Insônia aparente


Há muitos casos de pacientes que sofrem de um tipo de insônia curiosa, na qual eles relatam passar a noite em claro, mas se dormem acompanhados, os parceiros relatam que o paciente dorme muito bem a noite toda, chegando, inclusive a roncar profundamente.

Como você encararia esta situação? Certamente com certa dose de dúvida, tanto para uma como para outra opinião, afinal, em primeiro lugar, quem sente a “insônia” é o paciente e quem vê não poderia avaliar o que ele sente, mas ao mesmo tempo acredita ser um engano, ou mesmo mentira do paciente, já que, toda vez que olha para ele, está dormindo profundamente.

Mas o parceiro fica a noite toda lá, olhando, para ver se o paciente fica o tempo todo dormindo? Há como fazer isso? Claro que não. Bem, então vamos encaminhar o insone para uma polissonografia, assim teremos uma idéia melhor sobre seu quadro de “insônia”, não é mesmo?

Também não dá para considerar como um resultado absoluto! O exame é apenas mais um dado e não “pega” necessariamente o problema todo, apenas uma “fatia”, um momento da pessoa, uma fotografia de um instante, sem possibilidade de fazer uma auditoria completa do que passa a pessoa em todos os instantes de sua vida.

A insônia, mesmo a aparente, é produtora de problemas, como degradação de memória, irritabilidade, desatenção, torpor durante certos períodos do dia, e outras circunstâncias não agradáveis. Por isso, a necessidade de se instalar um tratamento terapêutico é, sem dúvida, indiscutível.

Em tempo: a polissonografia é aquele exame no qual se fica a noite toda dormindo num laboratório, com um monte de fios ligados ao corpo, em uma cama estranha, sendo vigiado (monitorado?) o tempo todo... enfim, quem é que consegue dormir com naturalidade nessas circunstâncias? Só quem tem o sono muito “pesado”, não é mesmo?

Então, não é um recurso dispensável, pois dá alguma idéia com relação a algumas doenças que pioram a qualidade do sono, mas também não é um recurso com o qual se possa fechar um diagnóstico em uma situação como esta.

Encaramos o paciente que apresenta esta queixa, como alguém realmente insone e pedimos para que ele faça a polissonografia, para que se possa “ter uma idéia” do que está acontecendo. Tratamos deste paciente como alguém insone e damos uma série de instruções para que ele possa adquirir uma qualidade de sono algo melhor para que tenha uma vida de relação (a vida habitual) melhor. Afinal, quem não dorme bem à noite, não vive bem de dia! Dormir bem é condição mínima para que se viva bem.

E nem todos precisam de oito horas de sono por dia: algumas pessoas ficam muito bem com quatro o cinco horas de sono e ficam bem em suas atividades normais, sem qualquer perda de rendimento. Cada um tem sua peculiaridade em todas as coisas da vida e no sono não é diferente.

Medicamentos para tratar a insônia podem variar de medicamentos naturais, que provoquem o relaxamento e sonolência suave até benzodiazepínicos e indutores do sono, os chamados medicamentos “faixa preta”, dos quais muita gente tem verdadeiro pavor, algumas vezes com alguma razão, mas nem sempre, pois os medicamentos existem para que sejam usados com adequação, com moderação e sob o controle médico, não indiscriminado, isto é, há alguma discriminação para o seu uso, o que significa dizer que determinadas doenças têm a indicação adequada de determinados medicamentos e que não se pode sair por aí com auto-medicação ou escutando palpites de experiências positivas ou negativas de outras pessoas que tenham passado por problemas semelhantes.

O uso de medicamentos naturais tem aumentado bastante ultimamente e, apesar de muitos estudos poderem dizer o contrário, trata-se de uma escolha interessante por conta de sua efetividade, que não é relativamente boa e baixo risco de toxicidade e risco zero de gerar dependência química para o paciente.

A utilização de medicamentos indutores do sono tem suas implicações, é verdade, mas quando bem indicada, favorece à libertação do paciente para com sua vida habitual de relação e, apesar dos sabidos riscos, tem todo o potencial de auxiliar o insone em suas dificuldades.

A terapia psicológica poderá ajudar o paciente, em decorrência da tentativa que se faz de obter o auto-conhecimento, e este, de se conseguir o auto-controle: com ele, pode se ter alguma facilidade de ter um melhor controle sobre o sono e sua qualidade.

As práticas de meditação, das mais variadas, são recursos úteis que levam a pessoa a relaxar mais profunda e efetivamente, podendo tirar proveito melhor das horas dedicadas ao repouso.

Há, ainda a possibilidade de se tratar as insônias aparentes com medicação homeopática e eu, muito particularmente, tenho tido resultados bastante satisfatórios com alguns medicamentos da Weleda (farmácia da medicina antroposófica), como o Bryoplhilum e o Ansiodorum. Não tenho queixas, pois não apresentam problemas de efeitos colaterais, não têm o chamado efeito placebo e resolvem um bom número de casos satisfatoriamente.

Alguns profissionais, em funçao de notarem problemas de tensão muscular em seus pacientes, prescrevem medicamentos relaxantes musculares (miorrelaxantes) e conseguem obter bom resultado. É algo para ficar anotado e verificar se realmente é adequado.

Não posso esquecer de citar que muitos casos de insônia aparente estão relacionados com ansiedade e depressão e que estes quadros precisam ser avaliados adequadamente e tratados da mesma maneira, pois não tratamos um sintoma, mas uma pessoa, um conjunto de informações referentes a um ser humano.

Hábitos alimentares incovenientes também atrapalham o sono e causam desconforto durante a noite. Veja bem: como passar bem na hora do repouso se você tem uma refeição abundantes alguns minutos antes de dormir? Difícil, não é mesmo? Café é um exemplo que se pode citar no que diga respeito a isso, também. E nem é preciso tomar muito café, ele é estimulante do sistema nervoso central e atrapalha bastante o sono, pode ter certeza. Mesmo que você diga que não e que já está acostumado, tenhe certeza de que ele irá lhe prejudicar a qualidade do sono. Bebida alcoólica, então, é um problema ainda mais sério, pois é inibidora do sistema nervoso central, mas inibe o que não deveria inibir e causa, no correr do tempo alterações mais profundas no aproveitamento do sono, fazendo cair a qualidade deste.
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