Duloxetina: para tratamento de dores neurogênicas e enxaquecas.



O Cymbalta (duloxetina) é um novo antidepressivo, fabricado pelo laboratório norte-americano Eli Lilly.

Pertence a uma classe de drogas conhecidas como duplos inibidores de recaptação. O que é isso?

Os neurotransmissores são liberados por um neurônio e são captados por outro. Uma pequena quantidade de neurotransmissor é enviada de cada vez, de um neurônio para outro.

Após o envio e recebimento dessa quantidade, o neurotransmissor que ficar "sobrando" no espaço entre um neurônio e o outro é absorvido pelo primeiro, aquele que o liberou.

Esse processo recebe o nome de recaptação. Um inibidor da recaptação de um dado neurotransmissor impede esse processo, o que significa que sob a vigência da duloxetina, certos neutrotransmissores são enviados em fluxo contínuo e sentido único, e não mais da forma natural, pulsátil e em "mão dupla".

Os neurotransmissores afetados pelo cymbalta (duloxetina) são a serotonina e a noradrenalina. O termo duplo inibidor de recaptação refere-se a uma droga que afeta a recaptação de dois neurotransmissores ao invés de um.

Os efeitos colaterais da duloxetina são comuns: náuseas, sonolência, cansaço ou fraqueza, excitação ou ansiedade, insônia, pesadelos, boca seca, intestino preso, hipersensibilidade da pele à luz do sol, alterações do apetite e do peso, alterações no desejo sexual e dores de cabeça. Efeitos colaterais menos comuns compreendem dificuldade para urinar, aumento da freqüência urinária, visão embaçada, sudorese excessiva e batimentos cardíacos irregulares. O aparecimento e a intensidade dos efeitos colaterais varia de paciente para paciente.

Um efeito colateral importante e comum a quase todos os pacientes é sentido no bolso (COMO EU SEMPRE DIGO: O ÓRGÃO MAIS SENSÍVEL DO CORPO HUMANO). As novas drogas antidepressivas são sempre extremamente caras.

Uma coisa existe em comum entre as drogas: na época do seu lançamento, diversas revistas populares, de credibilidade, publicam vistosas matérias sobre elas.

Matérias que seriam até importantes e ilustrativas, se não fosse por um pequeno detalhe: elas só se lembram de enaltecer o novo medicamento, e normalmente se esquecem de detalhar os efeitos colaterais e reações adversas. Informação tão importante quanto o benefício que a droga pode possuir.

Essas matérias ficam até parecendo um informe publicitário da indústria e não uma matéria informativa, tipicamente jornalística, que mostra os prós e os contras, questiona, compara opiniões médicas divergentes e contraditórias, ouve pacientes satisfeitos e insatisfeitos.

Tudo parece unânime. Todos os pacientes estão felizes e contentes, nas nuvens. Ninguém sofre efeitos colaterais. 80% ficam curados e felizes para sempre (e o resto das pessoas?)

Infelizmente, a realidade não é essa. Os pacientes continuam tendo reações adversas, continuam apresentando recaídas depois de algum tempo, e o pior, continuam achando que somente uma droga, uma pílula mágica, pode resolver o seu problema.

Medicamentos como o Cymbalta (duloxetina) podem ser importantes num momento específico da depressão ou da enxaqueca, mas ninguém pode depender apenas deles.

Importante lembrar a grande ação da duloxetina nas dores crônicas, ou neurogênicas. Aquelas que acompanham pacientes com artroses graves, por exemplo. Ela ajuda bastante a reduzir essas dores.
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