de que o estresse oxidativo tenha papel fundamental na geração da patologia.

O estresse oxidativo ocorre quando as defesas antioxidantes de nosso corpo falham em controlar as espécies reativas de oxigênio geradas pelo metabolismo normal de nossas células. Para entendermos como essa condição biológica está associada aos transtornos mentais, é preciso que conheçamos o "paradoxo do oxigênio".

O oxigênio desempenha papéis contraditórios. É essencial para a vida e, ao mesmo tempo, pode ser tóxico. A molécula de oxigênio, formada por dois átomos, é quebrada durante a respiração, para a conversão de nutrientes em energia. Durante esse processo, subprodutos conhecidos como espécies reativas de oxigênio são gerados. Aí é que está o problema.

Espécies reativas de oxigênio são capazes de interferir em processos inflamatórios e na diferenciação de neurônios, mas estão principalmente relacionadas a modificações deletérias de macromoléculas como ácidos nucleicos, proteínas e lipídeos.

Infelizmente, em pacientes com esquizofrenia, elementos essenciais que normalmente reagem ao estresse oxidativo encontram-se comprometidos. Há relatos de disfunção do sistema antioxidante nesses indivíduos e de pequenas alterações em seus genes que reduzem a capacidade de se protegerem da ação danosa dos radicais livres.

Estudos em animais e relatos de pacientes sugerem, inclusive, que o aumento induzido nos níveis de radicais livres causa alterações cognitivas em indivíduos saudáveis e exacerbam psicoses em pacientes esquizofrênicos.

Curiosamente, o hábito de fumar é até três vezes mais comum em pacientes esquizofrênicos do que na população em geral. Há indícios de que tal hábito seja uma tentativa inconsciente de compensar a carência de receptores para nicotina em seus cérebros. Por outro lado, o fumo reduz drasticamente os níveis de antioxidantes, comprometendo mais ainda a capacidade desses pacientes em lidar com o acúmulo de espécies reativas de oxigênio.

Devido ao alto consumo de oxigênio, o cérebro é mais vulnerável ao estresse oxidativo do que outros órgãos do corpo. Alterações de expressão gênica e de proteínas causadas por radicais livres comprometem a plasticidade neural e o funcionamento do sistema nervoso.

Em concordância com essas observações, há uma relação entre a eficácia de sistemas antioxidantes e a severidade dos sintomas da esquizofrenia, o que pode levar ao desenvolvimento de novos medicamentos.

Já há, inclusive, descrições sobre antioxidantes que previnem ou aliviam distúrbios associados à doença. Sua utilização aumentaria a eficácia dos antipsicóticos, melhorando o quadro clínico de pacientes com transtornos mentais.

De fato, há evidências que todo o metabolismo energético esteja comprometido nessas pessoas. As mitocôndrias, organelas essenciais à respiração celular, também parecem alteradas nos pacientes esquizofrênicos.

Para a geração de energia, além de oxigênio, é necessário açúcar. Em 1919, F.H. Kooy descreveu um aumento na incidência de hiperglicemia em pacientes esquizofrênicos, sugerindo que comportamentos depressivos influenciariam os níveis de glicose no sangue.

Mais recentemente, pôde-se comprovar uma maior prevalência de diabetes com resistência à insulina nesses pacientes. Há novas pesquisas avaliando a aplicação de medicamentos antidiabéticos como co-fatores no tratamento da esquizofrenia.

As principais evidências de alterações bioquímicas dos sistemas antioxidantes associadas à esquizofrenia foram obtidas a partir de fragmentos cerebrais de pacientes já falecidos.

O estabelecimento de novos modelos de estudo, como, por exemplo, neurônios reprogramados a partir de células da pele de pacientes esquizofrênicos, deverá contribuir para um melhor entendimento sobre a influência do estresse oxidativo no desenvolvimento do sistema nervoso desses indivíduos.

fonte UOL

sábado, 29 de janeiro de 2011

Dor no Peito no Transtorno do Pânico

O Transtorno de Pânico é caracterizado pela ocorrência espontânea e inexplicável de ataques de pânico, que são períodos de intenso medo, podendo variar desde diversos ataques ao dia até poucos no curso de um ano. A expressão desse medo é manifestada por sintomas emocionais e físicos, tais como, taquicardia, sudorese, falta de ar, medo de enlouquecer, perder o controle ou morrer. É também freqüentemente que essas crises de Pânico sejam acompanhadas por agorafobia, que é o temor de se encontrar sozinho em lugares dos quais seja difícil uma saída rápida, no caso da pessoa “passar mal”.

Um dos sintomas físicos responsáveis pelo paciente com Pânico procurar um Pronto Socorro é a dor no peito (dor torácica), reforçando ainda mais a idéia de que ele esteja tendo realmente um problema cardíaco grave, com a vida em risco. Normalmente é essa dor torácica que leva o paciente à busca repetida por inúmeros atendimentos em unidades de urgência, cardiológicas ou outros serviços médicos.

De fato, a principal causa de dor torácica orgânica é de origem miocárdica, e se desenvolve quando o fluxo de sangue nas artérias coronarianas é insuficiente, ou seja, quando á uma Doença Arterial Coronariana. A persistir o problema ocorre o Infarto do Miocárdio. Os autores do artigo supra-referido ilustram a comorbidade (concordância) entre o Transtorno de Pânico com a Doença Arterial Coronariana. Eles alertam para o fato do diagnóstico de Transtorno de Pânico raramente ser feito e das graves conseqüências que podem decorrer disso.

Para confundir ainda o raciocínio clínico, devemos lembrar que 6 dos 13 sintomas básicos do Transtorno de Pânico são também encontrados em doenças do coração, como por exemplo, a dor torácica, as palpitações, sudorese, sensação de asfixia, sufocação e ondas de calor (Fleet et al., 2000). Tendo em vista essa semelhança entre os sintomas cardíacos e de pânico, é claro que a pessoa acometida por ataque de pânico, acreditando estar na iminência de um infarto agudo do miocárdio, busquem avidamente os serviços de emergência.

Curiosa e inversamente, também alguns dos principais sintomas da doença arterial coronariana e do infarto do miocárdio também sugerem estar havendo uma crise de Pânico. Os autores relatam um estudo com pacientes de serviços de emergência com sintoma de dor torácica, avaliados por meio de teste ergométrico ou arteriografia coronariana, e submetidos também a uma entrevista psiquiátrica anterior à entrevista cardiológica. Os dados foram muito significativos.

De 1.364 pacientes com dor torácica, 411 (30%) apresentavam Transtorno de Pânico. Desses 411 com Transtorno do Pânico, 306 (75%) não tinham diagnóstico de Doença Arterial Coronariana. Por outro lado, foi um dado muitíssimo interessante que, dos 1.364 pacientes, apenas 248 (18%) apresentavam Doença Arterial Coronariana sem Transtorno de Pânico.

Algumas conclusões importantes podem ser tiradas desse estudo. Dentre aqueles que chegaram à emergência com dor torácica, 30% apresentavam Transtorno de Pânico e 22% tinham Transtorno de Pânico sem Doença Arterial Coronariana. Analisando apenas aqueles com Transtorno de Pânico, 75% não apresentavam Doença Arterial Coronariana.

Embora tenha sido encontrada uma grande proporção de pacientes com Transtorno de Pânico sem Doença Arterial Coronariana, ainda assim é muito relevante o achado de que aproximadamente 26% dos pacientes com Transtorno de Pânico também tinha Doença Arterial Coronariana (Lynch e Galbraith, 2003). Isso quer dizer que, de rotina, a dor torácica deve ser sempre investigada com atenção, seja no Transtorno do Pânico ou não, buscando a identificação precoce de riscos orgânicos de ameaça à vida.

Resumindo, são comuns pacientes com ataques de pânico que apresentam concomitantemente dor torácica e palpitação. Por conta disso, anseiam por grande urgência de atendimento. A dor torácica em pacientes portadores de Transtorno de Pânico tem prevalência de 25% a 57% (Carter e cols., 1994; Fleet e cols., 1996). Como procuram emergências clínicas, o sintoma de dor torácica é investigado sob a ótica da Doença Arterial Coronariana.

Sabe-se então que dor torácica é mesmo um sintoma freqüente nos pacientes portadores de Transtorno de Pânico sem Doença Arterial Coronariana. Mas não se pode, de forma alguma, subestimar a o fato de que outros pacientes portadores de Transtorno de Pânico podem, de fato, apresentar Doença Arterial Coronariana. Alguns autores verificaram uma prevalência de 57% de Transtorno de Pânico em pacientes cardiopatas (Beitman e cols., 1987).

Uma avaliação médica restrita apenas à área cardíaca, embora traga conveniente conforto ao médico assistente, pode desencadear no paciente um incômodo processo de angústia investigativa de seu diagnóstico. Não é raro que o médico do serviço de emergência sentencie solenemente “... – você não tem nada... procure um psiquiatra”, sugerindo assim subestimar a queixa do paciente, duvidar de seu sintoma e atribuir à psiquiatria a função de ‘tratar’ de quem não tem nada.

Parece que a crença habitual dos clínicos desses serviços de emergência é que basta a informação dada ao paciente, de que seus sintomas não se devem a um evento cardíaco agudo, seja suficiente para gerar alívio dos sintomas e interrupção dos ataques de pânico. Este é um raciocínio linear e absolutamente simplório. O paciente é, sobretudo, um ser emocional que não se conduz predominantemente pela razão. Ou não estaria achando que pode perder o controle e morrer de repente.

Existem trabalhos demonstrando que apenas os resultados negativos de exames cardíacos como, por exemplo, a avaliação clínica (Mayou e cols., 1994) ou teste ergométrico (Channer e cols., 1987), são absolutamente insuficientes para o paciente convencer-se e suprimir automaticamente os sintomas do pânico e a crença de que está enfartando. Segundo ainda Gastão Soares Filho e cols. (2007), nem mesmo quando os pacientes são submetidos a exames mais invasivos (e perigosos), como a coronariografia, os resultados normais são insuficientes para gerar tranqüilidade e ausência de sintomas.

Outro mau hábito dos serviços de emergência é quando os médicos assistentes deduzem, precipitadamente, que o paciente com dor torácica, palpitação, sudorese e ansiedade é portador apenas de Transtorno do Pânico, principalmente quando vem com antecedentes dessas crises, negligenciando assim a concomitância de Doença Arterial Coronariana.

A “cegueira” diagnóstica e de tratamento do Transtorno de Pânico para o paciente que busca repetidamente atendimento em serviços de emergência, quando da ocorrência de ataques de pânico com dor torácica, faz com que eles passem a ter uma vida significativamente limitada, sem alívio dos sintomas e do medo e da ansiedade (Lynch e Galbraith, 2003). A abordagem inadequada do Transtorno de Pânico presente nos casos de dor torácica invariavelmente produz a cronificação dos sintomas, limitação das atividades e redução da qualidade de vida, além de uso excessivo e inadequado de exames clínicos e recursos médicos.

A precariedade no diagnóstico de Transtorno de Pânico em serviços de emergência é bem demonstrada no trabalho de Fleet e cols. (1998), em pacientes com dor torácica. Observou-se que entre os pacientes que apresentavam critérios diagnósticos para Transtorno de Pânico, apenas 2% tiveram o diagnóstico correto no momento da chegada.

A atitude, como se diz, de “empurrar com a barriga” esses casos na expectativa de que os sintomas desaparecerão com o tempo também é uma falsa crença clínica. Bass e cols. (1983) acompanharam por um ano pacientes com dor torácica e coronariografia normal. Quase metade deles (41%) continuava com a queixa de dor torácica, e 63% ainda se consultava com médicos não psiquiatras. Potts e Bass (1995) acompanharam pacientes sem adequada abordagem psiquiátrica e condições de dor semelhantes por 11 anos, constatando-se que 74% deles continuava se queixando de dor torácica.

Citado por Gastão Soares Filho (2007), outro trabalho de Wulsin e cols. (1988), o diagnóstico de transtorno psiquiátrico foi feito em apenas 1 de 30 pacientes com Transtorno de Pânico, mostrando falta de diagnóstico em 97% dos atendimentos. Investigadores têm buscado medidas para minimizar a dificuldade diagnóstica apresentada pelos profissionais que trabalham em serviços de emergência.

fonte: Ballone GJ

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Obesidade: mais algumas histórias...

Uma descoberta pode ajudar a explicar por que a obesidade aumenta o risco de problemas crônicos, como doenças cardiovasculares e diabete.

O estudo, publicado na revista BMC Medicine, pode contribuir no futuro para identificar pessoas em risco e reduzi-lo, de acordo com a dra. Wang Xiaoling, epidemiologista genética no Instituto de Prevenção da Faculdade de Medicina da Geórgia (EUA).

Perder gordura é muito difícil. Sabemos também que ela causa muitas doenças, por isso busca-se identificar o que ocorre no organismo e focar nisso para reduzir as enfermidades.

A gordura costumava ser vista essencialmente como uma fonte de preenchimento corporal e de energia pronta, mas os cientistas estão aprendendo que ela funciona mais como uma fábrica de produtos químicos e compostos como hormônios e proteínas. Pesquisas que compararam grupos de adolescentes obesos e magros encontraram níveis mais elevados de uma alteração química chamada de metilação em uma parte do gene UBASH3A e níveis mais baixos em parte do gene TRIM3.

Ambos são conhecidos por seus papéis na regulação do sistema imunológico, que é muitas vezes desequilibrado em indivíduos obesos. Esse mau funcionamento pode resultar em um nível de inflamação crônica que contribui para doenças cardiovasculares, diabete e câncer. A metilação afeta a função imunológica ao atingir os níveis de expressão dos genes, o que em última análise impacta as atribuições das proteínas produzidas por eles.

É preciso conhecer os caminhos da doença para encontrar novos medicamentos. Em geral, sabe-se que as pessoas obesas têm uma desregulação da função imune, mas era conhecido o lugar específico.

O trabalho inicial era amplo: uma tela com o genoma de sete adolescentes obesos e sete magros, o que permitiu identificar os genes mais diferentes entre os dois grupos. Foram classificadas as modificações e, em um estudo maior, com 46 obesos e 46 magros, foram focados os mesmos locais de seis genes principais e encontrado novamente um padrão de metilação distinto no UBASH3A e no TRIM3.

Procura-se, agora esclarecer se a gordura causa as mudanças no DNA ou vice-versa, e confirmar se essas alterações contribuem para a disfunção imunológica associada à obesidade.

Tem sido observado que a obesidade não necessariamente leva a doenças relacionadas, mas é importante ter uma maneira não só de intervir, como também de identificar aqueles com maior risco. Fatores como exercícios, forma física e ambiente provavelmente também influenciam no aparecimento de doenças.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Personalidade Psicopática

Faculdade Moral e Consciência são dois princípios morais da mente humana. Por Faculdade Moral entende-se o atributo da mente humana capaz de distinguir e eleger entre o bem e o mal; ou, dito de outro modo, entre a virtude e o vício. Trata-se de um princípio inato e, ainda que possa melhorar-se pela experiência e pela reflexão, não deriva de nenhuma delas, nem da experiência, nem da razão. Tanto São Paulo quanto Cícero oferecem a descrição mais perfeita sobre a Faculdade Moral que se pode encontrar. Conforme disse São Paulo, "Pois quando os gentis, que não têm lei, praticam por sua natureza as cosas da lei, estes, não tendo lei, são leis para si mesmos, agindo de acordo com uma lei escrita em seus corações, tendo suas Consciências e suas razões como testemunhas que, entre si, os acusam ou defendem mutuamente".

Em Cícero, a Faculdade Moral se confunde, às vezes, com a própria Consciência, que é uma outra atribuição independente e especial da mente. Isso fica refletido na passagem citada dos escritos de São Paulo, em que se disse que a Consciência é a testemunha que nos acusa ou não de uma infração da lei escrita em nossos corações. De um modo geral, a Faculdade Moral realiza a função de legislador (elabora as leis), enquanto que a Consciência atuaria de juiz (julga o ato).

Faculdade Moral e Consciência podem, a grosso modo, ser comparadas ao gosto e à opinião respectivamente, ou à sensação e à percepção. A Faculdade Moral atua sem reflexão, ela é rápida em suas operações e, a Consciência, pelo contrario, avança com passos cuidadosos e avalia todas as ações mediante medidas, inequívocas, do bem e do mal.

A Faculdade Moral se exercita com as ações do indivíduo e dos demais, aprova ou desaprova, inclusive em livros, as virtudes de um personagem, ou desaprova os vícios de outro, tal como o gosto ou paladar por alguma fruta, enquanto que a Consciência limita suas funções só a suas próprias ações, não se projeta nos demais.
Estes dois atributos da mente se encontram, em geral, numa relação mútua, proporcional, compatível e exata mas, às vezes, podem estar presentes em diferentes graus, proporções e tonalidades numa mesma pessoa.
Assim, pode ser possível encontramos uma Consciência plena, junto com uma diminuição ou ausência total da Faculdade Moral. Nesses casos a pessoa tem sim parâmetros de Consciência para situar suas ações entre o bem e o mal, mas não dispõe de um gosto apurado para conduzir-se eticamente.

Onde se situam a Consciência e a Faculdade Moral?
Durante muito tempo os metafísicos se têm perguntado se a Consciência estaria situada na vontade ou no entendimento. Esta controvérsia só pode ser resolvida admitindo-se que na vontade esteja a sede da Faculdade Moral e no entendimento o sítio da Consciência.

Assim sendo, não é difícil admitirmos que a virtude e o vício se baseiam nas ações, mais que nas opiniões, portanto, procedem da vontade e não do entendimento, em outras palavras, têm origem na Faculdade Moral e não da Consciência. Como as ações se refletem na sociedade e os sentimentos não, então o estado da Faculdade Moral se avalia através dos efeitos sobre o bem estar da sociedade. Por sua vez, o estado da Consciência, por se tratar de uma opinião íntima e reservada, é invisível, portanto, está fora do âmbito da nossa argüição.

A Faculdade Moral tem recebido distintos nomes segundo os autores. Trata-se do Sentido Moral, de Hutchison, ou a Simpatia, de Adam Smith, o Instinto Moral, de Rousseau. São João dizia ser "a luz que ilumina todo ser humano que vem ao mundo".

Estados mórbidos que comprometem a Consciência e a Faculdade Moral
Existem, em medicina, numerosos estados patológicos capazes de interferir na memória, na razão, na imaginação e no juízo. A perturbação dessas áreas da performance mental da pessoa tem recebido muitas denominações e descrições clínicas. A perda de memória se tem denominado "amnésia"; um juízo falsamente negativo sobre si mesmo pode ser chamado de perda da autoestima (sintoma da depressão), outras vezes, se esse falso juízo for falsamente positivo, poderá ser chamado de "mania". Na área da imaginação e juízo patológicos teremos as alucinações e delírios, entre outros.

Não obstante, observa-se algumas vezes a existência da Faculdade Moral mesmo onde há prejuízo de outras áreas psíquicas. Como se esse atributo fosse mais uma dádiva que uma capacidade. Demetrio Barcia Salorio diz ter conhecido um homem que não mostrava nenhum sinal de razão e que possuía uma excelente Faculdade Moral. Esta se apresentava de forma que a pessoa passava sua vida toda em atos de benevolência e não só era inofensivo (o que não ocorre sempre com os idiotas), como procurava ser sempre muito amável e afetivo com todo mundo. Não tinha nem idéia do tempo mas passava várias horas do dia orando e praticando o bem.

A memória, a imaginação, a razão e o juízo podem ser significativamente alterados por algumas doenças, intoxicações, traumatismos, sobretudo durante estados febris e em muitas perturbações mentais?

Freqüentemente se observa um paciente ter seu temperamento totalmente transformado pela doença, seja por um episódio agudo de mania, por um estado toxi-infeccioso, etc. Pessoas da mais dedicada virtude podem, durante um delírio febril, pronunciar discursos ofensivos à decência e à moral, assim como se vêem casos de falta de moralidade nos maníacos, os mesmos que anteriormente se distinguiam pela lisura de caráter.

Estados psicológicos que comprometem a Consciência e a Faculdade Moral
Psicologicamente, observamos em numerosas ocasiões que a imaginação se vê alterada por exacerbação de certos medos. De igual maneira, se observa que a falta de Faculdade Moral faz com que a pessoa tenha uma especial sensibilidade pelo vício, independente de seu grau de depravação. Veja o caso da mitomania, por exemplo, a compulsão para a mentira. São pessoas afetas por uma sensibilidade mórbida a ponto de não conseguirem dar uma resposta direta a uma simples pergunta relacionada, quiçá com o tempo, ou a hora do dia, sem que perturbem a paz de suas mentes dizendo uma falsidade.

Há ocasiões em que se produzem mudanças na Faculdade Moral pelos sonhos. Às vezes, sonhamos fazer e dizer coisas que não nos permitiríamos quanto despertos.

Onde faltam a Consciência e a Faculdade Moral?
Existem pessoas que se conduzem pela vida na mais completa falta das Faculdades Morais, mas sem que isso se dê num repente da vida, depois de algum estado mórbido, acompanhando algum processo de deterioração global do psiquismo. São pessoas assim, SÃO assim.

Quiçá a essência da depravação moral nos sociopatas e psicopatas consista numa total falta da Faculdade Moral. Nessas pessoas a vontade parece perder a capacidade de eleger entre o bem e o mal para agir, parece perder a natural inclinação de desfrutar do bem estar moral. Mesmo diante da falta total de Faculdade Moral, pode ser possível que experimentem algum efeito da Consciência, como uma espécie de capacidade discriminatória entre estar agindo certo ou errado. Daí a constante dissimulação de seus atos.

Em alguns casos de deficiência mental grave ou profunda, não é raro que o mesmo torpor ou insensibilidade moral afete tanto a Faculdade Moral quanto à Consciência. Estes, não dissimulam a torpeza de seus atos por desconhecerem a natureza dos mesmos.

Psicopatas e o Traço Inato da Personalidade
Demetrio Barcia Salorio faz uma analogia entre o caráter inato do sentimento sublime que é a Faculdade Moral, essencial ao espírito humano, tal como o apetite por certos alimentos, também comuns a toda a humanidade. É o caso, por exemplo, do pão. Esse alimento básico e simples tem merecido o apreço de todos os povos, culturas e em todas as épocas. O fato de um(s) indivíduo(s) não apreciar(em) o pão não invalida, absolutamente, o gosto universal por esse alimento. Se encontrarmos indivíduos com estômagos desordenados pela intemperança que rechaçam este alimento tão simples e saudável, não podemos afirmar que esta seja a constituição original dos apetites de nossa espécie, mas que os princípios do gosto não existem de modo natural na mente humana.

Segundo estudiosos da personalidade humana, dá-se o nome de constituição psicopática a um desequilíbrio psíquico degenerativo, congênito, de grau variado e que dá um tom anormal à personalidade. Estas constituições são formas especiais de personalidade, com predomínio de tendências anormais por sua direção e seu grau à perversidade.

Através dessa constituição perversa, as atitudes do psicopata se conduzem quase exclusivamente pelos instintos, apesar de refinadas e talhadas ao teatro da vida em sociedade. Por isso, a despeito da máscara do indivíduo socialmente adequado, esses sujeitos são amorais, insensíveis, desadaptados moralmente e impulsivos.

Os traços da personalidade moral do psicopata (anti-social ou sociopática) seriam:

Insensibilidade. Desde menino se observa desapego aos sentimentos e um caráter dissimulado, manifestando emoções convencionalmente esperadas para a situação. Não manifesta inclinação apaixonada por nada e nunca padece por qualquer vínculo afetivo a alguém ou alguma coisa.

Amoralidade. São insensíveis moralmente, faltando-lhes o juízo e o sentimento morais, bem como a mínima noção de ética. Normalmente o psicopata não compreende sentimentos como a lealdade, solidariedade, fraternidade, caridade, respeito, abnegação, tolerância, perdão, resignação, e outros tantos que pertencem ao universo sublime da consciência humana.

Valores e Deveres
O psicopata é, sobretudo, uma pessoa com aversão, descaso e oposição aos valores éticos e às normas de convívio gregário. E o que são esses valores? Os valores têm sua origem nas necessidades de convivência social.

Os valores nascem da soma das experiências individuais e do grupo que formam padrões de condutas desejáveis. Uma vez constituído, esses valores são transmitidos do entorno ao indivíduo, através da família, da escola, da comunidade. Qualquer que seja o valor de uma cultura, ele teve o propósito de melhorar a sobrevivência gregária em alguma época do desenvolvimento da espécie.

Conceitos externos ao indivíduo que emanam de seu entorno social e cultural são introjetados e assimilados, e logo passam a fazer parte de si próprio, passam a converter-se em "seus valores". Esses valores serão decisivos para a adoção de modelos de conduta.

sendo, esses conceitos (parâmetros) permitem que a pessoa tenha uma conduta concordante ou discordante, ajustada ou desajustada ao seu entorno. Até por uma questão da lógica, havendo uma margem de ajuste desejável aos conceitos sociais, haverá também, e obrigatoriamente, uma margem de desajuste indesejável socialmente. Quando essa margem de condutas desajustadas for ainda tolerável, estaremos diante daqueles pequenos desvios aos valores básicos. Isso sugere que em toda sociedade existe a possibilidade de tolerância a pequenos desvios das normas.

da comunidade humana, o fato de pertencer a um grupo significa um sistema de segurança para o indivíduo, um resguardo contra seu próximo. A pessoa inserida nesse grupo, terá um dever, uma responsabilidade e deverá seguir um código. Em troca, o grupo ao qual pertence o protege de circunstancias que poderiam ser perigosas.

O dever é, então, a responsabilidade do indivíduo para com o grupo, é um elemento extrínseco à pessoa, mas é intrínseco à comunidade. Portanto, a comunidade saberá se tal pessoa vem cumprindo ou não com seu dever, se tem sido responsável ou não.

Não cumprir com esses códigos individuais, faltar com esses deveres, gera aversão do sistema e, deveria gerar culpa na pessoa. A expressão da culpa sentida pela pessoa contraventora resulta, de certa forma, na anistia do sistema, pois a culpa reflete a concordância do indivíduo com os valores do sistema. O psicopata desperta sentimentos aversivos porque, entre outros motivos, falta-lhe o sentimento da culpa.

Existe, por um lado, a lei e as normas e, por outro lado, as ambições do indivíduo. As ambições individuais terão aval do sistema se respeitarem as regras do jogo, os códigos da sociedade e o equilíbrio adaptativo. A sociedade tem uma limitação e uma permissão que é explícito e corresponde às normas, as leis.

Logo há uma permissão tácita, implícita e que não está escrito, fazendo com que se tolerem alguns desvios à norma. Assim sendo, podemos dizer que a sociedade tolera certos erros mas impõe limites a esses erros, portanto, há limites à ambição do indivíduo. O que a sociedade não admite é a ostentação do erro. Reincidir, não sentir culpa e não se arrepender, significa ostentar o erro e desafiar o sistema. É exatamente isso que faz o psicopata.

O Psicopata, os Valores e as Normas
O psicopata, por sua vez, superdimensiona suas prerrogativas, possibilidades e imunidades; "esta vez não vão me pegar", ou "desta vez não vão perceber meu plano", essas são suas crenças ostentadas.

Toda lei ou norma, gera temor e inibição, implicam na possibilidade de castigo. A lei está feita para domar, para obrigar e para condicionar as condutas instintivas dos indivíduos. O psicopata não apenas transgride as normas mas as ignora, considera-as obstáculo que devem ser superados na conquista de suas ambições. A norma não desperta no psicopata a mesma inibição que produz na maioria das pessoas.

Para os contraventores não psicopatas, vale o lema "Se quer pertencer a este grupo, estas são as regras. Se cumprir as regras está dentro, se não cumprir está fora". Mas o psicopata tem a particularidade de estar dentro do grupo, apesar de romper todas as regras, normas e leis, apesar de não fazer um insight, não se dar conta, não se arrepender e não se corrigir. Sua arte está na dissimulação, embuste, teatralidade e ilusionismo.

Os psicopatas parecem ser refratários aos estímulos, tanto aos estímulos negativos, tais como castigos, penas, contra-argumentações à ação, apelo moral, etc., como também aos estímulos positivos, como é o caso dos carinhos, recompensas, suavização das penas, apelos afetivos. Essa última característica é pouco notada pelos autores. O psicopata não modifica sua conduta nem por estímulos, positivos, nem pelos negativos.
Para o psicopata a mentira é uma ferramenta de trabalho. Ele desvirtua a verdade com objetivo de conseguir algo para si, para evitar um castigo, para conseguir uma recompensa, para enganar o outro. O psicopata pode violar todo tipo de normas, mas não todas as normas. Violando simultaneamente todas as normas seria rapidamente descoberto e eliminado do grupo.

A particular relação do psicopata com outros seres humanos se dá sempre dentro das alterações da ética. Para o psicopata o outro é “uma coisa”, mais uma ferramenta de trabalho, um objeto de manipulação. Essa é a coisificação do outro, atitude que permite utilizar o outro como objeto de intercâmbio e utilidade. Esta coisificação explica, talvez, torturar ou matar o outro quando se trata de um delito sexual, sádico ou de simples atrocidade.

Cognição, Relação Objectual e Comportamento do Psicopata
Algumas condutas psicopáticas podem parecem ilógicas aos demais, mas são perfeitamente lógicas para o psicopata. Isso ocorre porque entre o psicopata e as demais pessoas existem lógicas distintas, sistemas de raciocínio distintos, códigos distintos, valores diferentes e necessidades diversas.

Tendo em vista o fato da conduta psicopática ser, às vezes, de muita instabilidade diante de estímulos objetivamente pequenos e, ao contrário, podendo manifestar serenidade em situações que desestabilizariam a maioria das pessoas, entende-se que o relacionamento sujeito-objeto no psicopata seja diferente.

A personalidade psicopática faz com que os indivíduos atuem sociopaticamente para satisfazer suas necessidades. Parara tal, eles podem se valer da extrema sedução, de especial sensibilidade para captar as necessidades e sensibilidades do outro e manipulá-los como melhor aprouver, de mentiras e todo tipo de recursos independentemente do aspecto ético.

A relação cognitiva psicopata-sistema social (sujeito-objeto), no que diz respeito às normas e regras, se caracteriza pela total intolerância aos impedimentos naturais e coletivos, intolerância às frustrações com graves reações de descompensação diante delas, falta de arrependimento e culpa quando desrespeita as normas e regras próprias do sistema.

Os momentos de crise dos psicopatas são produzidos por frustrações e fracassos e, nessas circunstâncias seu comportamento é totalmente imprevisível, podendo chegar ao assassinato. Mas, para terceiros, eles colocam sempre a responsabilidade de seu fracasso no outro ou em elementos externos e alheios à sua responsabilidade (defesa "aloplástica").

Por outro lado, o êxito do psicopata no meio social não assegura, obrigatoriamente, que ele se estabeleça. Diante de quaisquer frustrações, sensação de rejeição ou contrariedade, ou ainda, inexplicavelmente, acabam destruindo tudo o que tinham feito, muitas vezes através de um ato banal, impulsivo ou descontrolado. Essas atitudes de descontrole, com risco e perda da situação estabelecida, são demasiadamente desconcertantes para pessoas normais, para familiares, companheiras(os) ou conhecidos. Essas atitudes totalmente inconseqüentes favorecem as inúmeras rupturas conjugais que acompanham sua biografia.

Na sua relação com o sistema, o psicopata pode manifestar três tipos de condutas, as quais, como veremos, confundem mais ainda as opiniões a seu respeito:

a) Conduta normal. É sua parte teatralmente adaptada ao padrão de comportamento normal e desejável. Assim agindo o sistema não o percebe e pode até atribuir-lhe adjetivos elogiosos. Como diz o ditado, “o maior mérito do demônio é convencer a todos que ele não existe”.

b) Conduta psicopática. É a inevitável manifestação de suas condutas psicopáticas, as quais, mais cedo ou mais tarde, obrigatoriamente se farão sentir. Entretanto, como o psicopata costuma ser intelectualmente privilegiado, ele não exerce sua psicopatia indistintamente com todos e todo o tempo. Ele elege sabiamente determinadas pessoas, vítimas ou circunstâncias.

c) Rompante (surto) psicopático. É a conduta psicopática desestabilizada e que foge ao controle eletivo próprio do item anterior (conduta psicopática dirigida). Diante de grande instabilidade emocional e explosiva tensão interna, o psicopata trata de equilibrar-se através do rito psicopático, grupo de condutas repetitivas, constituindo o padrão psicopático. Nessa situação surgem impulsos e automatismos que acabam resultando nos homicídios seriais ou extremamente cruéis, as violações, destruições e, algumas poucas vezes, suicídios.

A Autocrítica e Sedução do Psicopata
Em geral o psicopata se justifica, aos outros e a si mesmo, em todas suas ações. Perguntado por que não segue as normas, a resposta é, simplesmente, porque as normas não se ajustam a seus desejos, condições e circunstâncias.

Este tipo de personalidade tem um particular sentido da liberdade. Para o psicopata, ser livre é poder fazer sem impedimentos. Poder optar sem inibições, repressões e limitações internas ou externas.

Normalmente é esse uso particular da liberdade que o faz também um sedutor e manipulador, normalmente apelando às liberdades reprimidas do outro. Normalmente ele convence seu próximo à promiscuidade, uso de drogas, corrupção, cumplicidade e toda sorte de atitudes torpes que lhe interessam.

Talvez o psicopata tenha poderosa intuição sobre as máscaras sociais e sobre o animal desejoso que todos carregamos dentro de nós e, valendo-se dessas franquezas, anime e convença o outro a participar do jogo ambivalente de satisfações e angustias.

A Responsabilidade Legal do Psicopata
É o psicopata responsável por seus atos?
O psicopata pode ser avaliado biologicamente ou etologicamente considerando a variabilidade da espécie (humana), tendo sua conduta observada sob o ponto de vista estatístico, ou seja, se é raro e incomum ou comum e freqüente.

Pode ser objeto de estudo do sociólogo, perscrutando-se o ajuste do indivíduo ao grupo, se é adaptado ou desadaptado, bem como sob o ponto de vista do moral, se tem sido ético, antiético ou aético. Pode ainda ser argüido pelo jurista, ao julgar suas responsabilidades, pelo psicólogo, investigando-se suas motivações da conduta individual.

O exame médico do psicopata, entretanto, é apenas mais uma maneira de avaliação do indivíduo, não é a única, portanto, não é a única responsável pela palavra final. O médico, portanto, deve limitar-se a seu estrito campo da medicina, o qual consiste em avaliar se uma pessoa está ou não doente. E, o psicopata, pode ser raro, desadaptado, malvado, delinqüente ou ter uma conduta incompreensível, mas, sob todos os critérios da patologia médica, não é um doente.

Para avaliar a responsabilidade se estabelecem três regras criminais:

1. O psicopata não pode ser declarado insano a priori, antes de passar por um perito. A regra geral é que um imputado está ciente de seus atos, até que se demonstre o contrário. Baseando-se estritamente nos conhecimentos legais e psicopatológicos do certo e errado, os psicopatas são responsáveis e têm noção da natureza de seus atos, já que conhecem perfeitamente as normas, como todos os demais. Uma prova dessa noção é o fato deles não agirem se souberem que a possibilidade de serem descobertos for maior.
Em contrapartida, se nos referimos ao estritamente moral, a questão é mais ambígua, porque falta ao psicopata apego emocional e sentimento de culpa, como se faltasse ao cão o faro.

2. Impulso irresistível. Esta regra afirma que o sujeito pode, apesar de conhecer a diferença entre o bem e o mal, ter um impulso irresistível de cometer o ato. Esta opinião não é compartilhada por todos, já que alguns encontram ambigüidade na característica irresistível do impulso. Impulso implica espontaneidade e em alguns casos, o psicopata prepara cuidadosamente seu crime durante muito tempo antes de cometê-lo.

3. A terceira regra propõe que o sujeito não é responsável criminalmente se sua ação delituosa é produto de sua doença ou sua tara mental. Uma pessoa não é responsável de uma conduta criminosa, se no momento de tal conduta têm diminuída suas capacidades fundamentais para comportar-se de conformidade sua conduta com a lei.

Resumindo, existem três possibilidades, em tese, que a lei oferece aos tribunais mundiais e são as seguintes:

a) Responsabilidade Total: castiga a um indivíduo anormal do mesmo modo que ao normal;

b) Responsabilidade Atenuada: não há solução plausível, já que depois de uma curta estadia na prisão encontram melhores condições para voltar a delinqüir.

c) Isenção de Responsabilidade: considera o psicopata um doente mental, devendo ser encaminhado a um hospital psiquiátrico. Ao invés de se considerar a psicopatia como um desvio do comportamento, seria considerada uma anomalia estrutural da personalidade tal como uma autêntica doença mental. Isso reduziria a pena por homicídio em dois graus, ficando rebaixada a quatro anos de prisão.

A legislação de muitos países tende a não considerar o psicopata uma pessoa doente, pelo fato dele poder discernir e entender a criminalidade de seus atos e pela plena capacidade de dirigirem suas ações. Portanto, as pessoas com esse tipo de personalidade seriam responsáveis por tudo que fazem, logo, imputáveis peles seus atos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Testes genéticos começam a ser oferecidos no consultório médico...

Proposta dos exames é avaliar risco de doenças ligadas à alimentação, como obesidade, intolerância à lactose e ao glúten.

Médicos brasileiros estão oferecendo no próprio consultório testes genéticos para avaliar o risco de doenças ligadas à alimentação, como obesidade, intolerância à lactose e ao glúten. Especialistas em genética, no entanto, questionam a utilidade clínica desse tipo de exame, que pode custar mais de R$ 1.600.

O exame é feito com uma amostra de células bucais do paciente, que o médico colhe com cotonete, deposita em papel especial e encaminha para o laboratório. A análise dos genes indica se a pessoa tem perfil favorável ao surgimento de algumas enfermidades. Mas no caso de doenças como obesidade e câncer, que também dependem de fatores ambientais, especialistas afirmam não ter grande utilidade.

Uma das empresas que comercializam os testes preditivos no País é a Eocyte Pharma Care, que oferece exames para 36 doenças. O carro-chefe são os três da área de nutrigenômica: intolerância à lactose, doença celíaca e obesidade, que supostamente também mede o risco de diabete e problemas cardíacos.

Como tudo que é novo, o preço começa lá em cima, mas certamente após alguns anos, com perda de patente, produção em massa, e outros fatores, teremos a democratização da genética no consultório, isto é, daqui algum tempo você poderá ir ao consultório médico e pedir uma "bateria" de exames genéticos "in loco" para saber quais serão suas predisposições para doenças em quaisquer níveis.

Quem viver, verá.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um terço das grávidas pode sofrer de depressão ou ansiedade

É o que mostra estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e publicado no “Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology”. Apesar da necessidade de tratar o problema, no entanto, o trabalho sugere que ele não interfere no peso da criança ao nascer ou na ocorrência de partos prematuros, ao contrário do que outros pesquisadores já sugeriram.

O estudo contou com 831 gestantes com uma idade média de 25 anos. A prevalência de transtornos mentais como ansiedade e depressão foi de 33%. Entre as mulheres que apresentavam os sintomas, apenas 7,6% dos bebês nasceram com baixo peso (menos de 2,5 Kg) e 6,9% tiveram parto prematuro (antes da 37ª semana), valores não muito diferentes dos encontrados entre as grávidas sem o problema.

A relação esse tipo de transtorno na gravidez e complicações no parto ou baixo peso ao nascer é controversa: alguns estudos indicam que há interferência, enquanto outros dizem que não.

Uma revisão recente de diversos estudos defende a associação, mas ao mesmo tempo diz que ela é modesta e que depende de contextos socioeconômicos (ou seja, do grau de desenvolvimento da população estudada.

Os fatores que mais predispõem a gestante a sintomas ansiosos e depressivos são baixo nível socioeconômico, conflitos conjugais, falta de suporte social, histórico pessoal e familiar de depressão ou outro problema psiquiátrico e ausência de planejamento da gravidez.

Ainda que o problema não interfira tanto na saúde do bebê ao nascer, deixar de tratá-lo na gravidez pode trazer consequências para a criança no futuro. Gestantes deprimidas ou ansiosas têm maior risco de sofrer depressão pós-parto, o que prejudica o desempenho da mãe em um momento crítico do bebê.

Estudos que acompanharam o desenvolvimento psicossocial e motor dos filhos de mães deprimidas mostram uma série de complicações, como pior performance em testes, prejuízo nos relacionamentos sociais, comportamento antissocial, isolamento e tendência a depressão.

O tratamento da depressão durante a gravidez pode envolver o uso de medicamentos, mas de forma criteriosa. Sabe-se que existem trabalhos associando alguns tipos de antidepressivos a malformações fetais, por isso os médicos costumam avaliar muito bem o custo-benefício da terapia, além de evitar a prescrição no primeiro trimestre de gestação e tentar sempre a menor dose possível. Já para casos leves ou moderados, a primeira opção pode ser a psicoterapia, que gera melhora dos sintomas em 60% das vezes.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Unifesp seleciona voluntários para pesquisas

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) seleciona voluntários para quatro pesquisas. Os interessados devem entrar em contato com a universidade.
O Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (Cepe) da Unifesp recruta voluntários para a pesquisa sobre efeito do exercício físico no padrão de sono. São necessários 30 voluntários, de ambos os sexos, com idade entre 30 e 55 que sofram de insônia. Quem tem doenças crônicas ou problemas ortopédicos que não possam praticar exercícios físicos não podem participar.
O estudo tem duração de quatro meses. E os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 5572-0177 ou e-mail insonia.exercicio@gmail.com.
O Departamento de Psicobiologia da Unifesp seleciona voluntários com mais de 60 anos, para avaliar a relação entre o declínio da memória e os hormônios do estresse. Não podem participar idosos com menos de quatro anos de escolaridade, que tenham doenças neurológicas ou psiquiátricas, e que sejam fumantes. Os interessados devem ligar para (11) 3061-7544, de segunda a sexta-feira.
O Departamento de Medicina Translacional da Unifesp está recrutando voluntários para pesquisa sobre os efeitos de suplementos alimentares na pressão arterial pós exercício, em indivíduos hipertensos. Podem se candidatar às vagas homens hipertensos, com idade entre 30 e 55 anos, não fumantes, que não façam uso de nenhum tipo de suplemento alimentar, sem problemas ortopédicos e que não pratiquem exercícios físicos.
Os voluntários devem ter disponibilidade na parte da manhã para realização dos testes. Serão realizados exames de sangue e avaliação física gratuitamente. Há 10 vagas disponíveis. E para se candidatar é preciso entrar em contato
pelo telefone (11) 4653-5597, às terças e sextas-feiras e aos sábados, ou pelo e-mail marcosanascimento@uol.com.br.
A Unidade de Dependência de Drogas oferece 20 vagas no ambulatório de orientação aos pais de jovens entre 12 e 15 anos que consumam álcool, cigarro ou qualquer outro tipo de droga em excesso, mesmo que não sejam dependentes. O ambulatório oferece oito sessões semanais gratuitas às quintas feiras, em horário comercial. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 5549-2500.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Calores do Climatério

O antidepressivo Escitalopram pode reduzir a frequência e os calores do climatério, segundo um estudo governamental divulgado nesta quarta-feira, 19, pelo jornal da Associação Médica Americana.

A pesquisa se baseou em experiências em mais de 200 mulheres de meia-idade que tinham uma média de 10 ondas de calor por dia. Após oito semanas, as mulheres que tomaram o antidepressivo tiveram 5,25 ondas de calor por dia, enquanto as que tomaram placebo sofreram 6,5.

As mulheres que tomaram o Escitalopram eram mais inclinadas a pensar que o tratamento era benéfico, de modo que a maioria delas manifestou seu desejo de continuar com a medicação.

Uma pessoa deprimida necessita tomar antidepressivos durante semanas ou meses para começar a ver resultados. No entanto, as mulheres que os tomam para aliviar os calores da menopausa notam as mudanças em cerca de uma semana.

Os antidepressivos são utilizados para tratar a depressão através do aumento dos níveis de serotonina no cérebro, mas por enquanto não está comprovado se ajudam a reduzir os calores típicos da menopausa.

Até o momento, o tratamento hormonal é o único aprovado pela Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos (FDA) para aliviar os sintomas da menopausa.

No entanto, não se recomenda manter esse tratamento a longo prazo porque aumenta os riscos de a pessoa desenvolver doenças do coração, câncer de mama, e outros problemas associados à combinação de estrogênios com progesterona.

Além disso, a efetividade de remédios naturais para amenizar os sintomas da menopausa, como cimicifuga racemosa e óleo de onagra, é discutida. Alguns médicos prescrevem antidepressivos para reduzir os sintomas da menopausa, mas o fazem sem a aprovação da FDA, nos Estados Unidos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Anticoncepcional: o mito.

É verdade que as pílulas anticoncepcionais provocam o ganho de peso? Segundo uma nova pesquisa conduzida nos Estados Unidos, não. Os resultados do estudo foram publicados na revista Human Reproduction.

Na pesquisa, os cientistas acompanharam macacos-rhesus, que têm um sistema reprodutivo praticamente idêntico ao humano, durante um ano. O estudo realizado com animais tem uma vantagem, no entanto: as variáveis podem ser medidas e controladas mais facilmente, o que torna os dados mais importantes.

No início do estudo, metade dos animais eram obesos. Durante um tratamento de oito meses, os animais receberam anticoncepcionais por via oral, ajustados ao peso que apresentavam, de forma que a dosagem imitasse a que as mulheres recebem. Os pesquisadores monitoraram o peso, a alimentação, os níveis de atividade física, gordura corporal e massa muscular dos animais. Na conclusão do estudo, o grupo de peso normal permaneceu estável e o grupo obeso perdeu peso (8,5%) e gordura corporal (12%) devido ao aumento do metabolismo basal. Não foram vistas mudanças na ingestão de alimentos ou atividade física em nenhum dos grupos.

Esse estudo sugere que as preocupações sobre ganho de peso com o uso de pílulas anticoncepcionais parecem ser mais baseadas na ficção que em fatos.

Além disso, pode haver um efeito diferente dependendo do peso com que você começa a usar o medicamento. Provavelmente, a razão pela qual essa crença continua a existir é por que o ganho de peso que parece acontecer com a idade está sendo atribuído às pílulas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

HERPES LABIAL

O herpes é uma infecção causada pelo Herpes simplex virus. O contato com o vírus ocorre geralmente na infância, mas muitas vezes a doença não se manifesta nesta época. O vírus atravessa a pele e, percorrendo um nervo, se instala no organismo de forma latente, até que venha a ser reativado.

A reativação do vírus pode ocorrer devido a diversos fatores desencadeantes, tais como: exposição à luz solar intensa, fadiga física e mental, estresse emocional, febre ou outras infecções que diminuam a resistência orgânica. Algumas pessoas tem maior possibilidade de apresentar os sintomas do herpes. Outras, mesmo em contato com o vírus, nunca apresentam a doença, pois sua imunidade não permite o seu desenvolvimento.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As localizações mais frequentes são os lábios e a região genital, mas o herpes pode aparecer em qualquer lugar da pele.

Uma vez reativado, o herpes se apresenta da seguinte forma:

inicialmente pode haver coceira e ardência no local onde surgirão as lesões.
a seguir, formam-se pequenas bolhas agrupadas como num buquê sobre área avermelhada e inchada.
as bolhas rompem-se liberando líquido rico em vírus e formando uma ferida. É a fase de maior perigo de transmissão da doença.
a ferida começa a secar formando uma crosta que dará início à cicatrização.
a duração da doença é de cerca de 5 a 10 dias.

TRATAMENTO

Os seguintes cuidados devem ser tomados durante um surto de herpes:

o tratamento deve ser iniciado tão logo comecem os primeiros sintomas, assim o surto deverá ser de menor intensidade e duração;
evite furar as vesículas;
evite beijar ou falar muito próximo de outras pessoas, principalmente de crianças se a localização for labial;
evite relações sexuais se for de localização genital;
lave sempre bem as mãos após manipular as feridas pois a virose pode ser transmitida para outros locais de seu próprio corpo, especialmente as mucosas oculares, bucal e genital.

O tratamento deve ser orientado pelo seu médico. É ele quem pode determinar os medicamentos mais indicados para o seu caso que, dependendo da intensidade, podem ser de uso local (na forma de cremes ou soluções) ou de uso via oral, na forma de comprimidos.

Quando as recidivas do herpes forem muito frequentes, a imunidade deve ser estimulada para combater o vírus. Os fenômenos desencadeantes devem ser evitados, procurando-se levar uma vida o mais saudável possível. A eficácia das vacinas contra o herpes são muito discutidas, mostrando bons resultados em alguns pacientes mas nenhum resultado em outros.

Violência

Vamos tratar, por alguns dias, de termos utilizados em psiquiatria, tentando entendê-los com palavras diretas e sem "tantos" termos técnicos.

Começo com violência, no dia de hoje.

Não é objetivo aqui, tratar a agressão e a violência sob a ótica dos elementos psicodinâmicos, das variáveis sócio-culturais ou do ponto de vista ético e estético. Esse trabalho se atrelaria mais à psicologia, antropologia, à moral e à ética. Nossa questão será neuropsiquiátrica, por excelência.

Como analogia, para fins didáticos, vamos considerar a relação mente-cérebro como se fosse uma unidade de trabalho composta de um cavalo e um cavaleiro. O cavalo, nesse exemplo, representa a parte cerebral e o cavaleiro a parte mental. Assim, podemos aventar a possibilidade de um cavaleiro muito virtuoso, capaz de conduzir com maestria um animal pouco domado, ainda que esse animal fosse portador de alguma impetuosidade constitucional. Um cavaleiro frágil, entretanto, pode fazer um mau trabalho mesmo se o cavalo for bom.

Durante um relacionamento agressivo, geralmente o cérebro (eixo hipotálamo-hipofisário) envia um sinal às glândulas supra-renais determinando a liberação de adrenalina na corrente sangüínea. Há, rapidamente, um aumento da excitação fisiológica e do nível de vigilância do organismo. Simultaneamente, também procedente das supra-renais, os níveis sangüíneos de cortisol livre aumentam, numa clara demonstração da interação entre os estímulos externos e a fisiologia interna.

Experimentalmente, o inverso da seqüência acima parece ser também verdadeiro, de acordo com o que sugere os experimentos de Raynes (1970) com peixes lutadores. O pesquisador estimulou a agressividade nestes peixes colocando álcool na água, enquanto A mesma coisa foi feita com noradrenalina. Outros experimentos demonstram que a agressividade pode ser alterada modificando-se a taxa metabólica de certos neurotransmissores do sistema nervoso central, mais precisamente da noradrenalina, serotonina e dopamina. Parece ser também de importância fundamental o papel dos hormônios sexuais no perfil da agressividade do indivíduo.

Existe, inegavelmente, uma sólida inter-relação entre estímulos externos e a fisiologia interna no mundo animal. Mais importante ainda, é a relação entre a fisiologia interna e a resposta comportamental. Vimos que um estímulo estressor pode determinar um aumento na secreção de substâncias químicas do tipo adrenalina, hormônios e neurotransmissores, colocando o indivíduo numa posição de alarme, pronto para a luta ou para a fuga. Por outro lado, esta posição de alarme também pode ser determinada a partir do aumento (experimental) destas substâncias sem, necessariamente, a presença do agente estressor vivencial.

Os neurotransmissores alterados na agressão são fisiologicamente encontrados no Sistema Límbico (parte do cérebro chamado de "centro das emoções), e isso dirigiu a atenção dos pesquisadores para esta área do Sistema Nervoso Central (SNC), cuja fisiologia descrevemos mais abaixo. E é aí que entra o elemento topográfico e anatômico da agressão. O Sistema Límbico é fisiologicamente relacionado ao controle e elaboração da maioria dos comportamentos motivados.

Em relação aos hormônios sexuais, durante séculos o conhecimento geral atesta o fato de um garanhão selvagem castrado tornar-se muito mais dócil. Da mesma forma que a castração de um touro selvagem transforma-o num boi trabalhador e submisso. Nos seres humanos a castração terapêutica foi institucionalizada nos países escandinavos, particularmente na Dinamarca, e seu uso restringe-se praticamente aos criminosos sexuais.

A legislação desses países coloca a castração terapêutica como uma opção voluntária do prisioneiro, cuja não concordância implica em reduzidas chances de sair da prisão. Baseado nas poucas centenas de casos estudados, pode-se dizer que a castração proporciona uma pacificação geral nestes prisioneiros e há um número relativamente pequeno de recidivas, segundo Johnson.

Psicopatologicamente, a violência e a agressão não podem ser considerados características de nenhum estado psicopatológico particular. Sabemos, como também deve saber qualquer profissional da área com bom senso e observação, das relações entre a Epilepsia do Lobo Temporal e crises de furor e agressividade extremada. Também lembramos os casos de Embriagues Patológica, como um bom exemplo de agressividade exagerada e responsável por inúmeros crimes de agressão. Este estado se caracteriza por uma mudança abrupta e profunda na personalidade motivada pela ingestão de bebida alcoólica (mesmo em pequena dose).

Psicodinamicamente, a agressão deve ser considerada à luz da conjuntura sócio-cultural. Há inúmeras reflexões filosóficas acerca do natural (ou não) potencial agressivo e violento do ser humano. Rousseau teimava em reconhecer uma certa bondade natural do indivíduo, o qual, colocado diante de uma sociedade corruptora transformaria sua boa natureza em atuação social condenável. Thomas Hobbes, por outro lado, afirmava ser vil e mau uma condição natural do ser humano. Sua sociabilidade aceitável e meritosa devia-se à atuação modeladora da sociedade, normalmente através dos mecanismos de coerção e gratificação (valores).

Entre estas duas correntes principais e opostas devemos entender todos os casos de nossa observação de forma individualizada, considerando as peculiares circunstanciais de cada um, lembrando sempre que comportamentos, atitudes, sentimentos e emoções costumam ultrapassar os conhecimentos que temos dos neurotransmissores, da topografia e fisiologia cerebrais.

Enfim, a fisiopatologia da agressão e violência é um vasto campo por onde deverão desfilar infindáveis hipóteses e pesquisas. Além disso, as circunstâncias existenciais a que se submete o indivíduo durante sua trajetória de vida tendem a inviabilizar uma sistematização mecanicista acerca deste tipo de comportamento motivado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Comer mais no café da manhã não ajuda a comer menos durante o dia.

"O café da manhã é a refeição mais importante do dia." Frases populares como essa imortalizaram a crença de que um café da manhã reforçado é importante para uma nutrição balanceada. Mas será que comer mais no café da manhã é mesmo melhor? Uma pesquisa publicada na revista Nutrition Journal ajuda a esclarecer o papel do desjejum na dieta balanceada.

Os pesquisadores avaliaram a dieta de 300 pessoas, que fizeram um diário de sua alimentação. No grupo havia aqueles que comiam muito no café da manhã, os que comiam pouco e os que não comiam nada.

Segundo os cientistas, os resultados da análise dos diários mostram que as pessoas comem a mesma quantidade no almoço e no jantar, independentemente do que comeram no desjejum. Sendo assim, um acréscimo de calorias no café de manhã apenas resulta em um acréscimo de calorias no total do dia, não ajudando na redução das refeições ao longo do dia.

A única diferença observada foi o benefício de não se fazer um lanche no meio da manhã quando o café da manhã já foi grande. No entanto, isso não foi suficiente para compensar as calorias a mais que já haviam sido ingeridas.

O grupo de cientistas responde com essa pesquisa a uma pesquisa anterior, que afirmava que um café da manhã reforçado reduzia a ingestão de calorias no dia, mostrando que esses dados podem ser enganosos. Isso por que a pesquisa anterior avaliou a proporção entre as calorias ingeridas no desjejum e nas demais refeições, notando uma aparente diminuição (quando na verdade, o acréscimo de calorias da primeira refeição do dia não estava gerando uma diminuição nas demais refeições). Em outras palavras, o café da manhã é proporcionalmente, mas não em absoluto, maior.

Pílula de óleos essenciais oferece alívio para a TPM, mostra pesquisa brasileira.

Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco mostrou que medicamento é eficaz e tem poucos efeitos colaterais.

Uma pílula contendo uma mistura de óleos essenciais se mostrou significantemente eficaz na redução dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM). Cientistas da Universidade Federal de Pernambuco conduziram testes randomizados do novo medicamento em 120 mulheres. Eles apresentaram nesta segunda-feira, 17, os resultados do trabalho na revista Reproductive Health.

A administração de 1 a 2 gramas de ácidos graxos essenciais a pacientes com TPM resultou em uma diminuição significativa dos sintomas. Além disso, a prescrição de um suplemento de dieta não resultou em mudanças nos níveis de colesterol das pacientes avaliadas.

As mulheres que receberam as pílulas com 2 gramas de uma combinação de ácido gamalinolênico, ácido oleico, ácido linoleico, outros ácidos poliinsaturados e vitamina E relataram melhorias significativas nos sintomas da TPM três meses depois do início do tratamento. Poucos efeitos colaterais foram ligados ao medicamento.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Comentários pelas ruas:

Se a São Silvestre fosse em janeiro, o Cesar Cielo ia humilhar!

Depois do Airbag, os coletes salva vidas são os opcionais mais importantes nos carros de Sao Paulo.

O melhor serviço de entrega em SP é do Submarino.

Vamos assistir a chuva lá em casa hoje??

Quem acha que a água do mundo está acabando não mora em SP.

Bob Esponja vira pra Lula Molusca: "Bora pra Sao Paulo!! Da até pra gente ir no Shopping!! Hêhêhêhêhê

Noé precisamos de você em Sampa!!

Meu passeio ciclístico de hoje fiz de pedalinho

Agora SP inteira tem casa com vista para o mar.

Tem carioca morrendo de inveja, agora São Paulo tem dois mares: Mar ginal Tiete e Mar ginal Pinheiros

Fagner para Kassab: "Quem dera ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar..

A Dilma está lançando o BALSA-FAMILIA pra ajudar São Paulo

Pelo menos a SABESP cumpriu o prometido: água e esgoto na casa de todo mundo.

O Kassab tá trocando o bilhete Único pelo bilhete Úmido!!

A Marta disse para o Kassab: Relaxa e bóia!!!

Depois de tanta chuva, Kassab anunciou a construção da hidroelétrica do Anhangabaú.

Em SP não se fala mais direita e esquerda... agora é bombordo e estibordo!

Acne pode ser provocada por uma bactéria.

Uma bactéria que provoca acne e é comumente encontrada na pele agora é conhecida por causar infecções em todo o corpo. A Propionibacterium acnes tem sido associada a infecções oculares, respiratórias, em articulações e válvulas do coração (endocardite).

Anteriormente, os pesquisadores achavam que a presença da bactéria no local dessas infecções devia-se à contaminação da pele. Por exemplo, uma infecção dentro do corpo após uma cirurgia poderia ter sido causada por uma transferência de bactérias vindas de uma ferida aberta na epiderme.

Mas estudos recentes têm contestado isso, sugerindo que a P. acnes, já dentro do organismo, pode ser a razão. Embora seja muitas vezes vista como um "agente inocente" quando encontrada no sangue e em tecidos de pacientes, essa bactéria não deve ser descartada no diagnóstico de doenças, dizem os autores.

As pessoas que são diagnosticadas incorretamente podem vir a desenvolver complicações da infecção se a bactéria errada for alvo de tratamento. Por isso, é vital que a infecção com P. acnes não seja ignorada, e que o público esteja ciente da presença desse micro-organismo no corpo.

É importante reconhecer que ele tem a capacidade de crescer lentamente dentro das células e também sobre a superfície de dispositivos médicos no corpo, durante uma operação. Essa bactéria tem sido associada à acne comum, em que contribui para a inflamação e a dor. Pesquisas recentes mostram ainda que ela pode estar envolvida em outras condições graves, como o câncer de próstata.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Combate ao envelhecimento da pele!

Uma equipe de cientistas descobriu o mecanismo de renovação da pele presente do verme Caenorhabditis elegans, o que abre novas linhas de estudo na luta contra o envelhecimento da derme em humanos e a cura e cicatrização de ferimentos.

Publicado na revista "PNAS", o trabalho poderia ajudar no tratamento de câncer de pele e no desenvolvimento de tratamentos contra os nematódeos, doenças parasitárias causadas por nematódeos, um tipo de verme como o estudado nesta pesquisa, muito comum nos países em desenvolvimento.


Ao envelhecer, a qualidade da pele de um animal piora drasticamente, embora os mecanismos que geram o envelhecimento cutâneo ainda não tenham sido descobertos, detalhou o cientista espanhol.

O estudo constata que o processo de mudança no verme está associado às mudanças no estado de oxidação de proteínas presentes em sua pele.

Quando é bloqueada a atividade destas proteínas, a pele velha não se debilita o suficiente para que o animal rompa e passe à fase seguinte do estado larváceo, por isso que o nematódeo acaba morrendo preso dentro de sua própria pele.

Pelo contrário, a aplicação de glutationa, uma molécula presente em todos os organismos vivos e que regula o equilíbrio de oxidação celular, favorece a mudança e a passagem ao estado seguinte larváceo, já que ajuda ao verme a degradar a pele velha e separar-se dela.

Apesar de que, por enquanto, os resultados só foram demonstrados no verme Caenorhabditis elegans, as descobertas deste estudo poderiam servir de base para a pesquisa da renovação da pele humana e de outros animais, assim como no tratamento de cânceres cutâneos e outras afecções da pele, segundo o CSIC.

As nematodiases são doenças que afetam humanos, animais e plantas. A elefantíase, na qual as larvas obstruem os copos linfáticos, e a anisaquíase, que afeta os humanos após a ingestão de peixe cru contaminado por parasitas, são algumas das variantes deste mal, que atinge milhões de pessoas no mundo todo, principalmente nos países em vias de desenvolvimento.

Estas doenças acarretam importantes custos econômicos e comerciais quando surgem em criações de gado e plantações agrícolas.

Como nem humanos, animais e plantas têm processo de mutação, a descoberta de qual é a proteína da pele que está envolvida no processo de oxidação, seria possível encontrar novas formas de tratar muitas doenças.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Explosão de micróbios!

Alguma vez você já se perguntou a que distância chega o seu espirro? Ou se pode evitar a expansão dos germes cobrindo a boca com a mão ou o cotovelo ao tossir?

Com espelho gigante e câmera de alta velocidade, cientistas tentam entender transmissão da gripe.

O equipamento permite a observação das gotículas provenientes de uma pessoa ao tossir, espirrar ou falar. Os especialistas esperam que os resultados possam ser usados para criar melhores guias de prevenção e controle de infecções.

O estudo serve para levar informações às equipes de controle de infecções, pois existe atualmente uma controvérsia sobre quais agentes patogênicos - como a gripe - são transmitidos pelo ar e, se assim ocorre, quão importante é essa via em relação às outras, como o contato direto.

Embora seja provável que uma pessoa com gripe infecte outras por meio da tosse ou de espirros, ainda pouco se sabe sobre a distância que os germes percorrem e o volume de ar e vírus que transportam.

Os vírus da gripe são transmitidos pelo ar? O que é mais perigoso: tossir ou espirrar, ou talvez rir? As diretrizes de controle de infecção se baseiam em sua maioria em pesquisas com modelos e estimativas de especialistas, não em dados científicos sólidos.

Na pesquisa, que custou US$ 800 mil (R$ 1,34 milhão) - financiada pelo Conselho Nacional de Pesquisa Médica de Cingapura -, Tang e seus colegas projetaram um grande espelho côncavo, como o utilizado em telescópios de astronomia.

Junto com uma câmera que pode capturar até 250 mil frames por segundo, os cientistas podem observar o aerossol, ou spray, produzido por um espirro ou tosse através do espelho.

Incrível como a tecnologia pode ajudar a "desvendar mistérios"!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Oi??? Divirta-se!

Toca o telefone...

- Alô.

- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?

- Pois não, pode ser comigo mesmo.

- Quem fala, por favor?

- Edson.

- Sr. Edson, aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção OI linha adicional, onde o Sr. tem direito...

- Desculpe interromper, mas quem está falando?

- Aqui é Roselaine, da OI, e estamos ligando...

- Roselaine, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?

- Bem, pode..

- De que telefone você fala? Meu bina não identificou.

- 10331.

- Você trabalha em que área, na OI?

- Telemarketing Pro Ativo.

- Você tem número de matrícula na OI?

- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.

- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da OI. São normas de nossa casa.

- Mas posso garantir....

- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a OI.

- Ok.... Minha matrícula é 34591212.

- Só um momento enquanto verifico.

(Dois minutos depois)

- Só mais um momento.

(Cinco minutos depois)

- Senhor?

- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.

- Mas senhor...

- Pronto, Roselaine, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?

- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?

- Roselaine, vou ter que transferir você para a minha esposa, porque é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones.

- Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.

(coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino
tocando no Repeat (quem disse que um dia essa droga não iria servir para alguma coisa?), depois de tocar a porcaria toda da música, minha mulher atende:

- Obrigado por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..

- 10331.

- Com quem estou falando, por favor.

- Roselaine

- Roselaine de que?

- Roselaine Oliveira (já demonstrando certa irritação na voz).

- Qual sua identificação na empresa?

- 34591212 (mais irritada agora!).

- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?

- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Sra tem direito a uma
linha adicional. A senhora está interessada?

- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer,
pode anotar o protocolo por favor.....alô, alô!

TUTUTUTUTU...

- Desligou.... nossa que moça impaciente!


SE ESSA MODA PEGAR ... AGORA É A NOSSA VEZ GENTE!!!

Excesso de Velocidade em veículos mata!

Na Paulista, Faria Lima e Radial Leste, motorista só poderá trafegar a até 60 km/h; Prefeitura quer padronização para reduzir acidentes.

A Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) vai reduzir a velocidade máxima em importantes vias de São Paulo, como as Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima. A medida faz parte de um programa de padronização dos limites em toda a cidade, que começou a ser implementado no ano passado para aumentar a segurança no trânsito.

O objetivo é fazer com que vias com características semelhantes tenham o mesmo limite de velocidade.

A ideia é que se tenha o menor número de velocidades máximas dentro da cidade. Então, grandes corredores, como as marginais, terão uma determinada velocidade. Corredores de uma segunda categoria, como a 23 de Maio, terão uma segunda velocidade.

Como procurar solução para o caótico trânsito de São Paulo? Reduzindo a velocidade dos veículos? É louvável essa atitude, mas ela precisa ser reforçada por outra muito mais importante: EDUCAÇÃO DO MOTORISTA, DO MOTOCICLISTA E... DO PEDESTRE!

Se não forem efetuadas campanhas para educar todos os níveis de participantes do trânsito, as mortes continuarão. Atropelamentos acontecem em baixas velocidades, próximos de cruzamentos, junto a pontos de ônibus, fora da faixa de pedestre, em lugares de muito movimento - onde não há como correr, enfim, basta um olhar sem muita atenção para perceber que só reduzir velocidade não vai dar totalmente certo. É como tirar motociclista das avenidas de maior movimento: eles são obrigados a trafegar por vias secundárias, onde os riscos, por conta dos obstáculos naturalmente existentes são ainda maiores (cruzamentos, lombadas, PEDESTRES).

Em meu ponto de vista isso é assunto para Saúde Pública, juntamente com Engenharia de Tráfego e outros setores. Mas a Saúde Pública precisa participar da organização do trânsito e da educação do cidadão.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Concentre-se para comer!

Checar e-mails enquanto almoça? Comer assistindo televisão? Você pode acabar comendo mais do que imagina.

Pesquisadores fizeram com que 22 voluntários comessem uma refeição enquanto jogavam paciência no computador, enquanto outras 22 pessoas comiam a mesma refeição no mesmo período de tempo, mas sem estar distraídos. Eles disseram aos participantes que se tratava de um teste sobre os efeitos da comida na memória, mas na verdade estavam analisando o índice de satisfação das pessoas após uma refeição, quanto elas comiam num "teste de gosto" 30 minutos depois e com que sucesso conseguiam se lembrar exatamente do que comeram. Os resultados foram publicados online no "American Journal of Clinical Nutrition".

As pessoas que comiam distraídas não apenas foram as piores em se lembrar do que tinham consumido, mas também se sentiram significativamente menos satisfeitas depois do almoço, mesmo depois que os pesquisadores controlaram fatores como peso e altura. Nas sessões de teste de gosto, meia hora depois, eles comeram cerca de duas vezes mais biscoitos do que os que tinham almoçado mais concentrados, sem jogar paciência.

Portanto, concentre-se nos momentos de se alimentar, senão, você corre o risco de comer mais do que precisa e vai acabar engordando.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Transplantes em SP quase triplicam em 10 anos

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo bateu recorde histórico de transplantes de órgãos no ano passado. Em uma década, o número de cirurgias desse tipo praticamente triplicou no Estado. Em 2000, foram registrados 887 transplantes em hospitais paulistas. No ano passado, foram 2.328. Somente em comparação com 2009, foram feitos 353 transplantes a mais, o que representa aumento de 18%.

Do total de transplantes realizados pelos hospitais paulistas no ano passado, 1.439 foram de rim, 656 de fígado, 99 de pâncreas, 77 de coração e 57 de pulmão. Os dados se referem apenas a transplantes de órgãos de doadores falecidos.

As informações da Central de Transplantes demonstram também que o número de doadores viáveis - que tiveram pelo menos um órgão aproveitado para transplante - cresceu 23,5% no período, passando para 871 no ano passado.

fonte: estadão

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Diagnóstico precoce de Alzheimer em amostra de sangue???

Uma nova tecnologia capaz de diagnosticar condições como esclerose múltipla e Alzheimer promete auxiliar a identificação precoce de inúmeras doenças, inclusive vários tipos de câncer. E basta uma pequena amostra de sangue para realizar o exame.

Um artigo divulgado nesta quinta-feira, 6, na revista científica Cell apresenta resultados promissores em pacientes com Alzheimer. Antes, os cientistas já haviam testado a tecnologia em camundongos com um problema semelhante à esclerose múltipla. Tanto em animais quanto em humanos o exame de sangue diagnosticou as doenças com precisão.

O responsável pelo estudo, Thomas Kodadek, admite que, por enquanto, um teste assim não representa uma esperança tão grande para pessoas com Alzheimer, pois ainda não há terapias muito eficazes. Contudo, a mesma metodologia poderá servir para criar exames de diagnóstico precoce de câncer, aumentando as chances de tratamento.

Legal, não? Nada como a tecnologia médica para ajudar a humanidade. Em poucos anos, certamente, teremos mais novidades para o tratamento, também!

Vai viajar? Então, se liga!

Governo de SP orienta vacinação contra febre amarela.

Os moradores do Estado de São Paulo e viajantes que forem visitar áreas consideradas de risco para febre amarela devem tomar a vacina contra a doença, alerta a Secretaria de Estado da Saúde. A imunização é indicada para qualquer pessoa a partir dos nove meses de idade. Quem se vacinou há menos de 10 anos não precisa repetir a dose.

Todas as pessoas que forem viajar para áreas consideradas de risco no interior paulista ou em outros estados brasileiros devem tomar uma dose da vacina. Quem mora nessas áreas também deve ser imunizado. Para os viajantes, a recomendação é que a dose seja tomada com pelo menos 10 dias de antecedência.

A orientação é válida para os residentes e para quem viajará especialmente para as áreas ribeirinhas e de mata nas regiões de Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Araraquara, Bauru, Marília, Assis, Botucatu e parte da região de Sorocaba.

A vacinação também é indicada para quem pretende viajar aos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais e parte dos Estados da Bahia, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio do Grande do Sul.

fonte: Estadão.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Reprodução assistida: novidade!

CFM aprova reprodução assistida para homossexuais e uso de material biológico após a morte!

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou mudanças nas regras de reprodução assistida. Entre os destaques está a permissão para a realização de procedimentos com material biológico criopreservado (conservado sob condições de baixíssimas temperaturas) após a morte e a possibilidade de mais pessoas se beneficiarem com as técnicas, independente do estado civil ou orientação sexual.

A resolução do CFM, aprovada em sessão plenária de dezembro, ponderou que os médicos brasileiros não infringem o Código de Ética Médica ao realizar a reprodução assistida post-mortem, desde que comprovada autorização prévia.

A nova norma também define o número máximo de embriões a serem transferidos. A recomendação dependerá da idade da paciente, não podendo ser superior a quatro. O texto determina que mulheres de até 35 anos podem implantar até dois embriões; de 36 a 39 anos, até três; acima de 40, quatro.

Esses números não são aleatórios e envolvem estudos de potencial e risco para os doadores e para o feto que se formará.

Em caso de gravidez múltipla, o CFM manteve a proibição de utilização de procedimentos que visem a redução embrionária. Claro, é uma norma contra o abortamento!

Permanecem diretrizes éticas como a proibição de que as técnicas de reprodução sejam aplicadas com a intenção de selecionar sexo ou qualquer característica biológica do futuro filho. Por enquanto. Eu duvido que essas diretrizes permaneçam indefinidamente: é muito possível que futuros pais venham a desejar definir o gênero (sexo) de seus futuros filhos em tempo não muito distante.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Psiconeuroimunologia

Estudos em seres humanos, mostram que, stress e imunidade baixa têm estreita ligação. Trabalhos mostram continuadamente a comprovação dessas hipóteses, observadas em situações naturais tais com, luto, brigas conjugais, exames, e naqueles que cuidam de pacientes com doença de Alzheimer e até mesmo com estressores experimentais como é o caso da aritmética mental. Há inúmeras referências desse tipo de experiências no livro de Fábio Rotman.

A relação entre o stress com ocorrência natural, e a imunidade, foram avaliados especialmente em doenças depressivas, como mostrou inicialmente, um relatório de Schleifer, Keller e Stein, sobre a função das células T, e também um relatório de Irwim K, sobre a função das células NK. Mas para compreender bastante bem os efeitos do stress social, importantes experimentos foram iniciados com primatas, por Laudenslager e por Coe.

Eles demonstram que, ir a um encontro desagradável (estressante), é mais desgastante do que o encontro em si mesmo. Faysal e seus colegas da UCLA, demonstraram também a imunossupressão causada pela derrota, num peixe lutador, mantendo a idéia de Freud de que a doença é mais comum nos exércitos derrotados do que nos vitoriosos.

texto de Mário Quilici

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Higiene Dental é fator importantíssimo para evitar doenças do corpo todo

A má higiene oral está associada a aumento do risco para doença cardiovascular e baixo grau de inflamação, ainda que a natureza causal desta associação ainda não esteja complemente determinada.

Em uma pesquisa recente sobre doenças cardiovasculares, notou-se uma relação muito íntima entre os problemas odontológicos (particularmente má higiene com suas conseqüências) e as doenças do coração.

Ocorreram ao todo 555 eventos de doenças cardiovasculares em uma média de 8,1 anos de acompanhamento, dos quais 170 foram fatais.

Em 74% (411) dos eventos de doença cardiovascular, o diagnóstico principal foi doença arterial coronariana. Os participantes que relataram uma higiene oral ruim (nunca / raramente escovavam os dentes) apresentaram aumento no risco de eventos cardiovasculares. Eles também apresentavam maiores concentrações de proteína C reativa e fibrinogênio, resultados de exames de laboratório que mostram as reações bioquímicas do organismo diante de processos inflamatórios.

É um índice muito elevado nesta ligação entre um quadro e outro, ou seja, entre pessoas que não escovam os dentes, o nível de problemas cardíacos é muito elevado; portanto, é fácil de concluir que é muito mais simples passar fio dental após cada refeição e, em seguida, escovar os dentes, para se proteger um pouco mais dos riscos cardíacos. E isso vale para homens e mulheres...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Exame de sangue detecta uma única célula cancerosa.

Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram um teste sanguíneo que pode identificar uma única célula cancerosa entre milhares de saudáveis e que, em breve, estará disponível nos consultórios médicos.

Os desenvolvedores do exame anunciam nesta segunda-feira, 3, uma parceria com a gigante da saúde Johnson & Johnson para levar a invenção ao mercado. Quatro grandes centros de tratamento do câncer já começam neste ano estudos usando o teste de forma experimental.

Células cancerosas dispersas no sangue significam que o tumor se espalhou ou poderá se espalhar para outras partes do corpo, acreditam muitos médicos. O teste pode capturar essas células com potencial para se transformar em muitos tipos de câncer, especialmente de mama, próstata, cólon e pulmão.

Inicialmente, os médicos querem usar o exame para tentar prever quais tratamentos serão melhores para o tumor de cada paciente e descobrir mais rapidamente se eles estão funcionando.

"É como uma biópsia líquida" que evita a remoção dolorosa de tecido de amostra e pode ser uma maneira melhor de monitorar pacientes do que as tomografias periódicas, disse o Dr. Daniel Haber, chefe do Hospital Massachusetts General e um dos inventores do exame.

Ao fim, o teste pode oferecer uma maneira de detectar o câncer além das mamografias, colonoscopias e outros métodos pouco ideais utilizados hoje em dia.

"Há muito potencial aqui e é por isso que há muita animação", disse Dr. Mark Kris, chefe de tratamento do câncer de pulmão no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova York.

Muitas pessoas têm seus diagnósticos feitos através de biópsias por agulha. Esses exames muitas vezes não oferecem uma amostra grande o suficiente para determinar quais genes controlam o crescimento do tumor. Ou a amostra pode não estar mais disponível quando o paciente vai consulta um novo especialista.

Médicos normalmente prescrevem um medicamento ou terapia de radiação e então fazem uma tomografia dois meses depois para verificar se o tumor reagiu ao tratamento. Alguns pacientes vivem tempo suficiente para testar apenas um ou dois tratamentos, então um teste que possa avaliar o sucesso dos medicamentos mais cedo, avaliando as células cancerosas presentes no sangue, pode dar mais opções para os pacientes.

"Se você pudesse descobrir mais rapidamente 'esse medicamento está funcionando, continue com ele' ou 'esse medicamento não está funcionando, tente outra coisa', isso poderia mudar muita coisa", disse Haber.

Atualmente, o único teste no mercado que encontra células cancerosas no sangue é o CellSearch, fabricado pela Veridex, unidade da J&J, mas ele apenas fornece uma contagem das células. Ele não captura células inteiras que os médicos podem analisar para avaliar tratamentos.

O teste usa um microchip que lembra uma lâmina de laboratório coberta por 78.000 minúsculos cilindros, como cerdas de uma escova de dente. Os cilindros são cobertos de anticorpos que se ligam às células cancerosas. Quando o sangue passa pelo chip, as células batem nos cilindros como bolas em uma máquina de pinball. As células de câncer ficam presas e manchas fazem-nas brilhar para que os pesquisadores possam contar quantas ficaram e, em seguida, capturá-las para estudo.

O exame é capaz de identificar uma célula cancerosa entre um bilhão ou mais de células saudáveis, disse Mehmet Toner, da Universidade de Harvard, que ajudou a desenvolver o teste.

Câncer de mama aumenta em jovens

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) levantou o perfil das mulheres que passaram pelo hospital para tratamento de câncer de mama. Entre as 2.573 pacientes atendidas nos quase três anos de funcionamento da instituição, 15% têm menos de 45 anos. A mais jovem tinha, na época em que recebeu o diagnóstico, apenas 19 anos.

Esse levantamento será feito também para outros tipos de câncer. Mama foi o primeiro justamente porque a incidência está aumentando em mulheres em idade reprodutiva. Alguns defendem que há um aumento real, causado por mudanças de costumes. Outros dizem que os casos estão apenas sendo diagnosticados mais cedo. Os dois fatores pesam.

A grande preocupação é que a detecção da doença nas mulheres jovens é mais difícil. Primeiro porque elas não estão na idade em que exames são feitos rotineiramente e, mesmo quando a mamografia é realizada, a percepção do tumor é mais difícil.

A mulher jovem tem muito tecido glandular e pouca gordura. Isso dificulta a visualização dos sinais precoces do câncer.

Além disso, o câncer de mama na mulher jovem costuma ser mais agressivo. Tem taxa de crescimento maior e mais risco de metástase. Mas a incidência desse tipo de tumor cresce em todas as faixas etárias, não só em mulheres jovens.

Especula-se que a explosão seja consequência da mudança no estilo de vida feminino. No século 19, as mulheres menstruavam mais tarde e logo casavam e tinham filhos. Amamentavam mais tempo e entravam mais cedo na menopausa. A mama passava menos tempo sob o estímulo dos hormônios ovarianos.

Além disso, a entrada no mercado de trabalho deixou a mulher mais predisposta a sofrer de estresse, depressão e ansiedade, fatores que enfraquecem as defesas do organismo contra o câncer.

Especialistas concordam que pouco se pode fazer para evitar o problema. A melhor forma de se proteger e diminuir a mortalidade é o diagnóstico precoce. Não dá para a mulher jogar fora o que conquistou, sair do mercado de trabalho e voltar a ter um filho atrás do outro. Mas dá para detectar o câncer em fase inicial, quando é mais fácil tratar.

Quando o tumor é diagnosticado e tratado quando o nódulo é menor que 1 centímetro, as chances de cura chegam a 95%.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Recompensas

O sistema cerebral envolvido no prazer de doar é bastante conhecido por aqueles que investigam um fenômeno fundamental para o homem: a recompensa. "As ações humanas são determinadas pela gratificação emocional ou material que esperamos receber; isso se aplica a todos os casos em que sentimos prazer depois de ter feito algo, independentemente da natureza da ação", diz o neurocientista Giorgio Coricelli, pesquisador do Cimec de Rovereto, na Itália e do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) do Instituto de Ciências Cognitivas de Lyon, na França. O círcuito da recompensa é dirigido por um neurotransmissor fundamental: a dopamina.

Não é por acaso que nos pacientes que sofrem de Parkinson, doença na qual o cérebro tem sua capacidade de produzir dopamina prejudicada, o mecanismo costuma ser afetado. Às vezes, a busca pela cura dos sintomas pode ter efeitos contraditórios: os medicamentos que estimulam a produção de dopamina diminuem distúrbios motores típicos da patologia, mas podem trazer alterações comportamentais ligadas à falta de controle em relação à busca de recompensa, que pode ser expressa como compulsão por sexo, comida ou jogos de azar.

Além dos núcleos profundos do cérebro, as estruturas frontais são fundamentais para avaliar as vantagens de doar. "As áreas órbito-frontais são fisicamente envolvidas em processos sensoriais. Regiões neurais próximas elaboram recompensas complexas, como as que envolvem dinheiro", explica Coricelli. Ele dedica seus estudos principalmente à compreensão do papel do lobo frontal no momento em que tomamos uma decisão e de como funciona essa área em momentos de pesar, que ocorrem sempre que uma ação não produz a gratificação esperada.

Outros estudos descobriram que o lobo parietal também está relacionado à elaboração cognitiva da recompensa, que parece ser um sistema difundido por todo cérebro. E não importa sob que forma se manifesta a situação: num nível mais amplo, nosso cérebro nem sempre faz distinção entre dinheiro, comida, sexo, afeto. Funciona como uma espécie de moeda única.

Todas essas descobertas podem ser úteis para entendermos o funcionamento da economia real e, principalmente, fenômenos como as bolsas de valores. "Alguns neurocientistas, principalmente aqueles que tomam como referência teorias econômicas mais liberais, estão convencidos de que é possível explicar as variações dos mercados e da economia com base no funcionamento do cérebro, com uma visão extremamente mecanicista do fenômeno.

Do meu ponto de vista, as coisas não são assim tão simples: o que estudamos sob o guarda-chuva do que hoje se chama neuroeconomia é somente uma das maneiras pelas quais o ser humano interage socialmente. Também é preciso levar em conta os fenômenos mais complexos, como a interação com o ambiente e a influência da massa nas decisões individuais".